Tim Festival 2007: Em SP, Lindstrom foi destaque
Pira, Girl Talk
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Tim Festival 2007: Em SP, Lindstrom foi destaque
Norueguês apresentou ao vivo hits como "I Feel Space" e fez a alegria do público
27.10.07 23:55
O clube paulistano The Week recebeu ontem (26/10) a noite mais eletrônica do Tim Festival 2007 em São Paulo. Sem nenhuma atração estelar, a escalação misturou novos nomes da cena internacional com artistas já consagrados e fez o público - morno do começo ao fim da madrugada - dançar até por volta das 5h da manhã. O lineup foi diluído entre duas pistas. Na menor, Johnny Luxo, Alexandre Herchcovich e Daniel Haaksman tocaram para um público minúsculo (talvez por causa do som excessivamente alto), enquanto na principal, Sinden, Girl Talk, Lindstrom e Toktok conseguiram encher, no auge da noite, cerca de dois terços da ampla pista da The Week.

ATÉ O CHÃO
O inglês Sinden, que tocou sem Hervé (ao contrário do que foi anunciado pelo evento), começou tocando booty house de grooves gordos, com batida saída dos porões de Baltimore. Teve o hit "Dr. Love", dos australianos Bumblebeez e remix rebolante de Bonde do Rolê. Como é de praxe dessa turma, o escorregão para paisagens assumidamente farofeiras não faltou com "Breathe", do Prodigy e samples de "Eye Of The Tiger". Com seu boné de aba reta e visual moleque, Sinden segurou até as 2h30, quando começou o pandemônio do Girl Talk.

Depois que Greg Gillis entrou em cena, o show desceu do alto do palco para o meio do público. Com os notebooks armados em um cercadinho bem no meio da muvuca, o Girl Talk colocou para andar seu Frankenstein sonoro, usando samples de Avril Lavigne, R&B norte-americano e Jackson 5. Gritando insistentemente um "Oitudobem?!" esquizofrênico, Gillis jogou água no público e conseguiu fazer surtarem aqueles que estavam bem ao seu redor com sua performance explosiva. Quem estava mais distante (muita gente ficou olhando apenas para a tela que baixaram durante a apresentação), parecia tão intrigado quanto Sinden e So_Me, da Ed Banger, que do alto do palco apontavam curiosos para a tela do laptop de Gillis. Enquanto o norte-americano, a essa altura sem camisa e com a cabeleira empapada de suor, terminava show pulando do chiqueirinho para o meio da multidão, Lindstrom configurava seu computador e preparava para trazer o espetáculo de volta às alturas.

A ESCANDINÁVIA É AQUI
Dizer que a apresentação do norueguês "seguiu a linha space disco" seria preguiçoso. A partir das 3h30, a bateria reta reinou soberana pela primeira vez na noite, numa mistura que foi dos timbres ardidos da acid, passando por samples regionalistas e tambores épicos. Bem mais comportado que a atração anterior, mas quase tão ébrio quanto, fez desfilarem alguns de seus hits cósmicos como "I Feel Space" e fez da The Week um lugar cheio de pessoas com olhos fechados e sorriso no rosto. A essa altura, a segunda pista já havia sido fechada e ao lado do equipamento enxuto de Lindstrom a dupla Toktok começou a preparar sua parafernália analógica.

Nada de laptop ou Ableton Live. Os timbres oníricos de Lindstrom ainda ecoavam pelas paredes do clube quando o duo alemão abreviou a viagem do público com sua pancadaria sintética. Quem já ouviu falar dos caras pelos hits mais puxados para o electro oldschool ficou de cara com o techno pesado que fechou a noite. O que se ouviu foi sonoridade noventista pré-BPitch control, com samples longas de metais entrecortadas por sintetizadores afiados e bateria acachapante.

No fim do set do Toktok, a pista já estava bem vazia e os mais fervidos até arriscaram um mergulho na piscina que fica na área externa do clube. A noite com certeza não exigia tanto, já que alguns goles de cerveja já eram o suficiente para lidar com a temperatura morna da festa. Os glowsticks que foram distribuídos na entrada brilhavam no chão de pastilhas brancas da casa, e apesar de ninguém ter saído chorando de emoção como ao final do show do Daft Punk em 2006, o lineup eclético garantiu uma noitada feita para agradar os que estavam atrás de música nova rebolante, futurismo alemão dos anos 90 ou apenas uma trilha sonora bacana para começar o fim de semana.

Foto por Rogério Cassimiro/UOL

Equipe rraurl.com
Equipe rraurl.com
comentários
Malu
Malu(30.10.07)
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Concordo que Lindstrom foi mesmo subaproveitado, e talvez, ele tocar depois do Girl Talk tenha sido muito estranho. Se as pistas tivessem sido divididas em "temas", como no Rio, a noite poderia ter sido um pouco mais divertida. Ninguém aguentava mais o Sinden (a impressão é que ele tocou por mais de 2 horas, foi isso?), e várias pessoas nem sabiam da existência da outra pista onde o Daniel Haaksman estava. Se a apresentação do Girl foi catártica só pra 30 pessoas, vai ver esse foi o ponto alto da noite mesmo, já que ninguém se mostrou muito empolgado, nem com a apresentação do excelente Lindstrom.
Leandro Filippi
Leandro Filippi(30.10.07)
-1AprovadoQueima
não creio que dê pra chamar uma apresentação de catártica graças a 30 pessoas que estavam em volta do cara aos berros. pode até ter sido, mas pra vc e pro pessoal que ficou ao lado dele. essa noite não teve ponto alto, foi morna em todos os momentos, com cara de uma noite qualquer, e não de festival.
Rodrigo SM
Rodrigo SM(30.10.07)
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Girl Talk foi sim interessante, por trazer uma coisa um pouco mais performática, mas a música mesmo foi pra segundo plano. Conheço, não gosto, e fiquei andando pra cima e pra baixo pra ver a reação das pessoas, que, no mais, não ligaram muito e ficaram assistindo. A ordem das atrações foi um absurdo. Lindstrom só por 1 hora então nem se fale. O maior subaproveitamento de talento que já vi.
malu, quem estava ao redor do girl talk pode ter entrado em transe. mas a grande maioria, que estava assistindo a tudo de longe, não pareceu ter entrado na onda não.
Malu
Malu(29.10.07)
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Não concordo. O público estava meio passado depois da apresentação absolutamente catártica do Girl Talk, que foi sim o ponto alto da noite. Talvez tenha sido até bom contraponto ao nervoso que foi o show do maluquíssimo Girl Talk. Rolou uma espécie de hipnose, ele ficou com o público nas mãos o tempo todo, e até quem não gostava de Kelly Clarkson foi à loucura. Nunca vi nada disso. Não sobrou muito pique depois nem pro Lindstrom, nem pro Toktok, infelizmente.
 
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