Um dos principais produtores da nova safra brasileira fala sobre seus projetos atuais
Adubando. Esse é um dos verbos utilizados por Buguinha Dub para se referir ao seu trabalho. Além de fazer um jogo de palavras com o ritmo dub - adubar, no sentido de fomentar, incrementar, é o que ele tem feito na cena musical brasileira nos últimos anos.
Buguinha começou trabalhando no estúdio de seu pai em Recife. Dali, começou a trabalhar com bandas da cena manguebit e mais tarde com artistas conhecidos nacionalmente. Na entrevista a seguir, ele conta como foi mixar ao vivo a gravação de um show no Sesc Pompéia, quais seus projetos atuais e como começou a carreira.
Conte um pouco como foi articular o projeto da mixagem ao vivo no Sesc Pompéia. Que tipo de equipamento foi necessário, quem colaborou, de onde veio essa técnica e o que você achou do resultado?Nêgo, foi coisa de louco mesmo. Usei vários equipamentos analógicos como space echo, chorus echo, reverbes de molas, um gravador multi track de 16 canais, um polegada tascan - as velharias que tem dão os timbres e texturas da dub music.
Usei também um sistema Pro Tools de backup. Caso desse ‘pau' na fita ia rolar o digital. Mas deu tudo certo. A concepção e elaboração do projeto foi minha. Essa técnica é comum nos estúdios, mas ao vivo nunca ouvimos falar.
Diferentemente do estúdio, que você tem tempo pra arrumar e lapidar as produções, ao vivo era "pá e já era", passou. Sem essa de voltar para arrumar. Fiquei sabendo das versões que as bandas (Mundo Livre S/A, Eddie e Lucas Santtana) iam tocar no camarim, antes do show. Não teve ensaio, foi pura ousadia. Acho que nem foi uma das melhores adubadas da minha vida.
Você já trabalhou com diversos artistas brasileiros. Gostaria que você citasse quais e como é trabalhar com músicos de estilos tão diferentes?Trabalhei com o Mundo Livre S/A no começo do manguebit, em 1995. Com a Nação Zummbi estou desde 1999. Com os Racionais MC's de 2002 a 2007. Também trabalhei com o Cordel do Fogo Encantado e com o Natiruts. Como frila já trabalhei com Ultraje a Rigor, Capital Inicial e Rodox. Atualmente também trabalho com o Instituto, com o Siba, como 3 na Massa e o Maquinado.
Trabalhar com estilos diferente é bom pra você ver que a música não tem fronteiras e que há espaço para todas. Também serve pra você se encontrar e ver qual estilo você se encaixa. No meu caso fiquei com o mangue e outros como Instituto, Racionais - onde os graves têm que bombar! Quando o assunto é grave, é melhor chamar Buguinha Dub.
Como você entrou na carreira de produção de som? Seu pai também é produtor, não é?Meu pai não é produtor, mas foi dono de um sistema de som onde me criei: o Buga Som. Fui construindo as caixas, soldando os falantes, carregando as coisas, e, você sabe, a carreira de produtor foi inevitável. Comerçou mesmo em 2002 com o segundo CD do Cordel do Fogo Encantado. Eu sempre estava nas gravações do Mundo Livre, daí vi muitos produtores trabalhando - Miranda, Bid, Scott Hardy, Beto Machado, Edu K, Apollo - e fui aprendendo.
Quais seus projetos atuais e o que ainda está por vir?Terminei o novo disco da banda Eddie, e meu CD saiu agora. Estou na produção do Alfazema, Autônomo e Afrobombas e muitas faixas pra adubar (versões dub). Tem uma pilha de CD aqui pra adubar de artistas nacionais e gringos - tem gente do Japão, Portugal e Inglaterra.
Que sons você recomenda para a galera?Recomendo o meu CD
Vitrola Adubada a Academia da Berlinda, Eddie, Orquestra Contemporânea de Olinda, O Conde do Brega, Catarina de Jah, Digital Dub, Pitchu, Rocks Contro, Lucas Santana (esse é a obra prima do dub brazuca), Curumim... Vixe tem tantos.
VITROLA ADUBADA
pra quem não conhece, realmente vale a pena conferir.
e um beijo pro conde do brega :*
"porque meu bem, ninguém é perfeito e a vida é assim"
Parabéns mesmo pela pauta. Ele citou o Pitshú... quem não ouviu, vale no mínimo pelo exotismo do som... É um angolano que vive em SP e canta em português, francês e dialetos africanos. Foda!