Tracey Thorn - Out Of The Woods
Vocalista do Everything But The Girl manda bem em solo produzido por Ewan Pearson
26.03.07 18:40
O primeiro álbum-solo de Tracey Thorn, A Distant Shore, data de 1982. Seguiram trabalhos com Massive Attack, Lloyd Cole & The Commotions, The Style Council e, claro, mais de 20 anos como metade do Everything But The Girl ao lado de Ben Watt. Tanto tempo depois, seu segundo disco solo ganha as ruas e Ben não meteu o bedelho em nenhum momento. Aliás, o futuro do duo é incerto: ele fala no MySpace que pode voltar a gravar com Tracey mas não agora, concentrado que está em sua carreira de DJ e dono de selos de house. Mas não tem problema: sua ex-parceira (?) está muito bem acompanhada de Ewan Pearson, que tem em Out Of The Woods seu primeiro grande trabalho como produtor.
A versatilidade de Ewan manifesta-se já na primeira e melhor faixa - "Here It Comes Again", downtempo rico em cordas, onde o vocal sussurrado de Tracey remete a Nico (Velvet Underground) e Elizabeth Fraser (Cocteau Twins). Embora a seguinte, "A-Z", seja uma das mais medianas, parecendo sobra de algum dos últimos álbuns do EBTG, uma tímida influência oldschool electro anuncia a próxima, "It's All True", que se joga numa adorável fonte de referências italo-disco/electro misturadas a violinos. Lembra Kelley Polar. Em seguida, vem a sensual "Get Around To It", uma regravação do mestre Arthur Russell que Thorn e seu comparsa Pearson conseguiram deixar no mínimo tão boa quanto a original: camadas obscuras contrastam com claps disco, baixão funkeado e metais de Gabe Andruzzi, saxofonista do Rapture.
Violão, piano e mais violinos mudam o clima na bonita e calma "Hands Up To The Ceiling". "Easy" é midtempo com piano e batida quebrada, mais contemporânea do que a próxima, "Falling Off A Log", que retoma a fórmula de "It's All True" em BPM mais baixo. "Nowhere Near" traz o downtempo de volta com teclados kraftwerkianos fazendo a cama para flauta e trombone. Outro ponto baixo do disco é o electro-house "Grand Canyon", uma tentativa de criar uma nova "Missing" ou "Wrong" co-produzida pelo português Alex Santos. Não é ruim, mas está bem aquém do resto do álbum. A melancólica "By Picadilly Station I Sat Down And Wept" parece um lindo e introspectivo cruzamento de Carpenters com EBTG, mas o sol volta a brilhar na divertida "Raise The Roof", que fecha o disco em meio a mais synths italo-disco/electro.
Eis um disco rico, que faz valer toda a espera (o último disco de inéditas do EBTG saiu em 1999) e só poderia ser obra de alguém que já percorre há tantos anos uma estrada cercada por diversificadas florestas mas sempre pavimentada com sofisticação e bom gosto. Difícil é conter a ansiedade pelos remixes, que já começaram bem com a releitura nu-disco do Escort para "It's All True". Que tal chamar Morgan Geist, Lindstrom e Daniel Wang para os próximos, Tracey?