O passo adiante do Dark Side of The Moon
The Dark Side of the Moon
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
  • Currently 5.00/5
Nota: 5.0 (1 voto)
login para votar!
ficha técnica
Nota: 4.8 / 5
Ano: 1973
Selo: Harvest, Capitol, EMI
Estilos: rock progressivo
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
O passo adiante do Dark Side of The Moon
Mais do que psicodélico, disco seminal do Pink Floyd é uma obra-prima
03.04.08 19:05
A melodia do início, natural e sutil, dá o primeiro sentido do álbum. O synth EMS/VCS 3 em "On the Run" traga a atenção, tocado em partes a 166 BPM e desenvolve um sentido familiar, mas com sensação de novidade. Os filtros, hoje velhos conhecidos dos aficionados pela eletrônica, seguem aplicados com maturidade típica do músico que privilegia a harmonia. O ouvinte mais desavisado julgaria ser uma experiência eletrônica que para muitos ocorreu ao menos 15 anos depois, um tipo de acid music com pegada bluesy típica, 12 acordes sobre os então inovadores timbres eletrônicos - a ponte que o rock progressivo construiu e destruiu, fonte de amor e ódio ao estilo. Os carrilhões entram impiedosos como os ventos do Mar do Norte e despertam a consciência como um susto. E de maneira única descontrói a verdade absoluta da beleza que envolve a exploração das portas da percepção em estado bruto - até mesmo onde uma afirmação dessas pode ter um sentido (quase indispensável), o clichê adolescente na vida real pode ser cruel e rígido, impiedoso e dramático - assim previa Huxley, sem espaço para romantismos.

Alan Parsons no Abbey-Road Studios
Alan Parsons no Abbey-Road Studios
Para quem achou todo o palavrório acima um tanto subjetivo e desconectado de racionalidade, vale lembrar que The Dark Side of the Moon é um dos álbuns preferidos por audiófilos há décadas, graças a qualidade de sua masterização analógica e o uso de pistas variadas nas gravações entre outros truques, como o som "Quadrafônico", irmão mais velho do Surround Digital (infelizmente não utilizado oficialmente no LP), tudo orquestrado pelo mestre de estúdio Alan Parsons no lendário Abbey Road, em Londres. Quando se sabe que este é um trabalho que teve "mixagens não-autorizadas", é inevitável concluir sua relevância para o lado de lá da mesa de som. O que hoje é feito facilmente com processadores, VSTs e plug-ins, à época precisava de posicionamento de microfones, ajustes finos de impedância, reverbs de mola, pedais, múltiplas gravações e "afinamento natural" das vozes e, óbvio, saber tocar instrumentos.

MONEY, IT'S A GAS!
O álbum, apesar de sua riquíssima atmosfera experimental, possui trabalhos de mercado garantido: as faixas "Money" e "Us and Them" comprovam a afirmação e até hoje soam atuais, capazes de serem ouvidas em rádios FM por aí. Pink Floyd já esteve estampado na clássica camiseta de Johhny Rotten ("I hate Pink Floyd") habilmente explorada nas mãos de Malcolm McLaren e Vivienne Westwood, mas fez legiões de fãs, e, especificamente o Dark Side tragou a atenção da mídia por anos a fio (mais precisamente 741 semanas consecutivas na Billboard 200 - a mais longa da história, equivalente a 14 anos) sendo o sexto álbum mais vendido de todos os tempos (mais de quarenta milhões de cópias).

Em tempos de downloads, ainda que este tipo de referência de mercado tenha perdido sentido e conseqüentemente o efeito comparativo, quem viveu a época de filas em lojas de discos no dia do lançamento do novo trabalho de uma determinada banda consegue talvez entender a magnitude do feito. Internet era um sonho distante e a penetração global de um trabalho desse tipo era dificílima e, quando acontecia, era um caminho sem volta.

Digna de nota, também, é a proposta quase conspiratória de "The Dark Side of the Rainbow" - sonorizar o clássico filme O Mágico de OZ com o álbum é algo como buscar versos satânicos em discos de heavy-metal tocados de trás para frente, mas com um resultado curioso e divertido, ainda que necessária uma dose de boa-vontade. Obviamente, a banda nega qualquer referência proposital.

O MALUCO NO JARDIM
As letras das canções são, igualmente, um capítulo à parte. O lirismo típico de Waters e Gilmour vagueia por temas complexos e densos, porém, mundanos como jardins ingleses que, com a roupagem surrealista, ganham ressonância emocional. "Breathe" seria uma representação do nascimento sem a dor do parto, clamando o ouvinte a focar a atenção nas coisas realmente importantes da vida. "Brain Damage" credita uma referência (semi) explícita ao amigo Syd Barret, já àquela época definhando com os problemas mentais que levaram à sua saída da banda:

"Veja, Dorothy! As portas da percepção!!!"
"The lunatic is on the grass
The lunatic is on the grass
Remembering games and
daisy chains and laughs
Got to keep the loonies on the path"


O epílogo chega sem maiores avisos, pois conecta a penúltima "Brain Damage" com "Eclipse" e seu tom apoteótico, repetitivo, conclui o trabalho - um ótimo disco de se ouvir e explorar mesmo para quem não guarda discos de rock progressivo em posição de honra (caso do autor desta resenha). Apesar das raízes de "The Piper at the Gates of Dawn" e depois com "A Saucerful of Secrets", marcas indeléveis da psicodelia no DNA da banda, DSotM não é um álbum psicodélico. É simplesmente um passo adiante - um grande momento artístico, ou uma obra-prima. Podia ser uma pintura, uma fotografia, e de certa forma é um registro semelhante, um instantâneo construído sob a forma de um disco conceitual mas que como toda grande obra sabe se concluir e coloca seus pés no chão, como foi a resposta dada pelo porteiro do estúdio à pergunta, durante a séria de entrevistas feitas durante a gravação do álbum: "Is there a 'dark side' of the moon?":

"There is no dark side of the Moon really... as a matter of fact it's all dark".

Bruno Camargo - Carbon23
Bruno Camargo - Carbon23 (carbon23 @ chaishop.com)
90kg de pura estupidez. 75% é água.
Mais desse autor:
Presepadas
comentários
ANDRE SNOW
ANDRE SNOW (28.04.08)
0AprovadoQueima

Ummagumma é muito mais lisérgico, porém Dark side é mais completo, uma verdadeira obra prima.
certamente o Dark side é o melhor disco feito por uma banda....até hoje!!
Hero Zero
Hero Zero (07.04.08)
0AprovadoQueima
alguem já ouviu o albúm deles Umaguma ?
Kuba Stepp
Kuba Stepp (07.04.08)
0AprovadoQueima
best album ever: Period.
Michelle Fresteiro
0AprovadoQueima
Certamente um dos álbuns da minha vida. Já ouvia desde qdo estava na barriga da minha mãe. Belo, inesgotável e incansável. Como vc, Bruno, guardo discos de rock progressivo em posição de honra ;)
CaiovzKy
CaiovzKy (04.04.08)
0AprovadoQueima
e a 1ª parte da materia foi bem escrita hein, parabens...
proximos