Ian Curtis vive (e morre) na estréia do diretor Anton Corbijn no cinema
25.10.07 17:55
Nos anos 90 havia uma expressão pejorativa para definir um filme que fosse rápido demais, colorido demais ou tivesse cortes de imagem demais: visual de videoclipe. Curiosamente a estréia do diretor de clipes Anton Corbijn não tem nenhuma dessas características. Em Control - longa que mostra a vida e morte de Ian Curtis, o perturbado vocalista do Joy Division - a ação é lenta, cinzenta e com seqüências longas.
E não daria para ser diferente. Control tem um personagem meio camuflado, que sempre se esconde ao fundo, mas que é a peça mais importante da história: Manchester, a cidade. Opressora, triste, úmida e basicamente industrial, ela assombra Curtis em praticamente todos os momentos do filme. Não é à toa que o jovem procurava refúgio nas cores da música de David Bowie e do Roxy Music. Ou no calor do punk rock dos Buzzcocks e dos Sex Pistols.
Sam Riley incorpora Curtis com perfeição (e, curiosamente, o rapaz de 27 anos havia interpretado Mark E. Smith, do The Fall, em outro longa sobre a cena de Manchester, A Festa Nunca Termina, de 2002), inclusive assumindo os vocais nas performances ao vivo da banda. Aliás, a perfeição do ator é reforçada pelas imperfeições do músico: Control - que foi baseado no livro Touching From a Distance, da viúva Deborah - não foge das falhas de caráter de seu personagem central, do adultério à incapacidade de lidar com seus problemas (em especial o de saúde: Ian Curtis tinha epilepsia).
Em um texto publicado no jornal britânico The Observer, a filha de Curtis, Natalie, listou o que a incomodava ("a depressão e as mudanças de humor não são mostradas", "a voz de Sam no filme está ótima, mas não é a do meu pai") e o que a agradava (ela achou os ataques epiléticos bastante convincentes) no trabalho de Anton Corbijn. Ao final, ela solta uma frase que provavelmente resume o sentimento da maior parte das pessoas que sairão de casa para ver Control no cinema: "Não importa como será a recepção do filme, aquelas canções me lembram que o mais importante é - e sempre será - a música."
A visão particular da viúva sobre os fatos, focando principalmente a traição de Ian, impede a investigação dos motivos que dariam sustentação a sua depressão. Por conta disso fica suspenso no ar a verdadeira razão (ou razões) do suicidio.
A fotografia é foda, mas acaba dsendo superficial demais, e fatos importantissimos para sua música e para o suicidio ficam de fora. Mesmo assim um bom filme.