of Montreal - Skeletal Lamping
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ficha técnica
Nota: 4.7 / 5
Ano: 2008
Selo: Polyvinyl
Estilos: R'n'B, Disco, Funk, Pop, Prog-Rock
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of Montreal - Skeletal Lamping
Mais um ano, mais um álbum de Kevin Barnes e mais um candidato a melhor do ano
02.10.08 19:40
Kevin Barnes é uma figura importante para a música atual. Mutante, já passeou por estilos com propriedade, sempre em companhia de sua atormentada e apaixonada mente. Com uma peculiar capacidade de criar canções envolventes de todos os seus álbuns, ele carrega o fardo de ter que superar Hissing Fauna, Are You the Destroyer? (2007), seu álbum mais bem sucedido e, de alguma forma, mais fácil de se apaixonar - apesar de músicas de 12 minutos e títulos impronunciáveis.

Seu mais recente e nono álbum de estúdio, Skeletal Lamping, não nasce na escuridão do fim de um relacionamente como seu precessor. Mas sim da carregada e complexa história de Georgie Fruit - personagem que assumiu o lugar de Kevin durante a canção ritual "The Past Is A Grotesque Animal" - um transsexual negro no alto dos seus quarenta anos.

"My lover, I've been donating time to review all the misinterpretations that define me and you"* abre o álbum com a ensolarada melodia de "Nonpareil of Favor" e sua declaração que, como na maioria das outras 14 faixas, é interrompida por algum acontecimento que a leva para um caminho completamente diferente do inicial. Nesse caso, um explosão rockeira cheia de pratos e guitarras acompanham seus últimos e tensos minutos.

(*Meu amor, eu andei gastando meu tempo para pensar em todos os mal entendidos que definem eu e você).

Of Montreal

A narrativa segue positiva em "Wicked Wisdom", e mais detalhes da ambígua personalidade de George Fruit emergem. Ele reclama da falta de inteligência das it girls, tece mais elogios à sua figura amada e encerra com "I'm just a black she-male and I don't know what you people are all about"*. A vida sexual de George aparece de forma escancarada em "For Our Elegant Caste" (Nós podemos fazer um softcore se você quiser, mas você deve saber que eu tomo dos dois jeitos**), e seus primeiros traços de depressão com a figura em que se tornou em "Touched Something's Hollow".

(*Eu sou só um transex negro e eu não sei o que vocês querem)
(**We can do it softcore if you want But you should know I take it both ways)

MESTRE DOS RELACIONAMENTOS (FRACASSADOS)
Independente da história confusa e incomum de George, Kevin consegue reforçar suas qualidades como letrista ao fazê-las parecerem comum a qualquer pessoa. Todos que já tiveram o coração preenchido por alguém se vêem descritos em "Gallery Piece". É aquele clichê de sentimento único compartilhado por todos (eu espero), a vontade única de construir e destruir uma pessoa de acordo com suas vontades, ao mesmo tempo que você a protege do mundo. A música é uma espécie de extensa coleção de frases de impactos, sem apelar pelo lado da emoção barata, porque nesse caso você sabe (ou deveria saber) que Kevin Barnes é a sua música.

E como, mesmo escondido atrás de nomes, roupas e maquiagens, Kevin continua sendo o of Montreal, e a única coisa que se deve esperar dele continua sendo o inesperado: experimentações nunca antes realizadas - não com tamanho sucesso pop, ao menos - ganham vida. E assim o lado inocente das primeiras gravações influenciadas pelas boy-bands dos anos sessenta é reavivado após uma claustrofóbica chuva de elementos africanos e escalas progressivas, que te indicam que a banda aparentemente perdeu qualquer compromisso com a melodia.

Kevin Barnes

No entanto, apesar dos momentos "malucos", o álbum segue uma segura linha disco-funk-r'n'b que já havia aparecido em Hissing Fauna, mas sem tanto destaque. No geral, as músicas são melódicas, não imediatas e emanam sexualidade. Os falsetos, vocais casados, agudos e reverberações de Kevin ativam libidos, despertam interesse e se mostram com uma técnica superior a tudo que ele já havia gravado nesses onze anos de banda. Soa como um Prince numa viagem paranóica de ácido, como os Beach Boys num momento derrotista, como a inconfundível desafinação de alguém desesperado. Tudo ganha maior dramaticidade nas histórias contadas por Kevin.

É uma obra de se ouvir inteira. Talvez por isso as 15 faixas conversam e se completam numa relação totalmente dependente. É um álbum do of Montreal, então tempo e atenção terão que ser gastos para a compreensão do mesmo. Apesar de possuir todos os elementos que os fizeram famosos, a porcentagem pode não agradar a todos fãs. E o fato que às vezes todos esses elementos possam aparecer ao mesmo tempo, pode afastar os mais sensíveis ao caos sonoro. Porém uma vez superado essas as barreiras, ele se resume a um excelente álbum pop. Eu já disse que a única coisa que se deve esperar do of Montreal é o inesperado, mas vou mudar minha afirmação. A única coisa que se deve esperar do of Montreal é a excelência. Nada menos que isso.
MP3
Flash Content
Of Montreal - Nonpareil of Favor (mp3)

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Of Montreal - An Eluardian Instance (mp3)

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Of Montreal - Gallery Piece (mp3)

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Of Montreal - Death Is Not a Parallel Move (mp3)

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Of Montreal - Id Engager (mp3)


Raphael Caffarena
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