Saiba a relevância desse produtor inglês, que é gótico e bass culture ao mesmo tempo
Sam Shackleton vive no Reino Unido, mas já morou em países como Turquia e Hungria. Seu som é bem percussivo e lembra instrumentos típicos da cultura dos Balcãs. Esse artista misterioso também aprecia música jamaicana, particularmente dub e dancehall. O grave de suas produções, quando tocado num bom sound system, é algo que chama atenção. No entanto, tudo isso não seria o suficiente para que seu trabalho fosse considerado relevante, não é mesmo? A pergunta que fica é a seguinte: o que faz de Shackleton uma figura tão especial, principalmente agora em 2008?
A chave para entender a relevância de Shackleton está na sua atitude com relação à música, sua postura como alguém que fabrica sonoridades distintas, sem compromisso com normas ou padrões de produção. Ele definitivamente não está nem aí para as barreiras imaginárias que dividem BPMs diferentes. Se nos primeiros títulos da Skull suas produções giravam em torno de 141 BPM, hoje ele assina faixas que podem chegar à 120 BPM sem o menor pudor.
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Shackleton - "I Am Animal"
Shackleton não tem MySpace e, infelizmente, raramente se apresenta ao vivo. Um registro do seu live PA pode ser conferido no
podcast da revista The Wire e um mix com produções do seu selo,
o Skull Disco, pode ser encontrado no seu site.
Em 2006 Shackleton lançou um EP chamado
Soundboy's Nuts Get Ground Up Proper. Nele a faixa "Blood On My Hands" trazia vocais fantasmagóricos, inspirados na obra
Paraíso Perdido de Milton.
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Shackleton - "Blood On My Hands""When I see the towers fall,
It cannot be denied that,
As a spectacle,
It is a realisation of the mind.
You see, I'm standing on a mountain top
And letting out a scream,
It's the language of the earth,
It is the language of the beasts.
There's no point to look behind us,
We left the corpse behind,
Because flesh is weak and forms break down.
They cannot last forever."
"Blood On My Hands" por Shackleton
Depois que
Ricardo Villalobos remixou "Blood On My Hands" em 2007, Shackleton deixou o gueto para ganhar o mundo. O remix atraiu a atenção de um público maior e mais amplo. Antes disso Shackleton era apenas mais um produtor "estranho" na cena underground britânicam, com faixas que até haviam conquistado algum espaço, mas nada tão súbito quanto o buzz gerado depois da parceria com Villalobos. Na seqüência o artista foi convocado para remixar Pole e Simian Mobile Disco, além de lançar pelo já estabelecido Crosstown Rebels, de Damian Lazarus. Isso sem contar sua presença em CDs como o
Steppas Delight (Soul Jazz), o
Disco Invaders da Coccon de Sven Väth, o
Masterpiece pelo Ministry Of Sound, mixado por Francois K, DJ este que vem investido num approach no dub em suas festas de Nova York. Como dub é sinônimo de bass, Francois escalar Shackleton foi algo natural.
Claro que há todo o mistério, algo que já aconteceu em torno de Burial. Mas quando se fala em Shackleton o que conta é a identidade sonora e a consistência de seu trabalho como um todo, principalmente agora em 2008, que ele se tornou relevante como nunca e apareceu em diversos lançamentos. Vamos a eles.
Death Is Not Final (12", Skull Disco)Nono título do Skull Disco, esse vinil traz a faixa "Death Is Not Final" no lado A e um remix da mesma por Torsten Pröfrock (T++) no lado B.
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Shackleton - "Death Is Not Final"El Din (10", Mordant Music)Mais uma faixa de Shackleton e seu inconfundível arcabouço sonoro pelo Mordant Music de Ian Hicks (Baron Mordant) e Gary Mills (Admiral Greyscale).
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Shackleton - "El Din"Reminissin' Remix (12", Berkane Sol)Versão assombrada de Shackleton para a faixa de Geiom, com vocais de Marita.
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Geiom feat. Marita - "Reminissin' (Shackleton Remix)"Shortwave e You Bring Me Down Remixes (12", Scape)Pole e Peverelist produzem suas versões para dois sons de Shackleton. Berlim e Bristol encontram Londres.
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Shackleton - "Shortwave (Pole Remix)"Steingarten Remix (12", Scape)A faixa "Achterbahn" de Pole ganha o toque de Shackleton.
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Pole - "Achterbahn (Shackleton Remix)"Vasco EP Part 1 (2x12", Perlon)Shackleton remixa "Minimoonstar" de Ricardo Villalobos nesse double pack pelo aclamado Perlon.
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Ricardo Villalobos - "Minimoonstar (Shackleton Remix)"Soundboy's Suicide Note (12", Skull Disco)Útlimo título do Skull Disco? Alguns já especulam essa possibilidade.
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Shackleton feat. Tenfold Vengeance - "The Rope Tightens"Então seria Shackleton a nova cara da world music? Se isso faz sentido, provavelmente não é algo que o artista tenha premeditado. Sua atitude sugere a livre expressão em constante transformação e não a busca por um formato rígido e hermético, difícil de se prender a gêneros. Shackleton soa tão gótico quanto Dead Can Dance e tão claustrofóbico quanto King Tubby. Sua perspectiva sonora é atual e embora seja baseada na simplicidade e na falta de uma complexidade deliberada, passa longe do comum ou do mundano.
http://www.tranquera.org/2008/11/05/skull-disco-prepara-cd-duplo
Pode ser que alguns remixes apareçam em white label no futuro... Mas... O selo mesmo... Já era...
por alguma razao
me lembrou muita coisa ligada a EBMs
i really like it...