Em seu novo álbum, grupo de Pernambuco beira o pop ao trocar de gravadora
19.12.07 18:05
A Nação Zumbi é, sem dúvidas, umas das melhores bandas nacionais da atualidade. Depois de terem perdido um dos líderes mais carismáticos de sua geração e de terem colaborado para botar Pernambuco novamente na ordem do dia da música brasileira, o grupo fez ótimos discos.
Rádio S.Amb.A. (2000), o primeiro álbum autoral sem Chico Science (morto num acidente de carro em 1997) soava ora introspectivo, ora raivoso. Na seqüência, veio o disco Nação Zumbi (2002), lotado de hits que forjaram um novo repertório para os shows. Com o solo sedimentado, eles partiram para uma aventura psicodélica em Futura (2005). O resultado, mais experimental, confirmou o estigma de banda corajosa, sem medo de ousar. A pergunta que estava latente era: o que será que eles vão aprontar no próximo disco? Tal como um caranguejo, andaram para o lado. Fome de Tudo não chega a ser um passo para trás, mas não é um passo para frente e também não é uma linha espiral - que seria o mais adequado para uma banda que tem um pé enfiado no ácido da psicodelia.
O POP PELAS ALFAIAS A mudança de gravadora, da Trama para a Deckdisc, abre a brecha para a suspeita de um caminho mais pop. Nada contra, que fique claro. Mas dá um certo medo de ver que artistas como Pitty e Cachorro Grande são vizinhos e que Rafael Ramos, reconhecidamente um produtor com intenções radiofônicas, é o capo da gravadora. Contudo, foi o badalado Mario Caldato que co-produziu Fome de Tudo em parceria com a Nação Zumbi. O grande mérito do disco é ter conseguido encaixar os tambores (alfaias) de uma maneira exemplar. Maureliano, luthier dos tambores da Nação Zumbi, dizia que as alfaias soavam como os metais do funk nas músicas de Chico Science. É assim que elas estão soando. Nessa questão, encontraram um bom caminho.
O disco, como é de praxe, abre com uma pedrada musical: "Bossa Nostra", que tem um riff marcante de guitarra acompanhado de intensa percussão. "Infeste" alterna uma parte lenta com um refrão rápido, quase um grunge do mangue. Pule o "Carnaval" e vá para o "Inferno", com levada cheia de camadas de guitarras e vocais sobrepostos - a badalada cantora Céu divide a tarefa com Du Peixe.
O peso percussivo e ritmado só volta mais a frente, com "Fome de Tudo", que segue a linha de "Quando a Maré Encher" e "Meu Maracatu Pesa 1 Tonelada". É hit certeiro para levantar a galera nas apresentações ao vivo. O disco fecha com "No Olimpo", que musicalmente, remete de maneira estranha a "Rios, Pontes e Overdrives", faixa do clássico Da Lama Ao Caos (1994).
Fome de Tudo não é um disco de todo ruim, mas não alcança o selo "Nação Zumbi" de qualidade, talvez fosse o caso de esperar mais de tempo para sair com um novo álbum. Josué de Castro, em sua obra Geografia da Fome, apontava que além da fome total, há no Brasil a fome oculta, que é a falta de alguns nutrientes na alimentação. É o caso da Nação Zumbi, que veio com fome de tudo em seu novo trabalho, mas esqueceu de ingerir nutrientes essenciais de sua tradicional dieta.
Copncordo com o Luiz. O disco é bão, mas eu esperava mais da Nação!! Faltou tempero, o loro no feijão, mas perto do que tem por aí na cena nacional, tá mais do que aprovado!!
Achei muito bom este espaço que a Nação recebeu aqui no Rraurl ... Já ouvi o Fome de Tudo e é maravilhoso. É a Nação Zumbi mostrando maturidade e criatividade que falta em muitas bandas nacionais por ae.
Já ouvi o Fome de Tudo e é maravilhoso. É a Nação Zumbi mostrando maturidade e criatividade que falta em muitas bandas nacionais por ae.