Entenda como o savoir-faire dançante e visual do club rap é a saída para a cultura hip-hop
OPINIÃO: Se você se pergunta o porquê do rraurl dedicar esta semana ao hip-hop, e se pergunta também de que forma ele morreu (sim, morreu, mas talvez você nem saiba), vale lembrar primeiro de uma coisa essencial: esse é um dos gêneros musicais mais influentes dos nossos tempos.
Não fui eu que assinei esse hipotético atestado de óbito. Muita gente reclama, em tom assassino, de uma entressafra. Zegon, DJ e produtor, escreveu em seu blog : "o Hip Hop é a minha vida e minha maior influência , estou de luto ....
Hip Hop is Dead (R.I.P. 1979 / 200?) Estamos vivendo do passado , cadê os clássicos? Cadê as músicas feitas hoje que vamos escutar daqui a cinco anos ? (…) Estive em Austin (Texas) para o SXSW (South by South West), encontrei alguns DJs e velhos amigos do hip hop, A-Track, Klever e Craze. Todos campeões mundiais do DMC e ícones do turntablism, todos tocando hoje em dia diferentes estilos, fusões (…) Com a técnica e experiência do hip hop, mas sem barreiras (...) o undeground continua vivo, sobrevive e sempre sobreviverá (…) Meu amigo Tamempi que acha que o hip-hop não morreu, que ele apenas está de férias..." (
leia a íntegra aqui).
GET RICH OR DIE TRYING...Se o Zé, uma das sumidades brasileiras desse som, pensa assim, é porque é para refletir sobre o assunto. Tem gente de opinião mais trágica até: o Cardoso, responsável pelo genial CardosoOnLine,
matou o hip hop em 1996, antes de Sean "Puff Daddy" Combs lançar "No Way Out" e "(...) DINAMITAR de uma vez por todas o mundo do hip-hop. Pra começar, toda vez que aparecia em público, ele fazia questão de trazer pendurado ao corpo uns 300 quilos de ouro. (…) Estava criada a estética do BLING BLING. Com letras bobas e rimas fracas, Puffy ajudou a inaugurar uma nova era movida pela ganância e pela ostentação no hip-hop, que deixou de lado a sua vocação política e social e encheu os clipes de carros de luxo, diamantes e champagne. (...) O rap deixou de ser música para ser apenas visual: qualquer camarada com pinta de BANDIDO e cara de MAU só precisa gritar no microfone pra vender milhões de discos."
Zegon e Cardoso: os coveiros!

R.I.P.Bom, antes de chorar o morto, voltemos à importância do hip-hop: esse som e sua estética foram uma das grandes influências da música norte-americana no final do século passado. Até o rap, o ritmo e a poesia andavam separados - ou o cara cantava (afinado ou não, dependendo do estilo) ou declamava (e a platéia dormia, pensando estar num sarau). Quando esse som surgiu aconteceu uma revolução de mercado que se reflete hoje no top 10 de qualquer canal: tem sempre alguém tentando versar em cima de uma batida, rebolando sem parar. Mas isso não é hip-hop. Nem rap. Nem porcaria nenhuma. Esse excesso é resultado da cultura de massa americana que digeriu um dos gêneros mais criativos e dançantes e transformou-o em um pastiche onipresente.
O hip-hop morreu. Viva! Isso promete uma nova e longa vida. Depois de ter se transformado em trilha de propaganda, ícone fashion, sub-celebridade, reality show, o hip-hop renasce das próprias cinzas. Mas a parte que nos interessa nesse latifúndio atende por
CLUB RAP. Gente que cresceu ouvindo o gênero e que agora produz rima para dançar e se acabar na pista. Lembro de Mark Farina na
The Cool Kids: ser cool é o bling bling dessa galera

primeira vez que se apresentou na Freak Chic do D-Edge (junho de 2005): no auge do set ele adicionou o vocal de Method Man, (
Tical). O mano (que é mano mesmo) ficou dançante a valer.
Precisa de alguém para confirmar o hype? Que tal Busy P? Um dos cabeças do selo francês Ed Banger enlouquece toda vez que ouve Cool Kids. Antoine "Mikey Rocks" Reed e Evan "Chuck Inglish" Ingersoll vestem-se como o Run DMC e versam embalados em batidas gordas e envolventes, transitando bem em qualquer pista de dança. Do hit "Black Mags" a "Bassment Party" (que namora o electro de Bambaataa descaradamente), eis o ingresso perfeito para esse novo mundo de música negra em que dançar é mais importante do que ostentar.
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The Cool Kids - Black Mags (mp3)
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The Cool Kids - Bassment Party (mp3)
A próxima lição atende por
Old Money. É um crew que veio de NY, faz "hip-hop, club e electro" (na definição deles) e tem a mesma pegada dançante de Cool Kids. São dois MCs - Cambridge e Scheme - e Konrad, responsável por batidas fantásticas. Os remixes produzidos por eles são incríveis. Vá ao MySpace e ouça "Steve Harvey", produção própria, e Chromeo Konrad Reeeemix (assim mesmo).
Flosstradamus: estilo e boa música

A CREW É GRANDEQuem faz club rap costuma misturar todas as referências pós-anos 80. Spank Rock tem essa pegada. Oriundos da Filadélfia, são três MCs e um criativo DJ, o XXXchange. Fora as dançarinas. A música rebolante e barulhenta os levou a uma recente turnê com Santogold, tornando-se, junto com ela, queridinhos da mídia musical. Vale dizer que, apesar da moça não ser do hip-hop em si, Santi White (a Santogold) se aproxima do jeito de versar, cantar e vestir dessa turma. A estética do club rap é mais próxima do povo dos anos 80 que qualquer outra coisa e, importante, é abrangente, quase vaga. Mas a gente insiste na idéia.
Vale ouvir
Flosstradamus. O "Yeah Yeah remix" que figura também em seu myspace é uma das batidas que prometem incendiar esse fim de 2008. Ficaram conhecidos por usar um sample ultra baba em "Act A Fool" - vale rir dos clichês estabelecidos até hoje. Diz que eles vêm para a Crew de um ano. É esperar para ver.
Como Flosstradamus já é bem mais club que rap, deixo aqui mais três nomes: o primeiro é
Dizzeee Rascall, conhecido do grime, primo próximo e acelerado do hip hop. Os últimos lançamentos do inglês são surpreendentes: no vídeo de "Dance Wiv Me" (um hit de 2008) ele posa de pimp num clube inglês. E a versão que ele fez para "That's Not My Name" dos Tings Tings é de dançar no repeat até o amanhecer.
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Dizzee Rascal - That's Not My Name (Ting Tings Cover) (mp3)
Outro nome conhecido (mais pelo pop) é N.E.R.D. Já ouviu
Everybody Nose? Dançante, pegajosa, com o vocal forte de miami bass, nem dá para acreditar que é o babento do Pharrel cantando!
Finalizo com quem começou essa matéria: Zegon e seu novo projeto N.A.S.A (North América/South America). Em parceria com Squeak'n'Clean a.k.a Sam Spiegel, eles produzem um disco há mais de dois anos, que agora está pra sair e promete sacudir geral. Todo barulho é pelas participações, desde de Ol' Dirty Bastard (já morto, do Wu-Tang Clan) até Kanye West. Sem falar de Karen O, Lovefoxxx e mais um monte de gente. Não é hip hop, mas não tem como não beber nessa fonte, que é uma das maiores influências dos dois produtores.
KANYE WEST: colorido, eletrônico e multimídia, mas ainda hip hop. A salvação?

Como se preza em todo hype, vale o alerta: caso o sucesso estrondoso bata a porta, que ninguém dessa turma se perca no caminho do sucesso banal, da ostentação ou da nulidade criativa. Não tem problema balançar seu ouro na câmera, mas faça isso junto com boa música, com originalidade. O excesso do gangsta rap e do hip-hop meloso hoje é a falta de criatividade e a produção em massa de fórmulas que preenchem nichos do mercado. Vale essa dica quando o próprio Pharrel, citado aqui, tem uma linha de roupas intitulada Billionaire Boyz Club.
Mas o bom (e o boom) do club rap é o caminho inverso tomado rumo à uma atmosfera de festa, dançante e cheia de estilo (a estética, lembra?); a um
savoir faire mais alternativo e
cool - um bom exemplo é o rumo que o popularíssimo Kanye West tomou em direção à estética visual dos franceses do Daft Punk e da Ed Banger. Isso significa versatilidade e boa música, e a gente sabe que dá pra confiar nessa galera na hora de se reinventar.
É por essas e outras que eu tenho certeza que o hip-hop não morre jamais...
Imagina a decepção de um cara que escuta -Public Enemy-Gran Master Flash-Kirts Blow-De la Soul entre outros.. ai resolve ir numa "BALADA BLACK" doi a alma até escrever isso...rsrsr.. Foi decepção de chorar.. coisa horrivel...!!! detesto rotulos mais acabei colocando um.... aquilo pra mim é BLACK PRA BRANQUELO hahahahhaha!!!!
Tem muita coisa interessante pro lado da Europa hêm.... ROOTS MANUVA é um dos que mais gosto... procurem quem não conhece..!!!
Abraço..
Quais serão os clássicos de hoje daqui a 5 anos?
Eles existirão mas pra uma pequena parcela de pessoas,
isso é segmentação (cada vez maior), isso é last fm, mp3, you tube, facebook...
O problema é que na ânsia de causar polêmica alguns veiculos de comuniação (leia-se algumas pessoas tbm) querem acabar com estilos, empurrar goela abaixo o novo hype e por ai vai
O melhor disso tudo é que hoje quem está construindo seu gosto pessoal é o próprio individuo, que tem o mundo na tela de um computador e só aceita ser manipulado se quiser.
"Música Rap não é Hip-Hop! Rap é algo que você faz e Hip-Hop é algo que vc vive!" (KRS One)
A Cultura Hip-Hop e cada um de seus elementos estão muito vivos!
numa época onde o descartável é regra, isso será praticamente impossível em qq estilo musical.
e outra, proclamar a morte de determinado estilo ainda dá pauta?! pelamordedeus! mataram o rock 50 vezes a disco outras tantas e o drum n bass foi morto pelo rraurl a
2 semanas atras. vamos mudar o disco patota, estamos numa época em que tudo se fundiu (ainda bem!) e nao adianta ficar questionando o sexo dos anjos. boa musica é boa música. ponto. e se houve um momento em que essa matéria foi pertinente, foi quando o cardoso (gente finíssima) a publicou a mais de 10 anos atrás.
buongiorno ;]