Comets On Fire - Avatar
Sensação californiana faz rock inclassificável e impactante
27.11.06 18:00
O rock americano tem dessas coisas. De vez em quando, de algum lugar remoto na América caipira, surge um filho bastardo dos anos 60, um aborto da revolução freak power, preso numa cápsula do tempo onde a palavra de ordem ainda é "sexo, drogas, e armas nas ruas". Aconteceu com Butthole Surfers, Flaming Lips, Mercury Rev, Meat Puppets e, mais recentemente, com o Mars Volta. A esses, faça o favor de somar o Comets on Fire, de Santa Cruz, Califórnia.
Imagine o Black Sabbath tocando John Coltrane, e você começa a ter uma idéia. Free jazz, punk rock, progressivo, heavy metal, psicodelia, rock de garagem, dá para ouvir um pouco de tudo no som do CoF.
Avatar é o quarto disco dos caras e é um dos maiores LPs deste ou de qualquer ano. Um som verdadeiramente livre, que está pouco se fodendo para rádios ou paradas de sucesso. Lembra da emoção de ouvir o primeiro LP do MC5? Aquela sensação de que tudo é possível? Pois é, Avatar provoca reações semelhantes.
Tentar classificar a música do CoF é mais que burrice, é uma violência. Para resumir, podemos dizer que todo mundo vai achar alguma coisa para gostar nesse disco. A turma que ama Hendrix e afins vai passar mal com os solos de guitarra; metaleiros velhos vão babar com os riffs cabulosos à Led Zeppelin; a turma do isqueiro vai chorar com os pianinhos, e até os punks vão gostar da pegada Stooges e Troggs. E se você, como eu, tem um pouco de cada uma dessas tribos, Avatar periga ser a resposta.
Para melhorar, parece que o Comets on Fire, ao vivo, é simplesmente destruidor. Que venham, e rápido.