Uma visita ao Universo Paralello
A virada do ano em Pratigi com muitos lasers e olhinhos virando
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Universo Paralello 2006/2007
12.01.07 20:40
Universo Paralello 2006/2007
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Uma visita ao Universo Paralello
Confira o que mais nos agradou no festival baiano que contou com Rinkadink, Lutzenkirchen, Protoculture e muito sol
10.01.07 19:30
Sete dias de muita música e banhos frios com água mal-cheirosa do mangue. O festival de cultura alternativa Universo Paralello chegou à sua sétima edição nessa virada de ano levando cerca de sete mil pessoas para as areias da paradisíaca praia de Pratigí.

Com tantos sets, lives e apresentações de todo o tipo de música (eletrônica ou não), fizemos um apanhado do que mais nos chamou a atenção e mais nos divertiu nesses sete dias sem relógio, sem TV, e um pouquinho fora da realidade.

Primeiras impressões
Logo que chegamos na portaria da propriedade onde é realizado o evento, último lugar onde pudemos usar um banheiro de alvenaria durante toda a semana, já dava pra ver a fila do pessoal que esperava para pegar uma carona no pau-de-arara. Por R$ 20 você se amontoava na caçamba de um caminhão que te levava por seis quilômetros em uma estrada de terra até a entrada da festa.

Chegando lá, mais fila. Dessa vez sob o sol do meio-dia baiano, esperamos meia-hora enquanto os seguranças vasculhavam as bagagens atrás de bebidas alcoólicas. Sobrou gente adulterando garrafas de água e tentando convencer que na verdade a birita era suco.

Vencido o perrengue da chegada, finalmente deu pra conhecer a tão falada infra-estrutura do Universo Paralello. A área do festival é realmente enorme. Além de quatro pistas (no último dia descobrimos uma pista menor que as outras onde qualquer um podia levar seu case para fazer um set sem compromisso), havia também uma grande praça de alimentação com todo tipo de comida, de yakissoba a acarajé. A chamada "Feira Mix" tinha lojas que vendiam de malabares a bonés do MST (havia uma loja exclusiva do movimento lá). Havia uma barraca de redução de danos onde dava até para testar ecstasy, tudo com apoio do Ministério da Saúde. Um espaço recreativo entretia as crianças (que são figuras correntes no festival) e tinha ainda cinema improvisado, cozinha comunitária e até salão de cabelereiro com água mineral.

Pista alternativa
As primeiras caixas de som a fazer barulho foram as da pista alternativa. Ali se ouviu breakbeat, electro cabeçudo, electro-house hiteiro de Tobias Lutzenkirchen, full-on de gente como Audio-X e Vibra, e shows diversos.

Surpreendentemente, os momentos em que a pista ficou mais lotada foram em shows que pouco ou nada tinham a ver com música eletrônica. A banda hippie mineira Ventania arrastou, com seu rock viajandão, uma multidão de gente carregando bandeiras enormes com o símbolo da paz e fez todo mundo cantar junto letras que falam sobre cogumelos e similares.

O fantástico show instrumental da banda Pedra Branca, que abriu o palco da Tribe no Skol Beats 2006, foi um dos pontos altos da pista e encheu o lugar de gente fumando narguilé e meninas fazendo a dança do ventre.

Durante o show, cheio de sítaras e percussão calminha, uma das chuvas mais fortes do festival caiu sobre Pratigi, mas mesmo assim deu pra se espremer sob a cobertura ou simplesmente ignorar o aguaceiro para ouvir o som fino e os samples inusitados do grupo.

Wrecked Machines mantendo o povo de pé no último dia de música
Wrecked Machines mantendo o povo de pé no último dia de música

Pista Principal
O centro da ação do festival abriu no dia 29 com atraso de 1h40, e lá pelas 10h o povo que esperava sentado a música começar pôde levantar ao som do brasileiro Caramaschi.

Localizada no canto direito da praia, a pista principal recebeu os nomes mais estrelados do line-up como os sul-africanos Rinkadink, Protoculture, o francês Polaris e o dinamarquês Emok. Teve DJ de trance e house progressivo, electro-house, full-on e darkeiras com BPM lá em cima que chegavam a assustar.

A decoração contava com armações de bambu, cataventos luminosos que mostravam se vinha chuva ou não e espirais fluorescentes. Faltou mais cobertura para o sol que fez alguns dias, e os borrifadores de água instalados nas estruturas deixaram a desejar.

Foi ali que aconteceu a virada de ano no festival. Na noite do dia 31 teve muito laser, estouro de fogos, performances e muita champagne. Nem é preciso dizer que o pessoal estava daquele jeito que o diabo gosta.

Logo nos primeiros minutos de 2007 as caixas soltaram o baixo nervoso do live do inglês AMD, full-on que começou a madrugada mais concorrida e fervida do festival. Os lives do italiano Etnica, seguido de Polaris, Rinkadink e Protoculture foram sem dúvida a seqüência mais especial do line-up. Basslines frenéticos e performaces surtadas atrás dos synths e laptops marcaram a madrugada que contou ainda com uma chuva fria de deixar careta.

Nos dias seguintes, destacou-se a apresentação do brasileiro Wrecked Machines que, no último dia de música, ainda conseguiu fazer muita gente dançar ao som das óbvias "Face It" (que sampleia "Technologic", do Daft Punk), "Rounders" (parceria com o holandês GMS), "Enjoy the Silence" (remix para Depeche Mode) e "Out Loud" (do alemão X-Noize). Atrás do palco formou até fila das tietes que queriam tirar foto com o Gabe.

O line-up confuso muitas vezes não ajudou. No dia 31, por exemplo, DJs de electro-house como o mexicano Kore alternaram com lives de full-on, deixando muita gente com cara de quem não estava entendendo nada.

Vale destacar também o live super-sombrio do alemão Naked Tourist e os membros do cast do selo de progressive Iboga, que esteve em peso no festival. Ace Ventura, Freq, e o próprio Emok, dono do label.

Saudades desse chill-out...
Saudades desse chill-out...

Chill-Out
Muitas esteiras, redes que poderiam estar na minha casa, line-up variado e lugar certo para encontrar as figuras mais exóticas do festival. Instalado de frente pra praia, no meio do caminho entre a entrada e a pista alternativa, o chill-out do Universo Paralello não poderia ficar sem um espaço nesse review, principalmente depois das várias tardes olhando pro mar ao som de MPB ou trip hop.

Ouvimos muito ambient, nu jazz e Massive Attack. Entre alguns dos nomes mais conhecidos do público que freqüenta raves, teve os lives dos paulistas Cine Mad in Chaos e Trotter, sets de gringos como o inglês Jon Sangita e o francês Frederico Baltimore.

Fizesse chuva ou sol, o lugar estava movimentado. Rodas de dreadlockers gringos falando baixo, gente chapada de ácido orquestrando os sets dos DJs ou pessoas cansadas de ferver na pista.

Voltando à realidade
Mesmo com a grande distância entre Ituberá e São Paulo (encaramos 30 horas de ônibus), as filas da chegada e da partida, os preços salgados e banhos frios, o Universo Paralello foi uma escolha mais que acertada para o fim de ano. Já no segundo dia deu pra esquecer fácil qualquer perrengue e curtir a praia, a música e o sol baiano.

Longe do que muita gente imaginou quando contamos que passaríamos o reveillon lá, não foram sete dias de ferveção ininterrupta. Deu pra aproveitar bem mais que isso, com direito a filminho na madrugada e dormir na praia até ser acordado pela garoa.

Tudo isso somado à alguns banhos de água salgada garantiram uma entrada em 2007 com a alma lavada, mesmo sem poder pagar R$60 na massagem energizante que ofereciam por lá.

fotos: Renata Macedo

Marcus Vinícius Brasil e Renata Macedo

Marcus Vinícius Brasil e Renata Macedo
Marcus Vinícius Brasil e Renata Macedo
comentários
Marcelo Andrade
Marcelo Andrade(13.01.07)
0AprovadoQueima
Sobre a reportagem "Uma visita ao Universo Paralello..." de que "....Havia uma barraca de redução de danos onde dava até para testar ecstasy, tudo com apoio do Ministério da Saúde". Vale informar de que a realização de bioteste foi somente para demonstração durante o workshop 'Balas e Doces' fazia parte do projeto de ação global do Coletivo Balance de Redução de Danos no UP 7 que conta com o apoio do CETAD (Centro de Estudos e Tratamento ao Abuso de Drogas) e o do GIESP (Grupo Interdisciplinar de Estudos sobre Substâncias Psicoativas (SPAs) da UFBA. Retifica-se em tempo que ações de reduções de danos são apoiadas pela SENAD (Secretária Nacional Anti-Drogas) e também pelo Ministério da Saúde, contudo a ação do BaLaNcE no UP 7 não era um projeto do MS (Ministério da Saúde), mas sim fruto de uma parceria entre o Coletivo Balance de Redução de Danos e o CircuLou, bem como participamos do Circulo Solidário (projeto social desenvolvido pelo CircuLou e UP 7 desenvolvido na cidade de Ituberá e no distrito de Jatimame. Além de a pauta do ?Cinema Paralello? que rolou na noite do dia 28/12/06 sobre SPAs, do workshop sobre drogas, direitos humanos, legislação sobre drogas, cidadania, usuários de SPAs ilícitas e conflitos com a lei, o Coletivo Balance distribui durante o UP 7 insumos (preservativos) com a intenção de reduzir danos ? contaminação de DST/SIDA; e cards de redução de danos em virtude do uso de pastilhas (substâncias associadas ao ecstasy), lisérgicos (LSD-25) e álcool ? e trabalhamos associados ao SOS energético e ao Círculo de CUra, junto à equipe do posto de saúde no atendimento e gerenciamento de situações de crise associados ao uso de SPAs.
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=19529688