Moby - Last Night
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ficha técnica
Nota: 4.1 / 5
Ano: 2008
Selo: Mute / EMI
Estilos: 90s, house, disco, hip hop
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Moby - Last Night
Produtor volta às origens, se anima com pianos ravers e faz um bom nono disco
03.04.08 16:40
Moby conseguiu o inesperado: soar revigorante em um novo álbum, fato conseguido ao reviver a sonoridade raver noventista que o consagrou na década passada. Continua a estética pop pós-Play (1999) e elementos pontuais da disco e do hip hop oldskool são adicionados, fazendo com que Last Night, nono álbum do nova-iorquino, seja um respiro mais do que necessário em sua carreira.

O conceito em Last Night foi resumir oito horas de uma noitada (e 25 anos de nightlife do careca) num CD de 60 minutos. A idéia, inspirada pela recente volta de Moby à carreira de DJ, remete ainda ao tempo em que ele começou a tocar, quando o hip hop era uma novidade inspirada pelos suspiros finais da disco music, cada vez mais inorgânica. Anos em que surgia a futurística alegria das raves, ilustradas musicalmente nesse CD na house music ultra-uplifting cheia de pianos, emoções e gritos a la Chicago de divas e seus loops desvairados.

Esse momento bombator-piano é o ponto alto do disco. "Disco Lies", single atual e hit certo, com um bizarro vídeo em que Moby, mais uma vez, mostra seus ideais anti-bife: a história de um pintinho que cresce e se vinga de quem vende carne animal. Todo esse apelo com uma diva black power no fundo. Segue-se a esse momento neo-Inner City de Moby a fantástica "Everyday it's 1989" (nossa, é Utah Saints!), fora "The Stars" e seus vocais distorcidos.

Como a data bem lembra, para Moby 1989 é o ano das festas inesquecíveis, e esse apego acid house define bem a elástica referência oitentista do álbum: de 1983/84 e o final da disco/surgimento do hip hop, até o verão do amor. Veja o vídeo de "Disco Lies".


Moby - Disco Lies

VIOLINOS E ARPEJOS DE SEMPRE
Não que Moby tenha virado costas aos 10 milhões de discos que Play vendeu e às posições de artista político que ele tanto defende (anti-Iraque, aquecimento global, vegetarianismo, etc). Ainda estão presente as eternas cantoras, figuras femininas que marcam a carreira dele desde o soul power de "Porcelain".

Violinos e, como já dito, pianos, estão onipresente nas camadas melódicas que fundamentam em arpejos as brincadeiras de Moby com a dance music noventista e o hip hop, gênero que encontra ponto alto em "I Love to Move in Here". A faixa transborda personalidade em scratchs e acordes metálicos de violinos, e o MC convidado na canção é a voz rouca do experiente Grandmaster Caz, um dos autores do clássico "Rapper's Delight". Dez vezes mais interessante que o primeiro single, "Alice', com seu rap progressivo e backing vocal abafado do próprio Moby.

Aliás, é talvez o único momento em que ele aparece no disco, marcando uma discrição necessária após o fiasco pop que foi Hotel (2005). Inclusive na horrenda capa do disco, que não tem nada a ver com nada, alguém explica? Mulheres gostosonas, uma TV quebrada e um fundo amarelo? Moby perde 0.2 de nota só pelo artwork descabido.

Moby @ Ultra Festival
Moby @ Ultra Festival
CHILL OUT MELANCÓLICO
Além das nuances oldskool e da alegria raver, o álbum propõe algumas brincadeiras divertidas, mas sem muito sentido (como a capa do disco). "257.zero" é um blend de barulhos de aeroporto misturados num 8-bit safado; "Hyenas" é uma lamúria anglo-francesa com aquela batida breakbeat do Moby. Ambas começam e terminam iguais, sem que se entenda a que vieram.

Deslizes perdoados no bom disco que termina numa interessante concepção de fim de noite melancólico, talvez a maneira deprê de Moby acaba após muitos drinks e dancinhas numa festa. De "The Stars" para "Degenarates" é como se você tomasse uma bala horrível, que bate mal e faz você se fechar num casulo triste, lembrando um amor perdido.

A batida metálica como AFX e o violino transcendental de "Degenarates" só abrem o momento fossa, com "Sweet Apocalipse" num niponismo italo-disco desaceleardo, levemente trance, finalizadas pela cinematográfica "Mothers of The Night" e a ninante "Last Night".

Ouvindo o álbum de cabo a rabo dá para sentir como é honesto o prospecto das emoções que a música eletrônica - numa noite, numa década ou num momento isolado da vida -, pode proporcionar. E da alegria contagiante que os pianos houseiros trouxeram de volta à complicade personalidade de Moby, até a releitura da black music que ele faz, Last Night é mais uma evidência do bom momento da música de NY e da capacidade musical do produtor. A sensação é quase de ufa!
MP3
Flash Content
Moby - I Love To Move In Here (mp3)

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Moby - Alice (mp3)

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Moby - The Stars (mp3)

Flash Content
Moby - Sweet Apocalypse (mp3)

Flash Content
Moby - 4. Everyday Its 1989 (mp3)


Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
it's like the 60s, with no hope