Iceland Airwaves movimentou a capital islandesa
Trentemoller sombrio
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Iceland Airwaves 2007
31.10.07 22:10
Iceland Airwaves 2007
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Iceland Airwaves movimentou a capital islandesa
Evento teve Bonde do Rolê, Trentemoller e Bloc Party na escalação
29.10.07 23:10
Com pouco mais de 170 mil habitantes, Reykjavik - capital da Islândia - é certamente um lugar intrigante. Numa recente pesquisa divulgada, 85% da população acredita em duendes e 12% já aderiu ao programa de "rehab" patrocinado pelo governo. Some isso ao fato de que no verão o sol brilha durante 22 horas do dia. Nas duas horas restantes um longo pôr-do-sol deixa a cidade ainda clara, muito clara. Já no inverno essa luz desaparece quase que por completo.

O resultado dessa miscelânea não poderia ser diferente. Reykjavik respira arte. Numa cidade do tamanho de Santa Bárbara D'Oeste, há pelo menos cinco museus de grande porte, mais de vinte galerias de arte, inúmeros bares, casas de shows e uma vida cultural extremamente agitada. Nesse cenário acontece há nove anos o Iceland Airwaves.

O Airwaves é um festival de vanguarda e sem preferências musicais. Um dos seus pilares é e sempre foi a extensa pesquisa por bandas novas e de qualidade. Todos os anos, o lineup aposta em diversos nomes pouco conhecidos, tanto islandeses quanto estrangeiros, nomes conhecidos mas ainda longe do mainstream e poucas bandas e DJs realmente populares.

Para se ter uma idéia, em 2002, pouco antes de efetivamente estourarem com o hit "House of Jealous Lovers", o The Rapture foi um dos hedliners do festival. A mesma historia aconteceu com Audio Bullys em 2003, Hot Chip em 2004, Julliette & The Licks e Clap Your Hands Say Yeah em 2005.

Assistir tudo o que acontece nos quatro dias de festival é tarefa das mais ingratas. Por questões práticas, já que os locais dos shows são bem pequenos (o maior deles, o Reykjavik Art Museum, tem capacidade para mil pessoas), tudo de bom acontece ao mesmo tempo. Sábado (21/10), por exemplo, no mesmo horário tocavam os ingleses do Bloc Party, os adorados dinamarqueses do Lali Puna, o electro funk animadíssimo do Chromeo, o !!! e mais trozentas bandas islandesas de nome impronunciável que aparentemente ninguém conhece mas tem um legião da fãs histéricos cantando todas as letras do incrivelmente incompreensível idioma islandês. Ufa, até cansa. Do que minhas pernas e ouvidos conseguiram acompanhar, esses foram os grandes momentos do festival:

QUARTA-FEIRA, 17 DE OUTUBRO
Seabear - Melodia e mais melodia. Sete mini projetos da Bjork (sim, aqui todo mundo meio que parece com ela), tocando instrumentos vintage, acordeons, flautas doces misturadas a baixo distorcidos, produzindo um som quase que inclassificável. Os próprios membros da banda, com certa dificuldade, dizem que sua musica pode ser chamada de lo-fi country pop.

Solid Gold - sabe aquela historia da "modelo/atriz/apresentadora de talk show"?. Pois bem. Os caras do Solid Gold podem lançar um novo estereotipo: os modelos que tocam bem - e não digam que isso é muito Backstreet Boys, porque nesse caso, eles realmente sabem como animar uma pista. São três moleques de Minneapolis que, sem sequer ter lançado um único disco e tendo sido chamados para tocar num ainda morno primeiro dia do festival, acabaram ficando até o último e tocando em absolutamente todos os espaços da cidade. Seu som em alguns momentos soa bastante anos 80. Baterias eletrônicas, teclados oitentistas, tudo isso misturado com interessantes riffs de guitarra com guinadas bem indie. Vale ouvir no myspace.

QUINTA-FEIRA, 19 DE OUTUBRO
Rhondda and the Runestones - Imagine uma versão feminina do Iggy Pop num palco. Agora imagine essa mesma pessoa só com uma avantajada barriga de uns 8 meses de gravidez. Um punk rock para lá de caótico que num primeiro momento pode causar caretas da mais pura aversão acabou por transforma o inicio da noite uma agradável e divertida surpresa.

Retro Stefson - Angola, Franca, Noruega, Canadá e um outro pequeno bando de Islandeses. Quando digo pequeno, digo pequeno mesmo... O membro mais velho da banda tem 17 anos e o mais novo 15. Não sei se pela pouca idade ou se pelo vigor no momento de subir ao palco, eles emocionam a audiência. O som é mais uma vez inclassificável. No site oficial do festival eles são enquadrados com uma banda de "Retro-Latin-Surf-Soul-Powerpop". O hit deles, "Luna", sequer está no MySpace.

The Teenagers - Essa é uma daquelas bandas já meio conhecidas no circuito que certamente em pouco tempo estará absolutamente hypada pelos modernos de plantão. A figura de seus três integrantes, também ainda moleques, chega a ser engraçada. Tem o oriental nerd que deveria sentar na primeira carteira da sala de aula e de um dia pro outro resolveu pegar numa guitarra, tem o judeu tímido que se esconde atrás do boné, dos óculos e do gigante baixo, e tem ainda o vocalista, o moderninho da classe que de tão moderninho não tinha amigos e resolveu montar uma banda.

O fato é que eles são bons, são muito bons. Um electro-pop cheio de melodia e letras engraçadinhas. "Feeling Better", "Fuck Nicole", "Selflove", "Sleeping Bag (version 2)" e "Scarlett Johansson" são faixas que já nasceram hits.

Friendly Fires - No palco eles lembram um pouco Franz Ferdinand só com mais pitadas de música eletrônica. O show é absolutamente contagiante e teve até uma versão bacana do clássico do Frank Knuckles, "Your Love". Outra banda que num futuro bem próximo deve estar bem estourada.

SEXTA-FEIRA, 19 DE OUTUBRO
Miri - O editor da Rolling Stone, David Fricke, no Airwaves do ano passado avaliou o Miri como uma "promessa certeira". Realmente o trio islandês de pós rock fez uma apresentação impecável. Destaque para a belíssima faixa instrumental "Fallegt Thorp".

Trentmoller - Fica até difícil descrever a apresentação dele. Tocando numa versão "full band mode", com bateria, guitarra, baixo e vários synths, Trentmoller literalmente colocou o Reykjavik Art Museum a baixo. Momentos quase lúdicos de downtempo, intercalados com techno de BPM bem baixos e picos de drum and bass misturado com breaks, broken e qualquer outro beats que você pode imaginar. Digno de guardar na memória.

Múm - Os organizadores do festival os chamam de "coolest band in the world". Tente imaginar a quantidade de membros e instrumentos de um show do Arcade Fire. Agora imagine tudo isso com uma série de instrumentos que você nunca viu e sequer ouviu o som. Junte isso a um monte de laptops, violinos e rádios velhos produzindo sons esquisitos. Isso é Múm. Nem que seja pra contar para aquele seu amigo geek, é um show bonito demais que merece ser visto.

Gus Gus - Os reis da Islândia. Acho que são os únicos que já tocaram desde a primeira edição do festival. É impressionante assistir todas as pessoas da platéia cantando a letra de absolutamente todas as musicas. O som? Bom, passou de house music de FM, por techno de Detroit com vocais estilo diva e ainda faixas absolutamente dançantes com estilo pouco definido. Foi engraçado, ponto.

SÁBADO, 20 DE OUTUBRO
Tied & Tickle Trio - De trio eles não têm nada. Na verdade são seis alemães tocando um jazz eletrônico muito, mas muito bem feito. Som fino, acordes perfeitos e uma concentração assustadora no palco fizeram esse show ser o tecnicamente mais perfeito do festival. Sem contar o fato de ter acontecido num lindo teatro construído em 1867, o Idno

Bonde do Rolê - OK, deixe em casa aquele típico pensamento tupiniquim de falar mal de tudo que aqui é popular o suficiente para parecer brega e que no exterior faz sucesso. Agora também esqueça aquele outro preconceito contra o som que ecoa das favelas do Rio de Janeiro. Feito isso, leia com atenção: um show do Bonde do Rolê tem o poder de aquecer o mais sólido iceberg islandês.

É verdadeiramente impressionante assistir o que esses três curitibanos (eles são de Curitiba mesmo?) fazem no palco.

Bloc Party - Não sei se depois de tantos shows feitos por bandas que realmente estão com tesão em tocar, assistir os "veteranos" do Bloc Party foi meio esquisito. O show é muito bom, animado. Mas sinceramente tudo me pareceu organizado e combinado demais. O set list, o vocalista se jogando no meio da platéia, a pose blasé do guitarrista... Tudo parecia fazer parte do enredo previamente programado.

DOMINGO, 21 DE OUTUBRO
Plants and Animals - Show impressionantemente bom. Pra mim uma das grandes revelações do Airwaves. Os caras são extremamente populares na cena indie de Montreal tocando um rock de altíssima qualidade.

The Magic Numbers - O show surpresa do festival (foi anunciado horas antes de começar) serviu de deleite para os ainda numerosos sobreviventes desses quatro dias de música. Os gordinhos ingleses fizeram uma longa apresentação cheia de carisma, passando por boa parte do repertório de seus discos.

Bom, vamos ficando por aqui com a dica: o Iceland Airwaves é certamente o festival mais organizado, bem feito e bacana que este que vos escreve já esteve. Vale o longo percurso até Reykjavik. Em 2008, vocês já sabem onde me encontrar.

Nessuno Dorme
Nessuno Dorme
Fuck Nicole
comentários
Danilo Poveza
Danilo Poveza(01.11.07)
0AprovadoQueima
Não faz a Arthur Veríssimo!
bruno, os links continuam, só que agora ficam do lado esquerdo da pagina e não no fim da matéria (estavam faltando os links pro myspace das bandas nessa cobertura).
Bruno Real
Bruno Real(30.10.07)
-1AprovadoQueima
sinto (muita) falta dos links de myspace e outros após os artigos.

Rafael BZ
Rafael BZ(30.10.07)
0AprovadoQueima
Mto bom esse conceito de festival!
Quero ir pra Islândia! :P
Lucio Morais
Lucio Morais(30.10.07)
0AprovadoQueima
Concordo... só um pouquinho melhor que o tim!

Ano q vem to lá!
 
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