Cinco perguntas para My My
Trio de produtores alemães se apresenta hoje e amanhã no Brasil
13.07.07 15:20
Em meio à enxurrada de house e electro europeu que está tomando conta do cenário eletrônico pelo mundo, o My My é uma verdadeira fortaleza do minimal techno. Formado pelos produtores Lee Jones, Carsten Klemann e Nick Höppner, o trio lançou o álbum Song for the Gentle no ano passado, pela Playhouse, e encantou muita gente com suas referências bucólicas, batidas rechonchudas e sintetizadores espectrais.
Os alemães tocam pela primeira vez no Brasil nesse fim de semana, em duas apresentações. A primeira acontece no clube Clash, em São Paulo, hoje (13/7) e a segunda na festa carioca MOO no sábado (14/7) e ao lado de Tobi Neumann. Tanto no Rio quanto em Sampa o My My fará seu imprevisível live PA.
Aproveitando a passagem dos alemães pelo Brasil, o rraurl.com conversou com eles por e-mail e falou sobre minimal techno, cavalos e Egberto Gismonti.
Por que vocês escolheram a imagem de um cavalo para a capa do disco?
Na verdade, são três cavalos, mas isso é mera coincidência (risos). Falando sério, quando terminamos as músicas para o álbum, nós o entregamos para um grande amigo nosso que é designer gráfico. Não tínhamos nada específico em mente, apenas queríamos algo calmo e pacífico e que não fosse técnico nem gráfico. Um dia depois ele nos sugeriu essa imagem feita por um amigo dele. Nos apaixonamos imediatamente e ela se tornou nossa capa.
Como está a atmosfera em Berlim no momento? Por que há tantos artistas morando lá?
Agora está ótima, porque é verão. Berlim tem uma longa história no techno e na cultura clubber e essa deve ser a razão principal para tantos artistas se mudarem para lá. A cidade também tem uma tradição no hedonismo. É só pensar nos efervescentes anos 20, quando muitos artistas e boêmios foram para Berlim para usá-la como seu playground.
Além disso, ainda é uma cidade muito barata, apesar disso estar mudando porque muitos estrangeiros estão comprando propriedades por lá.
Tem se falado muito sobre um recuo do minimal. Vocês acreditam nisso?
Nós acreditamos em música boa, seja techno, house, minimal ou o que for. Pode ser verdade que o mercado foi inundado por músicas chatas que seguem sempre a mesma fórmula, mas ainda é possível encontrar boas faixas que podem ser classificadas como minimal.
De maneira geral, achamos que a culpa se deve a alguns DJs que não estão realmente misturando as coisas e se prendem a um único estilo. Achamos que a quantidade de músicas ruins aumentou tanto quanto a quantidade de músicas boas.
Não sabemos se há um verdadeiro recuo, mas em Berlim e em outros lugares é possível observar que está havendo um movimento de volta à deephouse e ao techno purista.
Vocês têm uma faixa chamada "Pelourinho". Por que vocês a deram esse nome?
A faixa contém uma sample de um disco do Egberto Gismonti que o Lee [Jones] comprou quando ele estava de férias na região do Pelourinho, em Salvador, anos trás. A música foi originalmente chamada "Gismonti", mas achamos que era melhor não divulgar a fonte da sample no título.
Como é a música de vocês ao vivo? Quão diferente soa do que se ouve nos seus discos?
Quando começamos nossa turnê, achamos que muito do material do álbum era um pouco leve demais para funcionar bem em clubes. O disco foi concebido como um trabalho musical, para ser ouvido, não uma coleção de faixas para pistas.
Nós produzimos algumas novas músicas e remixes desde que o disco foi concluído e elas funcionavam melhor nas horas de pico de nossas performances, então integramos mais material ao nosso live. Além disso, usando bateria eletrônica, Ableton e tocando teclado ao vivo, podemos improvisar durante nossos sets, criando remixes na hora, ou desenvolvendo faixas completamente novas ou passagens de música.
Depois de tocar tanto no ano passado, era essencial acharmos um meio de manter as coisas interessantes para nós e para o público. Apresentando novo material e improvisando é uma forma de conseguir isso.