Booka Shade começa turnê brasileira nessa semana
Arno Kammermeier falou conosco sobre família e sobre o novo álbum da dupla
30.10.07 16:25
Começa nessa semana, com um show em São Paulo, a turnê da dupla Booka Shade pelo Brasil. A primeira apresentação dos fundadores do selo Get Physical será feita no Häagen-Dazs Mix Music (1/11, Terraço Daslu) e então o duo segue para tocar em Florianópolis (2/11, Confraria das Artes), Belo Horizonte (9/11, Deputamadre) e Rio de Janeiro (10/11, Estação Leopoldina). Essa será a segunda vinda do duo ao Brasil, que já esteve por aqui no Tim Festival 2006.
Às vésperas de lançar um DVD ao vivo da última turnê e de concluir os trabalhos do novo álbum - sucessor do arrasa-quarteirão Movements, de 2006 -, Arno Kammermeier conversou com o rraurl.com por telefone de sua casa em Berlim. Ele falou sobre as novidades do Booka, contou como foi a última vinda ao Brasil e como é fazer mais de 160 shows em uma única turnê com um filho pequeno para criar.
Como vocês dois começaram a tocar juntos?
A história é bem longa... conheci Walter há uns 20 anos atrás, na banda da escola. Percebemos que tínhamos em comum o amor pela música e então começamos a nos encontrar nas tardes após as aulas. Tínhamos um pequeno teclado e tanto eu quanto ele não gostávamos de fazer covers de outras bandas, mas compor e tocar nossas próprias músicas.
Fazíamos música pop e no começo dos anos 90 nos apaixonamos pelo techno e por sons mais underground. O Booka Shade surgiu daí e, depois de uma década fazendo esse tipo de música, ficamos entediados com os selos que existiam, cansados do trance e de não ter nenhum lugar onde pudéssemos lançar nossas faixas. Aí fundamos o Get Physical junto dos nossos amigos do M.A.N.D.Y. e DJ T.
De onde vocês tiraram o nome Booka Shade?
É totalmente inventado. Na época precisávamos de um nome e saímos procurando aleatoriamente... Não me lembro bem de onde saiu, mas achamos que "Booka" soava bem, aí juntamos com alguma outra referência à sombra e deu nisso. É engraçado que muita gente pergunta se o nome tem origem oriental...
Como foi fazer a compilação DJ Kicks?
Foi uma grande honra para nós, porque a série tem uma grande reputação no mundo todo. Foi especialmente interessante porque não somos DJs, e sim produtores, então o que fizemos foi pegar um monte de faixas que queríamos que estivessem na compilação e colocamos juntas no computador.
Crescemos nos anos 80, então tem ali muitas faixas que nos influenciaram nesse período. Nosso principal desejo era fazer um corpo musical único que as pessoas pudessem ouvir sem que o ritmo e a harmonia fossem quebrados, e ficamos bem felizes com o resultado.
Vocês remixaram recentemente a faixa "Kingdom", do Dave Gahan. Como vocês escolhem o que vão remixar?
A faixa precisa ter alguma coisa que nos faça querer trabalhar nela. Geralmente é um vocal, obviamente, mas pode ser também uma linha de baixo ou de sintetizador. O principal é sentir que podemos colocar ali algo que a original ainda não possui e, acima de tudo, fazer com que soe natural.
Nada me deixa mais irritado que esses remixes para faixas de pop que quebram um pequeno pedaço do vocal e o colocam repetidamente até o fim. O mais importante é soar natural.
Por que vocês decidiram usar vocais no seu último single, "Numbers"?
As pessoas acham estranho ouvirem vocais em uma faixa do Booka Shade, mas isso é bem normal para nós. Antes formávamos um duo de synth-pop chamado Planet Claire com muitos vocais, então depois de um tempo fazendo somente músicas instrumentais, achamos natural usar nossas vozes no novo single. Queremos que o próximo álbum tenha mais vocais, acho que o público vai gostar.
E falando em novo álbum, ele já tem um nome? Quando ele vai ser lançado?
O disco ainda não tem um nome. A menos que seja um trabalho bem conceitual, em que você tem bem claro na sua cabeça como vai ser o produto final, o título aparece só no fim.
Estamos bem adiantados com ele. Devemos terminar em janeiro e lançá-lo em maio de 2008. A tour do próximo álbum começa em abril, no Coachella, e estamos bastante honrados com o convite do festival.
Quais são os próximos planos do Booka Shade?
Depois dos shows na América do Sul seguimos para a Austrália e para a Ásia e então paramos para terminar o novo álbum. Foi uma turnê muito extensa, fizemos mais de 160 apresentações e teremos passado por todos continentes, menos pela África.
Vamos lançar um DVD gravado durante uma apresentação na Bélgica também e vendê-lo em nosso website. Foi incrível, tinha umas 12 mil pessoas no lugar.
Nesse momento, Arno interrompeu a entrevista e explicou que tinha que levar o filho para a cama. Ele contou que o garoto tem sete anos e já está indo para a escola.
E como é viajar tanto com um filho pequeno? Como você lida com a distância?
É bem difícil, mas a música também é uma parte importante das nossas vidas, então temos que enfrentar a situação. É complicado também porque temos a responsabilidade de dar o máximo em todas as apresentações, não é como um DJ que pode dar um tempo entre uma música e outra para beber um copo de água.
O que acharam da primeira vez que estiveram aqui no Brasil?
Foi muito positivo tocar no Tim Festival em 2006. O público tem uma energia muito boa, e, antes disso, não tínhamos muita noção de como era a resposta ao nosso som na América Latina. Não sei se é porque na época não usávamos muito o MySpace, mas foi bem surpreendente nossa apresentação.
Tocamos naquela espécie de corredor que havia no evento, e no começo não tinha muita gente, mas depois a pista foi enchendo e percebemos que o público realmente conhecia nossas músicas. É muito legal ver as pessoas imitando a linha de baixo de "Body Language" com a boca, é aí que você vê que elas reconhecem seu trabalho.
Para encerrar. "Heater" foi lançado pela Get Physical e pelo menos aqui no Brasil saiu dos clubes para se tornar um hit no mainstream também. Vocês imaginavam que o selo poderia tomar essas proporções quando começaram com ele?
Não, não... Tudo que queríamos no começo era lançar as músicas que gostávamos e que não tinham espaço em lugar nenhum. Nunca foi um plano de marketing ou algo assim, e mesmo hoje contamos com pouco dinheiro para fazer a promoção de nossos lançamentos.
O caso de "Heater" foi engraçado porque ela começou como um hit underground, sendo tocada por grandes DJs como Sven Vath e Richie Hawtin. Apesar de ter se tornado um fenômeno no mainstream também, isso não nos preocupa porque tivemos esse apoio vindo de grandes nomes do underground.