The Killers - Sam's Town
Pop-rock hiteiro se esforça para convencer no segundo álbum. Tudo em vão.
06.11.06 13:50
Nome dos mais conhecidos do pop rock, o Killers avança em seu segundo álbum. Se em Hot Fuss a banda tinha uma canção realmente muito boa ("Mr. Brightside"), neste Sam's Town eles aparecem com duas canções realmente muito boas.
Ironia à parte, é fácil gostar do "Killers pop": eles sabem construir melodias que grudam, portam-se bem no palco, o vocalista é boa pinta... Mas é fácil não gostar do "Killers rock": as letras não dizem nada, a produção é excessivamente limpa, o vocalista tem bigodinho...
O primeiro single, "When You Were Young", começa bem, com um inspirado riff de guitarra e a bateria dando passo. Mas, a 1min56seg, a música pára, entra um tecladinho cafona, Brandon Flowers encolhe a voz... tudo foi por água abaixo.
Apenas em "Uncle Jonny" e "Bones" tem-se uma banda . Na primeira, Flowers lembra Noel Gallagher - o que sempre é legal - e é ajudado por uma guitarra blueseira; já a segunda, mais pop, gira em torno do pegajoso refrão.
O restante do disco sofre com uma certa pretensão - parece banda jovem que quer demais ser levada a sério. "Bling (Confession of a King)", "For Reasons Unknown" e "My List", por exemplo, possuem cordas demais, teclados demais, são quadradas demais. Há até um "Enterlude" no início e um "Exitude" no final (Emerson, Lake & Palmer perde...). E deve-se dar crédito a "This River is Wild": com um arranjo prog e com Flowers soltando a voz até lá em cima, é, fácil, uma das piores músicas dos últimos anos.
Um amigo comparou Killers a "axé music cantada em inglês". Está certo (ouça, principalmente, "Somebody Told Me", do primeiro álbum). Não é demérito nenhum; o problema é que enquanto a axé music é tomada por mulatas e mulatos dançando com quase nenhuma roupa, com o Killers temos um bando de branquelos que querem prorrogar para sempre os anos 80.
Como o Hélio Disse: Pendure uma melancia no pescoço, rapaz.