TIM Festival - Rio de Janeiro (26/out)
Cate Le Bon do Neon Neon
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ficha técnica
Nota: 4 / 5
Ano: 2008
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TIM Festival - Rio de Janeiro (26/out)
Em clima de festa, até a organização sambou. Atrasos chegaram a mais de noventa minutos
27.10.08 17:15
Meia boca. Esse era o comentário geral no pátio externo a respeito da escalação deste ano do TIM festival antes do inicio dos shows do ultimo dia da edição carioca. O line-up "excêntrico", somado a ingressos caros, não foi convidativo e afastou o público carioca. Era consenso que com as atrações de 2008, seria muito mais interessante reunir todos num único dia de evento.

Às 21h30 de sábado, a Marina da Glória ainda recebia um pequeno número de pessoas para o terceiro dia de shows. Do lado de fora, cambistas desanimados vendiam ingressos por até um terço do valor original da bilheteria. E ao contrário do dia anterior o público era bem menos heterogêneo e as filas dos bares externos não eram um drama.

Porém, ao longo da noite a atmosfera já não era a mesma. Muita gente circulando entre os quatro palcos montados para o TIM Festa. Os ingressos mais acessíveis com livre circulação por todas as atrações acabaram ajudando a encher a casa e dar um gás no encerramento de mais um ano de festival

NEON NEON
NOVAS RAVES
NOTA: 3.5

Pouco depois das 22h a tenda estava bem vazia, mas o público parecia totalmente disponível para se divertir, e recebeu ainda um pouco desconfiado o projeto/conceito de Gruff Rhys e Boom Bip. Tocando músicas do bom álbum Stainless Style, o Neon Neon precisou ganhar do som baixo e das conversas paralelas dentro da tenda do Palco 1.

Gruff Rhys
Gruff Rhys
Mas eles até que se saíram bem. De leve os presentes foram se entregando ao clima saudosista de batidas eletrônicas reverberadas e videografia cheia de referências oitentistas (muitas vezes era difícil parar de olhar para as seqüências de imagem projetadas ao lado do palco). Em "I Told Her on Alderaan", terceira música do set, o que antes eram grupos dispersos próximos ao bar já formavam um publico atento, mas ainda tímido em frente ao palco.

Durante "I Lust U" o publico arriscava passinhos de matinê, aproveitando alguns espaços que ainda havia na pista, mesmo que menores. E na deliciosa"Belfast" (música que não entrou no set paulista), Cate Le Bon empunhou um Keytar (guitarra+teclado), instrumento-ícone dos anos 80 para delírio dos mais atentos.

O show seguiu morno, mas simpático, até que a já esperada entrada de Har Mar Superstar, anunciado como o "futuro presidente dos Estados Unidos da América!". O figuraça que no Rio já havia se juntado ao The National e MGMT ostentava uma babylook dos Menudos e luvas douradas para cantar "Trick for Treat". Gritaria e muitas risadas com a performance sexy e acrobática" daquele que muitos chamaram de dono do TIM Festival 2008.

Dali até o final ele correu, plantou bananeira, monopolizou os olhares em "Sweat Shop" e foi responsável por uma virada na apresentação dos ingleses. O show de 40 minutos terminou em clima de festa no palco com "Stainless Style" e uma galera satisfeita com um bom warm up. Mas não se pode dizer que foi mais que isso.


KLAXONS
NOVAS RAVES
NOTA: 4.5

23h40, quando a vinheta do festival começou a tocar, já havia algo em torno de três mil pessoas esperando o inicio do show do Klaxons. Correu um boato de que a entrada havia sido liberada mesmo para quem não tinha comprado ingressos para esta apresentação, já que em pouco tempo cresceu consideravelmente o número de pessoas lá dentro. Quando os rapazes entraram no palco, muitos aplausos e ansiedade dos presentes na espera de um show que fizesse a diferença num ano com line up sem maiores surpresas.

James
James
Depois de quase três anos tocando o mesmo repertório, Jamie Reynolds (baixo e vocal), James Righton (teclado), Simon Taylor-Davis (guitarra) e Steffan Halperin (bateria) mantiveram a energia acesa ao apresentar seu CD de estréia, Myths of the Near Future, para os cariocas.

A primeira linha em frente ao palco era formada majoritariamente por adolescentes descoladas que soltavam gritinhos teen como num show do Paramore. Mas logo atrás, cerca de mil e quinhentas pessoas realmente estavam ali para cantar junto as músicas e aproveitar a vibração que a banda trouxe consigo. Frases em português, pedidos de palmas prontamente respondidos, muitos sorrisos e agradecimentos. Mr Lovefoxx (Simon, o guitarrista e noivo da cantora da banda CSS) muito inspirado, não parou um só segundo.

Um pouco mais atrás, a outra metade dos presentes, permanecia em clima de avaliação coletiva do que estava por trás de todo o hype que deu a banda inglesa ao Mercury Prize 2007. O show durou cerca de uma hora e não teve novidades com relação ao da edição paulista do festival. Hits como "Atlantis to Interzone", "Golden Skans", "Magick" e Not Over Yet" (esta no bis) fizeram a alegria da galera que cantou junto e mostrou o vigor das músicas do Klaxons ao vivo, uma de suas marcas.

Outros momentos, mesmo que menos empolgantes, também rechearam a excelente performance dos ingleses como em "As Above, So Below" e "Two Receivers". E assim em São Paulo, o que realmente não decolou foram as faixas do próximo disco com previsão de lançamento para o início do próximo ano, como "Moonhead" e "Calm Trees".

Sr. Lovefoxxx
Sr. Lovefoxxx


No encerramento, o arroz e estrela máxima do TIM, Har Mar Superstar, voltou ao palco. Só que que dessa vez SÓ de cueca para cantar "Four Horsemen", que ainda contou com a presença de Rodrigo Gorky (DJ do Bonde do Rolê) pulando de um lado para o outro do palco.


GOGOL BORDELLO
TIM FESTA
NOTA: 4

Única atração do TIM Festa a começar no horário (pouco depois da uma da manhã), a banda Gogol Bordello e seu punk-cigano levou o maior público de um único show. Com o atraso nos outros espaços do evento e a curiosidade gerada pelos comentários sobre as excentricidades do recém-carioca Eugene Hütz, a tenda do palco 1 montada na Marina da Glória ficou lotada e presenciou uma verdadeira micareta dos Balcãs, por mais que a banda seja multi-nacional, dos EUA à Ucrânia.

Eugene
Eugene Hutz


Sem parar um só minuto e acompanhado pelo violinista que mais parecia ter saído de um desenho da Disney sobre piratas, duas backing vocals com roupa de ginástica que corriam sem parar. O público abriu rodas, armou uma grande quadrilha de festa junina, cantou junto (na medida do possível) e se acabou durante cerca uma hora ao som de musicas como "Wonderlust King" e "American Wedding" de seu ultimo disco, Super Taranta! (2007) e "Not a crime" de Gypsy Punks: Underdog World Strike (2005).

Por Henrique Sauer

Como qualquer show no Rio já era de se esperar algum atraso, mas não os trocentos atrasos consecutivos e cumulativos ocorridos ao longo do TIM Festa neste sábado. Artistas subiam ao palco, raras exceções, com uma hora, uma hora e meia de atraso visivelmente chateados. Desorganização e descaso com o público foram as palavras-chave do evento.

Com os inúmeros atrasos, cobrir o TIM Festa aka Itaipava Fest se tornou uma complicada missão. Muitos shows/gigs foram atrasando demais, truncando a programação de todo o evento. Em um dado momento estavam se apresentando, simultaneamente, DJ Yoda com seu Cinema Show, Dan Deacon e Database terminando seu gig para a entrada do furacão mais que 2000 de Sany Pitbull.

A desorganização era enorme e irritava qualquer um que por lá estivesse. Era impossível ficar tranqüilo em meio a tanta desordem e ter de perguntar inúmeras vezes para alguém da produção que horas começaria este ou aquele show e, ainda assim, não ter certeza se seria como o informado ou se o atraso se estenderia ainda mais. A melhor solução? Era ver por si mesmo, ou seja, correria em cima de correria para poder assistir ao desejado.

MÚSICA MAGNETA
DEPOIS DE GOGOL BORDELLO TODOS OS GATOS SÃO PARDOS
Nota: 3


Embora estivesse na programação do evento a apresentação de DJ Dolores, ele na verdade faria a introdução do projeto Música Magneta, a trazer um pouco do "tecnobrega" paraense para o palco do TIM. E com uma enorme responsabilidade: a de manter o público animado e interessado depois da impressionante, e mais que animada, non-stop apresentação de Gogol Bordello. Conseguiram, de certa forma.

A apresentação do Música Magneta tem o valor de análise antropológica pela mistura de ritmos bem tropicais com guitarras e beats da eletrônica. Um carimbó elétrico, um forte apelo popular, um pedaço do Norte e lembranças do mais novo álbum de Dolores (o malemolente 1 Real)." No mínimo curioso o dito som! No palco muitas cores, mas o som era um tanto entediante apesar da diversão dançante e popular. Vale pelo resgate das tradições do Pará, vale pelo sabor de reedição do Carimbó, vale como miscelânea musical. Não posso me estender mais, afinal sai de lá correndo para terminar de ouvir o Database e o Sany Pitbull na sequência.

DATABASE
ATRASO DE QUASE UMA HORA E QUARENTA NÃO AFUGENTOU O PÚBLICO
Nota: 3.5


A gig do Database começou pouco antes do final do morno Junior Boys na área de convivência do TIM, o TIM Village, no centro do evento. Lá estavam Lúcio Morais e Yuri Chix no palco com laptop e controladores em riste.

Database
Database


O set dos moçoilos foi seguro e previsível, embora o povo não parasse de dançar. Do electro e maximal ao blog house, com pitadas de disco em mixagens suaves. Houve alguns momentos inspirados, como a descontraída versão de Billy Jean e a brincadeira tech-house com um edit de Stardust e sua "Music Sounds Better With You." No mais a interação público/artista foi mínima, talvez impressionados pela arena que se estendia diante deles com pessoas advindas de outros shows/gigs, que fazia do Village um ponto de encontro descontraído. Quer seja pelo repertório "pop" para os parâmetros nightclub, quer seja pelas edições divertidas, quer seja por seus ugly edits, Database, não impressionou, mas deu o seu recado.

DJ YODA (Yoda's Cinema Show)
TUDO JUNTO AO MESMO TEMPO AGORA!
Nota: 4.8


DJ Yoda sobe ao palco pouco depois das 03h10 quando na verdade estava previsto que seu set começaria 01h30. O descaso era tamanho que, a essa altura, já não importava mais, mas por conta do tal atraso Yoda perdeu grande parte do público e um pouco de seu brilho. Além disso, o palco 3 ficava em um cantão escondido próximo ao mar que, com o Database tocando, ficava difícil imaginar as pessoas saindo da fórmula divertida dos paulistas para experimentar algo completamente diferente como o set do Yoda.

Quando cheguei por lá tinha uns poucos minutos que havia começado, e no telão estava uma senhora idosa sorrindo em um tutorial de mixagem com mk2 e mixer, já mostram o que esperar. E realmente foi um show! Imagens combinando com o que se ouvia, como o momento "Block Rockin' Beats" dos Chemical Brothers com o tema de Rocky Balboa, ou Marvin Gaye com Garand Master Flash, ou ainda o Elmo da Vila Sésamo apresentando Run DMC. Um show para ver e ouvir, técnicas apuradas e bons cortes mostravam a que veio o DJ. Acredito que o aconteceu do show do Yoda por aqui não tenha sido muito diferente do que o foi em São Paulo. O único senão tenha sido, talvez, o excesso de cortes nas músicas que acabava por quebrar o clima de alguns momentos. No mais: o show de Yoda não pode parar!


SWITCH
DAVE TAYLOR SAMBA, MAS NÃO DEIXA A PETECA CAIR
NOTA: 3.2


Switch
Switch
Logo depois das 4h e de Yoda é a vez de Switch tocar no Palco 2. Tímido, mas muito corerente nas mixagens, Switch, não surpreende fazendo uma set razoável, pouco audacioso e seguro. Com o lugar vazio deu início a um set que variou do minimal ao dubstep. Devagar e sempre!

Sem muito enfeitar e mixando duas, três músicas com alguma rapidez nas passagens, ele colocou as poucas pessoas presentes para dançar. O destaque foi a passagem em que juntou Marc Houle ("Techno Vocals") com dubstep. Impecável a passagem, mas pena a sambada feia que ele deu logo em seguida. Uma pena! Em tempo, acho que foi o gig que mais sofreu com os atrasos da noite, pois estava simplesmente impossível competir com Sany Pitbull acabando com tudo no TIM Village. Set previsível, contido e um pouco frio, Switch, é para clubinhos e só!

SANY PITBULL
MPC 1000 OU FURACÃO PARA LÁ DE 2000? SANY PITBULL PÕE O TIM EM CHAMAS
Nota: 4.5


Assim que chega em frente aos CDJ 1000 e sua MPC, Sany Pitbull pega o microfone após rápida mixagem e diz: "Vamos começar a brincadeira!" Com 20 anos atrás das pick ups e um bom tempo nas produções ele faz tudo parecer fácil demais de ser feito. Cuts, loops, controle de beat e, claro, seu "brinquedinho", não deixam um único corpo parado. O baile Funk começou!

O repertório de Sany Pitbull é vastíssimo e sua habilidade em mixar são impressionantes. Logo de cara "Sweet Dreams" (Eurythmics) com pancadão, depois Bonde do Rinoceronte com minimal; e na seqüência "Money For Nothing" dos Dire Straits! Foi exatamente como ele disse: "...o negócio é misturar rock, hip hop, funk, techno." Acompanhado de Leandro HBL para filmá-lo, ele fez questão de pegar o microfone e falar com o povo, embora esse hábito não seja comum na clubelândia, só em bailes funk. E, nesse ponto, Sany, estava em casa. Muito funk antigo depois que ele viu como o povo queria "funkear" do jeito carioca mesmo - via-se que ele estava feliz por estar ali.

Teve momento de Nirvana com funk, Green Velvet com "Rap das Armas" e a farofa de "Sweet Child O' Mine" dos Guns N' Roses com "Satisfaction" do Benny Benassi. No final, um remix dele mesmo de "Rehab" (Amy) feito por um funk bem 50s. Como já era quase 06 da manhã, Sany lembra da eleição para prefeito no Rio e propagandeia em favor de Gabeira. Que por sinal perdeu.

Por Catarina Liarth

Fotos: Marcia Feitosa/FOTOCOM.NET e Nina Lima/FOTOCOM.NET

Henrique Sauer
Henrique Sauer
Catarina Liarth
Catarina Liarth