Robótico e soulful, CD de produtor inglês só peca pela excessiva variação rítmica
No meio de tanto revival da disco music, é em sua fase mais robótica/perdidos-no-espaço que os produtores de hoje têm preferido tomar como referência, com os trabalhos de Lindstrom e companhia limitada como principais baluartes desta tal space disco.
A princípio, o DJ/produtor inglês Toby Tobias não foge muito à regra. Ele próprio define seu som como "Gino Soccio e Sly & Robbie fazendo uma experiência científica no espaço sideral". Mas por sorte Tobias consegue escapar das armadilhas de se tornar um Prins Thomas de segunda classe e produz um álbum com estilo próprio e originalidade.
Space Shuffle pega a disco (incluindo aí também a italo disco) como referência, mas não a usa como muleta para produzir um álbum com cheiro de brechó. Seu olhar para a disco é renovado, autêntico, misturando linhas funky bem gostosas com momentos mais calmos e atmosféricos, com cara de filme de ficção científica, brincando no limite da música de pista e a lounge music.
CHILL, CHILL, CHILL... OUT!
Provém daí talvez o único defeito do álbum. Envolvido em muitas variações rítmicas ambient, Tobias às vezes escorrega o dedo onde não devia e acaba ficando repetitivo. Algumas faixas, apesar de belas e bem acabadas, não nos levam muito a lugar nenhum. A viagem ao espaço fica aborrecida, como um astronauta que se solta do cabo que o mantém ligado à sua espaçonave e fica condenado a vagar pelo espaço.
Talvez Toby seja um produtor perfeito para lançar singles, mas não discos inteiros. Ouvindo algumas faixa separadamente temos a certeza que estamos de frente com um artista talentoso. Mas quando ouvidas em meio as longas viagens de outras faixas, elas perdem um pouco o brilho.
Mesmo assim, Space Shuffle tem seu valor. "A Close Shave" é uma pequena obra prima mesclando o velho e o novo. "In Your Eyes" tem vocais que nos lembram as grandes divas negras dos anos 70, mas também soa moderno. Outra faixa com vocais, "The Feeling" é cheia de grooves espaciais e atmosféricos. Aliás, é uma pena que tão poucas faixas de Space Shuffle tragam o vocal da talentosa
Kathy Diamond.
Tobias mixa influencias que vão do dub à deep house e percussões latinas, pitadas de electro, techno e afins. Seu estilo é uma boa lufada de ar fresco na música eletrônica, sem promover grandes revoluções, mas apresentando um trabalho agradável. É só ele não se desviar muito do caminho, que sua nave com certeza chegará ao seu destino final.