Em quatro anos a Austrália passou de um país musicalmente estagnado para um efervescente e rico centro cultural. A criação da Modular, uma gravadora que centralizou o crescente cenário eletrônico, foi o que faltava para que os olhos estrangeiros pairassem sobre excelentes novos lançamentos como
Bright Like Neon Love, do Cut Copy, e
Beams, do Presets. No entanto, os
aussies possuem uma característica muito comum a toda sua música - independente dos estilos. Ela já foi feita há alguns anos atrás.
Jets, Wolfmother, Cut Copy, Presets, Van She e agora Ladyhawke, todos são essencialmente influenciados por artistas dos anos 70 e 80. Porém, o que para alguns é um ponto de partida em busca de uma personalidade própria em algo já (muito bem) utilizado, para outros parece como a busca por uma carreira que já se inicia empoeirada. Coincidentemente, a Modular dividiu o lançamento de seus artistas que conseguem ver a diferença entre influência para cópia por semestre. E se a primeira metade do ano nos deu
In Ghost Colours e
Apocalypso, a segunda, infelizmente, nos deu
V e agora
Ladyhawke.
Mas porque não gostar de Pip Brown? Ela é loira, bonita, desenha bem (fez as capas de seus singles e álbum) e toca todos os instrumentos presentes em suas gravações. Ela tem um bom senso de humor (nomear seu projeto em homenagem a um filme fantasia/romance/aventura diz muito sobre o humor de alguém), possuiu bom relacionamento com pessoas legais da música (já teve uma banda com Nick Littlemore do
PNAU e cantou "Embrace", a música mais famosa da dupla australiana; além de criar a música "Paris is Burning" após uma noite de farra com
Soko pela capital francesa), e segundo pessoas que a entrevistaram, sua timidez possui enorme charme.
Porque toda vez que eu ouço seu álbum de estréia, eu acho que acidentalmente dei play em algum álbum do Pretenders - e essa não é uma boa sensação. E o problema não é algo específico da produção (por exemplo, dá para se ouvir reverberação no vocal de Pip), a estrutura das bases e o timbre de voz da neozelandesa também soam demasiado como o trabalho do quarteto americano.
DON'T GET ME WRONG...Se os quesitos para julgar um bom álbum se dividissem apenas entre originalidade e capacidade de fazer uma boa canção, Ladyhawke bem que passaria com um belo 5 de 10. Porque apesar de 0 em criatividade, Pip consegue fazer os mais sólidos e cativantes refrões dos últimos tempos. Não há como não admirar a forma hipnótica que suas músicas ganham e a facilidade que eles se infiltram na sua cabeça - e com isso facilitam a vida dos remixers, que
alcançaram excelentes com as faixas lançadas.
Os dois últimos singles, "Paris Is Burning" e "Dusk Til Dawn", provam que quando bem dosado os lados indie, new wave e pop, a cantora se torna indestrutível e com potencial de tocar nas rádios ao mesmo tempo que toca nos iPods dos mais críticos. No entanto, faixas como "Back Of The Van" e "Another Runaway" somam maioria e tornam
Ladyhawke um ótimo álbum que não foi lançado em 1985.
Eu sei que Chrissie Hynde se mudou para o Brasil, abriu um restaurante vegan e as únicas coisas novas que ela lança são coletâneas de
Best Of, mas isso não justifica o som de Ladyhawke que nem com a adição de alguns sintetizadores e produção de 2008 (data, não jeito que soa) conseguem parecer mais moderno que, digamos, uma permanente ruiva no
A Garota de Rosa Shocking (sic).
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Ladyhawke - Back Of The Van (mp3)
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Ladyhawke - Paris Is Burning (mp3)
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Ladyhawke - Another Runaway (mp3)
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Ladyhawke - Dusk Til Dawn (Feat. Pascal Gabriel) (mp3)