Resenhamos a nova geração do folk inglês: Jeremy Warmsley, Eugene McGuiness, Lightspeed Champion, Johnny Flynn e Noah and the Whale
Nesse tempo em que os festivais nacionais escalam headliners baseados em atrações "do ano passado" sob chuva de críticas - tanto de quem é a favor da novidade, quanto quem é contra - e que o RapidShare, Ableton e HypeMachine são responsáveis pela definição dos próximos (grandes) nomes do mercado, um estilo independente de modismos encontra forças na juventude para se manter atual e apaixonante.
É uma geração compostas por jovens que usam o folk para escrever sobre estórias cotidianas. Por serem jovens, muito elementos do estilo são corrompidos em troca de uma definição de um som próprio. Logo, o gênero só tem a ganhar com a releitura dada por essa nova classe britânica de compositores. Além de
Jeremy Warmsley, Eugene McGuiness, Lightspeed Champion, Johnny Flynn e
Noah and the Whale apresentados aqui,
Kid Harpoon, Emmy the Great e
Laura Marling também representam essa turma interessantíssima que narra suas estórias pelo violão, não pelos
followers de um twitter.
JW

Jeremy Warmsley - How We BecameNOTA: 4.5Seu álbum de estréia,
The Art Of Fiction, não foi o suficiente para ele ser considerado um dos mais talentosos jovens ingleses. Mas o seu sucessor certamente o será. Não tem como não se impressionar pelos arranjos clássicos incorporados em estéticas pop, ou da perfeita fusão de música eletrônica com a indie (ouça "How We Became" e tente não se lembrar de Postal Service).
Com maior domínio de sua voz, Jeremy consegue fazer uma boa transição de doce a desafinado de um jeitão todo pós-punk (ouça Clap Your Hands Say Yeah como referência). É um álbum com letras fortes, ironia baixa e atemporal, mas que no final se revela uma cesta de influências comuns que ganham novo fôlego e cara ao serem comandadas pela visão única de Jeremy.
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Jeremy Warmsley - Lose My Cool (mp3)
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Jeremy Warmsley - Dancing With The Enemy (mp3)
EM

Eugene McGuiness - Eugene McGuinessNOTA: 4.5O álbum de indie-low-fi-folk-pop do ano veio de alguém com 23 anos que soa como um cara energético de trinta e poucos e sonha como uma criança. São músicas pintadas em cores berrantes, estranhamente pessoais. Uma espécie de Alex Turner se o mesmo tivesse vivenciado suas estórias ao invés de retirá-las do cotidiano alheio.
Violinos e pianos são tão presentes quanto as guitarras e baterias bem marcadas, afastando qualquer pretensão descabida (entendeu Coldplay?). Só que mais surpreendente que a produção pop e pomposa é a capacidade que Eugene tem de fazer sua voz soar única e grudenta tanto nas músicas mais arrastadas quanto nas mais animadas (que somam maioria aqui). Um feito ainda mais impressionante que o seu EP de estréia
The Early Learnings of Eugene Mcguinness.
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Eugene McGuinness - Moscow State Circus (mp3)
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Eugene McGuinness - Rings Around Rosa (mp3)
LC

Lightspeed Champion - Falling Off The Lavender BridgeNOTA: 3.8É engraçado crescer junto com um artista. Devonte Hynes apareceu como o Test Icicles em 2004 com uma caótica mistura de punk com neon que se tornaria o embrião da new rave um tempo depois. Quando estavam prestes a virar banda referência de quatro entre cinco adolescentes ingleses, eles decidiram se rebelar contra o sucesso e acabaram com a banda.
Um ano depois o mesmo Dev, que fazia música de hipsters para hipsters, ressurge acompanhado de um violão e, pasmem, melodia! A notícia boa é que além do álbum funcionar muito bem, ele manteve a linguagem ácida da geração
skinny jeans ao narrar estórias, como a (estranha) primeira vez e a ressaca de alguém que não devia beber. Brilhantemente produzido e encantadoramente pop, Dev mostra que
scenester podem ser multi-facetados.
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Lightspeed Champion - Galaxy of the Lost (mp3)
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Lightspeed Champion - Midnight Surprise (mp3)
NW

Noah and the Whale - Peaceful The World Lays Me DownNOTA: 3.6A banda mais folk dessa nova geração é a que alcançou maior sucesso comercial: quinto lugar na listas dos mais vendidos na Inglaterra. Talvez pelo clima ensolarado presente em todas as faixas, talvez pela simplicidade presentes em suas bases. Certeza mesmo é só de que ninguém consegue resistir a uma letra reclamando sobre o amor com frases charmosas (
"If love is just a game, then how come it's no fun?/ If love is just a game, how come I've never won?" - se o amor é só um jogo, como é que ele não é divertido? / se o amor é só um jogo, como é que eu nunca ganhei?).
Muito mais simpático que o ranço do folk clássico, o grave e jovem vocal de Charlie Fink se mostra ainda mais esperançoso quando acompanhado do backing vocal de Laura Marling. É um álbum de se descobrir aos poucos e de se ouvir em determinados momentos. Apesar de trazer quase nenhuma novidade em suas composições, a honestidade se mostra um diferencial bem vindo.
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Noah And The Whale - 5 Years Time (mp3)
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Noah And The Whale - Shape Of My Heart (mp3)
JF

Johnny Flynn - A LarumNOTA: 4.0Johnny é acompanhado da banda The Sussex Wit e usa o folk apenas como ponto de partida em sua estréia. Pois aqui o leque de influências na verdade passa por estilos como blues, country e rock clássico. O que garante um frescor ao estilo que é mais reverenciado por suas letras do que linhas instrumentais.
Porém, acontece que a melhor voz da nova geração inglesa também é um dos melhores letristas, armando estórias tão complexas que seriam difíceis para qualquer outra pessoa conseguir musicá-las. Como um Johnny Cash sem o lado sulista, como um Nick Drake sem a excessiva introspecção, Johnny é um ascedente novo personagem de uma escola repleta de grandes nomes e suas excentricidades.
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Johnny Flynn - The Box (mp3)
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Johnny Flynn - Tickle Me Pink (mp3)