Joakim se desmente e afirma: "Eu AMO acid house"
Com cara de quem perdeu um álbum por falta de back-up
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Joakim se desmente e afirma: "Eu AMO acid house"
O famoso produtor francês fala sobre seu novo álbum, a perda de seus arquivos e a explosão criativa em seu país
09.04.07 22:30
O produtor francês de electro-house Joakim é uma das figuras mais conhecidas em Paris, apesar de admitir que ser reconhecido não é tudo.

"Acho que sou mais conhecido na França do que em outros lugares porque não há muitos produtores aqui. Por outro lado, as pessoas não me pedem para fazer muitos projetos aqui, comparado com lugares como Inglaterra", ele pondera.

"Por exemplo, pedidos de remixes sempre vêm do Reino Unido, Alemanha ou dos Estados Unidos. Acho que é porque apesar de mais pessoas me conhecerem na França, poucos franceses gostam do que eu faço".

Joakim conversou com o rraurl.com para promover seu novo album, Monsters & Silly Songs (além de um monte de outros projetos simultâneos incluindo sua nova banda, a Ectoplasmic Band). Ele está animado com sua vida e com o disco, o que é impressionante, já que ele perdeu todo seu trabalho quando seu computador deu um pau dos infernos no ano passado.

"Foi horrivel", diz, "Tentei de tudo para recuperar meus arquivos. Tentei diferentes pessoas e companhias especializadas até o momento que percebi que era impossível. Eu cheguei até um ponto em que poderia ser possível recuperar os arquivos sem nomes, apenas em números. Achei que fosse possível montar o quebra cabeça depois, mas no final eu desisti e comecei tudo do zero".

"Eu tentei recuperá-los por duas semanas mas já estava muito atrasado. Quando os perdi já fazia um ano que estava falando para as pessoas 'sim, estou quase terminando meu álbum'" ele continua, "Eu tinha dito aquilo por um ano e quando perdi tudo pensei 'não posso esperar um mês para começar algo novo'".

"O pessoal do selo ficou um pouco desapontado" ele admite, diplomaticamente, "mas foi o destino. Você não pode fazer nada a respeito a não ser tocar pra frente. Foi o que tentei fazer e de certa forma acho que trabalhei melhor e mais rápido depois porque tinha essa pressa de chegar lá".

O que inspirou Monsters & Silly Songs? Existe algum conceito específico por trás do álbum?

Não, não, é bastante nebuloso até para mim na verdade. Eu fiz meu último álbum em 2003 e desde então fiz uma música aqui, outra ali em diferentes projetos, então eu encontrei esse nome para o álbum antes de terminar o disco, o que é incomum para mim. Geralmente dou um nome depois. Enquanto isso trabalhei em diversos outros projetos, até o momento em que perdi tudo – é uma história bastante complicada. O título me veio de repente, uma imagem rápida e eu achei um bom atalho para aquilo que eu queria fazer.

Foi fácil encontrar músicos para sua banda?

Eu os encontrei através das bandas com que já estou trabalhando. Ninguém se conhecia antes, fui chamando individualmente, de uma forma bastante lógica. Nós estamos todos numa mesma onda musical, então foi bem fácil. Eu não preciso explicar muita coisa para eles.

Quais são os países em que você mais vende? Inglaterra e Alemanha?

Essa não é uma pergunta fácil de responder. Eu prefiro a Inglaterra e os Estados Unidos por que a maior parte da música que gosto vem desses países e tenho mais contato com bandas desses países. Na Alemanha é diferente e na França mais ainda.

Em uma entrevista recente, você disse que odeia acid house e electro, por que?

(rindo) Essa frase foi descoberta por tantas pessoas e é só uma piada. Fiquei surpreso em ver que as pessoas a levaram a sério por que amo música eletrônica, especialmente acid house e electro old school.

Você estudou piano clássico na sua juventude. Esperava se tornar um músico profissional?

Não exatamente, mas cheguei a pensar nisso. Cheguei ao ponto onde você tem que escolher se quer praticar todo o dia e começar a competir com os outros ou não – eu não queria competir e talvez não pudesse porque eu odeio tocar piano na frente das pessoas.

Mas você gosta de tocar como DJ na frente das pessoas hoje em dia?

Sim, mas é bem difrente. Tocar piano em uma competição não tem nada a ver com tocar ao vivo com sua banda. Quando você está tocando piano as pessoas estão sentadas esperando ansiosamente pelo seu próximo erro.

Você é competitivo?

Eu? Ehm, sim e não. Quando eu faço música eu sempre tento fazer da melhor forma possível, apesar de que isso não te responde com precisão. Acho que a competição definitivamente te dá um motivo para fazer música. Mas não estou sempre tentando estar na mídia ou competindo no MySpace para ver quem tem mais amigos.

Diversos produtores franceses estão estourando agora, como Surkin, Justice e Blackstrobe. A França está passando por um momento particularmente criativo hoje em dia?

Acho que sim. Há muito interesse de fora por causa de gente como Blackstrobe e Justice, mas há muitos outros artistas que não são famosos e estão fazendo coisas boas. Esse interesse é bom para todo mundo por que atrai a atenção e ela faz com que mais pessoas criem música boa. É um tipo de dinâmica, o que é bom. Muita gente que tem produzido música nos últimos anos parece estar tomando novo fôlego, o que é legal.

Jonty Skrufff
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