Um belo visual. Essa era a primeira impressão de quem olhava o HMF 2008 ainda do estacionamento. Tendas diferenciadas e uma enorme mistura de cores e luzes passavam a impressão de evento internacional, perdido em alguma planície da Grã-Bretanha. Tanto é que até a chuva esteve presente durante praticamente toda a festa no último sábado. E se por um lado diminuiu sensivelmente a parcela de público disposta a se jogar num evento a céu aberto, por outro garantiu que cada pedacinho de chão coberto fosse tomado, garantindo uma festa fervida principalmente nas suas três tendas.
O main stage tinha um belo set de luzes, mas o soundsystem parecia desregulado, com o sub-bass muito alto e sem nitidez, obrigando quem procurava por mais fidelidade sonora a se posicionar mais longe das caixas, justamente onde o som do camarote do Sirena se misturava com o do palco.
Picotto

E apesar de tal mal posicionamento, as tendas tinham as laterais abertas possibilitando a entrada e saída do público, sem confusões e empurra-empurra. Os bares e caixas não tinham filas e o atendimento era bem eficaz.
TECHNOVia-se um público fiel curtindo o techno da tenda Meganite, que contou com uma prestigiada apresentação do seu representantes- mor Mauro Picotto (com direito a um celebrado final ao som de "
Komodo"), Mau Mau e Gabry Fasano. A tenda Amnesia, a mais concorrida do festival, era também a mais agitada. Imperava o electrohouse e suas releituras de grandes clássicos como "Children" e "Rythm is a Dancer". Brian Cross, ex-DJ de Trance, e o violinista Micah foram os destaques, com interessantes intervenções conjuntas já famosas para os freqüentadores da matriz do clube em Ibiza.
O camarote organizado pelo Sirena era o centro das atenções dos mais endinheirados e musicalmente menos exigentes, com sets irregulares e alguns problemas técnicos como a pequena distância do palco. A house antiquada de Choo Choo Romero confrontou outra mais atual de Paolo Mojo e saiu perdendo.
TRANCESchulz

Markus entrou no palco com atraso, lá pelas 23h15, atraindo um grande número de pessoas. Começou seu set com um progressive trance bem leve, predominante na primeira meia-hora. Carismático, fez o público presente vibrar com remakes de faixas como "Airwave" (Rank 1), "Take me Away" (4 Strings) e "Sweet Dreams" (Eurythmics), fora o mashup de "The Space We Are" (Ronski Speed) com "Perspective" (Rex Mundi). Hits do evento em geral passaram pelas picapes do DJ, como "
Lost Connection" (Jochen Miller) e "
Shake Down" (Ali Wilson), faixas tocadas umas três vezes em todo o evento. O headliner foi bem do progressive ao tech-trance, terminando o set com uma pegada forte. Mesmo saindo 15 minutos mais cedo, agradou muito.
Marco V foi outro do trance que surpreendeu. Começou bem grooveado, rasgado e tendendo ao electro, depois funky e puxado ao tech-house. No decorrer do set a pegada aumentou, o baixo ficou mais agressivo e o groove também, atraindo mais gente à tenda. Boas versões para produções consagradas como "Simulated", "Automanual", "False Light" e "More than a Life Away".
JUDGE, O MASHUPERJudge Jules, residente da poderosa Radio 1, teve entrada pegando muita gente de surpresa ao ver que imaginava que a dupla Carlo Dall'anese & Fabio Castro ainda estivessem tocando. Jules fez um set bastante enérgico, reinando na playlist seu já conhecido tech-trance.
O mote foram os mash-ups no set de Jules: Softcell vs. Southside Spinners, Delirium vs. Gareth Emery, uma versão de "Stress" (Justice) muito parecida com a do live da dupla francesa, um remake de "Seven Nation Army" e até mesmo a breguíssima "Eye of the Tiger", em uma versão até que interessante, mas bem estranha, com gente encarnando Rocky Balboa na pista. Só não foi melhor por conta da chuva, que incomodou na parte final de sua apresentação, obrigando muitos a se abrigarem nos bares e tendas. Mal-tempo à parte, há de se chamar à atenção pela maneira pouco ortodoxa que a organização encerrava as atividades do palco, desligando cruamente o som enquanto a música ainda rolava.
Última atração da tenda Amnesia, a dupla campineira DTC, integrante do núcleo de trance Energy Br, teve a responsabilidade de segurar a pista após uma longa noite de festa. Os DJs Dorph e TedCorr levaram consigo a VJ KK, e de acordo com a dupla, o set seria composto de "emoção, sentimento e energia" - palavras comprovadas durante a apresentação, que se estendeu das 6 às 9 da manhã. O set foi um mix perfeito de progressive, uplifting e tech-trance, e o público vibrou com faixas como "La Guitarra" (Orjan Nielsen), "Geek Love" (Heatbeat), "The Walrus" (Spunuldrich) e a clássica "Insomnia", do Faithless, em sua versão 2008. "Faithless - Insomnia 2008".

Ao final, um evento que permance seguindo um padrão de produção ainda distante da média nacional. Para melhor. Uma direção artística mais precisa, menos linear e mais interessante, seja o principal ponto a ser trabalhado para a próxima edição. Os presentes, entre 5 e 6 mil pessoas, puderam desfrutar de um bom festival e sem apertos, onde a chuva nem chegava a ser um problema.
Fotos: Gui Urban e Taylor Soares