Joakim - Monsters & Silly Songs
O desenho da capa foi feito pelo próprio Joakim
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ficha técnica
Nota: 4 / 5
Ano: 2007
Selo: Versatile Records
Estilos: electro, rock
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Joakim - Monsters & Silly Songs
O produtor mutante muda a fórmula e surpreende com seu novo álbum, bem mais roqueiro que seus trabalhos anteriores
30.03.07 22:55
Quando se fala em Joakim – o produtor francês que diz odiar acid house, não o da padaria – logo se pensa em música eletrônica européia, anos 2000, synths modernos, remixes para gente famosa etc. A figura tem uma extensa lista de releases, trabalhou com Fischerspooner e Air, e emplacou dois álbuns bem recebidos pela crítica, Tiger Sushi e o blockbuster Fantômes, do hit "Come Into My Kitchen". Além de fazer música, ele ainda é dono de selo e tem projetos cinematográficos cults. Se alguém ainda tinha duvidas da capacidade mutante do produtor, ele aproveitou seu novo álbum, Monsters & Silly Songs para liquidar com qualquer suspeita que restasse.

Se você esperava batidas de som sintético e clicks borbulhantes, vai ficar bastante frustrado na primeira vez que ouvir o álbum. Monsters... abre com um apito desengonçado que rapidamente dá lugar a uma marcha grave de dar medo. A essa altura você já está com a sobrancelha levantada, checando se não colocou por engano a trilha sonora de algum filme B de terror.

Os bumbos soam humanos demais, os acordes de guitarra definitivamente não vieram de um sampler e o disco não se trata de uma continuação do eletrônico Fantômes. Joakim jogou tudo pro alto mais uma vez, desistiu de notas vindas de cordas virtuais e, pela primeira vez, se juntou a uma banda "de verdade", a Ectoplasmic Band, e mandou ver com baterista e guitarrista de carne e osso.

No website de promoção do disco você descobre um dos motivos da aventura analógica do francês. "No começo estava tudo quieto. O ameaçador silêncio que se ouve quando o computador finalmente desistiu e não dá mais nem um piu depois de uma travada", diz o texto. Na falta de um back-up, as faixas que foram perdidas deram lugar a uma experiência mais experimental e pouco empolgante. Este é o tom de Monsters & Silly Songs.

Apesar de ótimas músicas como "Drumtrax" – que tem um break super legal que joga os BPMs lá embaixo só para voltar a acelerar depois – a maioria cai em uma viagem exagerada e os humores entre elas variam de forma excessivamente brusca. Basta ouvir "Sleep in Hollow Tree" (aparentemente, Joakim anda assistindo muitos filmes do Tim Burton) e seus vocais escabrosos, que é seguida pela saltitante "I Wish You Come Here", com melodia açucarada e acordes de guitarra que quase fazem cócegas.

"Rocket Pearl" tem uma pegada rocker esquizofrênica que lembra Hot Chip, enquanto "Peter Pan Over the Bronx" fica durante três minutos passeando por notas espaçadas de um piano melancólico (aos seis anos ele já estudava o instrumento e foi aluno de um dos mais famosos pianistas franceses, Abdel Rahman El Bacha).

Além das doze "Silly Songs"(canções bobas, no inglês), o disco tem quatro pequenas faixas chamadas de "Monsters". São trechos com alguns segundos de pura dissonância que costuram o álbum e, somados a tanta esquisitice, servem mais como a cereja verde do indigesto bolo do produtor francês.

Marcus Vinícius Brasil
Marcus Vinícius Brasil
twitter.com/marcvs
comentários
Spavieri
Spavieri(05.04.07)
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Soa rock, visceral, nostálgico ... muito bom !
Produção impecável !
Psycho
Psycho(04.04.07)
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Tô contigo, Vermelho! Não me canso de ouvir toda essa "esquisitice". Talvez seja pq eu desconhecia completamente a história do Sr. Joakim, o que me fez ouvir sem referencias passadas e livre de expectativas frustradas.
Vermelho
Vermelho(04.04.07)
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Discordo. O disco é acima da média, tem ótimas faixas e arranjos ricos. Pode não agradar quem espera músicas para pista ou está acostumado a fórmulas vigentes do mercado dance, mas tem profundidade e pérolas como 'I wish tou were gone' e 'Lonely Hearts'. Estranho ele dizer que odeia acid house, afinal várias faixas tem algo acid no disco e nos anteriores há bastante.
O indigesto bolo caiu muito bem no meu estômago! Delicioso!
Gil Barbara
Gil Barbara(03.04.07)
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Eu gostei bastante do disco..
Realmente é um pouco estranho, mas sai da mesmice vigente!
:)
manu
manu(02.04.07)
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Não acho a nota apropriada.

Todas as músicas são ótimas e mostram o frescor da nova linha melódica das produções atuais. As mais experimentais -ou melhor, as que não são pra pista- são lindas, intensas, plenas.

Ele mostra que se quisesse, poderia fazer um disco apenas de hits...

Ainda bem que não foi o caso.