The Whip - X Marks Destination
Manchester ainda produz bandas inspiradas no fenômeno Madchester
13.03.08 20:45
Manchester está se tornando um tema recorrente essa semana aqui no QG. Enquanto todo o novo pós-punk se calça no inquieto espírito de Ian Curtis na hora de compor, o quarteto The Whip, surgido na maior cidade industrial inglesa, aposta justamente no fruto do fim do Joy Division: o New Order.
Pode até parecer uma comparação preguiçosa, só porque as duas bandas nasceram na mesma cidade. Porém, depois de ouvir o álbum de estréia do grupo, X Marks Destination, você percebe que ambos possuem formação roqueira escondida sob camadas eletrônicas. O que a princípio pode parecer com o press release de qualquer banda da Kistuné, se mostra diferente quando buscar caminhos alternativos para a mistura (e acredite, não estamos falando do disco-punk).
"Sirens", "Frustration" e "Save My Soul" são preenchidas por fantasmagóricos teclados, guitarras oitentistas e repetidos versos abarrotados de impacto ("você é a única verdade que conheço", grita uma hora). Aquela velha fórmula que consagrou de Happy Mondays à Stone Roses soa revitalizada, apesar de não esconder a idade.
A BOMBA
Mas não se deixe levar apenas pela influência da cena Madchester, o Whip pode se infiltrar nas pistas mais dançantes quando aumentam a dose de electro e assumem a faceta rave on. "Divebomb", de longe a melhor do álbum, mistura intoxicantes efeitos futuristas que com a ajuda de um sistema de som decente, te faz sentir no meio de uma guerra de lasers digna de George Lucas. Como algum outro veículo internacional pontuou, é tão empolgante que foi a música que o Daft Punk deve ter lamentado não ter feito.
"Trash", hit-single que abre o disco, só não se revela como uma faixa do Soulwax por causa da rouquidão suave de Bruce Carter - que estranhamente soa muito parecida com a do Paulo Ricardo (ex-eterno-RPM) - repetindo em mantra seu desejo por ser trash. Seus vastos seis minutos soam como uma sincronizada jam session levemente afetada por efeitos sintéticos preparando o caminho para a explosão que acontece no refrão.
RECORTES DO PASSADO
Mesmo contando com apenas dez faixas, os ingleses criaram um álbum excessivamente longo. Os mais de 50 minutos se tornam infinitos após constantes repetições estruturais e vocais. Talvez o pop não aceite mais do que quatro minutos por canção, ou simplesmente não haja força suficiente nessas faixas para elas se manterem grandes.
Em entrevista recente, Bruce Carter comentou que esse álbum foi a união das primeiras músicas compostas pela banda no começo da carreira que não poderiam ser ignoradas. Disse também já possuir material inédito com a cara atual da banda, o que ajuda a entender as mudanças de estilo do álbum. X Marks Destination mostra uma banda em busca de identidade, o conflito entre se assumir eletrônico ou ser uma banda de rock. Eu já tenho a minha preferência de lado. Ela se chama "Divebomb".