Portishead volta com força
Beth Gibbons
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ficha técnica
Nota: 4.9 / 5
Ano: 2008
Estilos: trip hop, eletrônico, experimental
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Portishead volta com força
Grupo inglês, prestes a lançar o álbum "Third", passou por Berlim no ultimo dia 03/abr
10.04.08 12:15
Depois de dez anos do lançamento do ultimo álbum, PNYC, gravado ao vivo em Nova York, o Portishead, histórico grupo de Bristol (Inglaterra) lança no próximo dia 24 de abril Third, seu terceiro álbum de estúdio.

Alguns dizem que este seja um dos grandes eventos musicais de 2008, outros acreditam até que seja o concerto mais esperado da última década. Alguns acham que é apenas mais um retorno de uma banda das antigas, muitos ainda desconhecem o grupo.

O álbum nem foi lançado e já caiu na rede. Pode ser descarregado em qualquer site P2P, e o single "Machine Gun" já tem até vídeo no YouTube. O grupo já se antecipou ao lançamento oficial e começou a mostrar as canções ao vivo para platéias da Europa.

A primeira aparição foi na festival All Tomorrow Parties, uma reunião de musica post-rock, avant-garde e hip-hop underground curada pelo próprio Portishead no final do ano passado em Minehead, na Inglaterra. A festa contou ainda com Aphex Twin e A Hawk and a Hawksaw. Aquela foi a prova de fogo para saber se ainda conseguiam se reunir ao vivo. Depois, já tocaram em Florença, Milão, Lisboa, Porto e Munique, todos com ingressos esgotados.

Na última quinta-feira, 03 de abril, foi a vez de Berlim ouvir o que o grupo trazia na bagagem. A casa de shows Columbiahalle, em frente ao aeroporto de Tempelhof (um dos grandes exemplos da arquitetura fascista na cidade), estava lotada. Kling Klang, grupo de krautrock vindo da Inglaterra abriu a noite, mostrando seu leque de variações guitarrísticas flertando com o metal, mas que súbito tornava para sintetizadores e efeitos que lembravam grupos como Can e Tangerine Dream.

TRACKLIST
Silence (Third)
Small (Third)
Mysterons (Dummy)
The Rip (Third)
Glory Box (Dummy)
Numb (Dummy)
Magic Doors (Third)
Wandering Star (Dummy)
Machine Gun (Third)
All Over (Portishead)
Sour Times (Dummy)
Only You (Portishead)
Nylon Smile (Third)
Cowboys (Portishead)
BIS
Threads (Third)
Roads (Dummy)
We Carry On (Third)
REGRA DO TRÊS
Luzes se apagam, intervalo. Espera, espera, espera.

"Essa è a regra dos três, o que você faz, retornará para você. Essa lição você tem que aprender". O show do Portishead começou com a mesma canção que abre Third, introduzida com essa frase um tanto quanto enigmática para o publico brasileiro. Quem è que fala? Parece um pastor da Universal fazendo um sermão televisionado nas noitadas da Record.

A música se chama "Silence", e em silêncio precisou permanecer Beth Gibbons quando, no fim da primeira canção, o público explodiu em quatro minutos de aplausos. Pareciam aplaudir não somente aquela música em especifico, mas os dez anos de espera por algo novo vindo daquele grupo que embalou lounges melancólicos e ampliou os paradigmas do trip-hop nos anos 90.

Deve-se considerar que o trip-hop feito depois deles soava sempre igual. Principalmente aquele que juntava elementos jazzísticos, alguns scratches, batidas eletrônicas suaves, temperando tudo com alguma voz melancólica feminina. Quem sintonizar a Rádio Eldorado à meia-noite saberá do que estou falando. Na maré de mesmice, porém, alguns pesquisavam um caminho diferente, como Massive Attack ou DJ Krush, para ficar em apenas dois exemplos.

Uma das perguntas surgidas com o anúncio de um terceiro CD do Portishead era: "será que eles se repetirão ou virão com uma proposta nova?" Engana-se quem acredita que eles mantêm aquela atmosfera fresca que os fez conhecidos com o primeiro disco, Dummy (1994). O grupo cresceu, e a música também teve seu desenvolvimento. Os scratchs magníficos de Andy Smith, DJ que acompanha o grupo nas turnês, foram trocados por tambores e drum machines, muito presentes em canções como "Machine Gun" e "We Carry On". Decidiram por uma pegada mais industrial e percebe-se que beberam na onda do grime que assolou a Inglaterra nos últimos anos.

MS. GIBBONS
A voz de Beth Gibbons parece mais grave, talvez com menos efeitos, mas ainda muito potente. As letras continuam a se referir a sofrimentos humanos, a desentendimentos entre pessoas, a incompreensões varias.

Live @ Berlin
Live @ Berlin
"Wandering Star", do álbum Dummy, foi a mais editada para o concerto. Três banquinhos, dois violões, uma voz. Atmosfera intimista, a música ficou mais lenta e mais lamentosa.

Percebia-se em todos os componentes do grupo certa suavidade sobre o palco, muito diferente da carga emotiva levada nas músicas. Beth Gibbons ria a cada aplauso. Ao invés de cerveja ou uísque, bebia apenas água. Quando estava no meio do refrão de "Only You", canção imortalizada pelo vídeo de Chris Cunningham, começou a rir incontroladamente e teve que parar de cantar. Ria a cada intervalo entre as músicas e soltava um "thank you", provavelmente satisfeita com a recepção do público.

Um ponto alto do concerto fica por conta do visual usado como cenário. Câmeras espalhadas por todo o palco permitem que as imagens sejam mixadas e modificadas ao vivo, além de colocar vídeos famosos dos álbuns anteriores. E não economizaram tempo de show. Ao todo foram 90 minutos, com 17 músicas, oito do álbum Third, seis de Dummy e três de Portishead (1997).

"We Carry On", cotada para ser o próximo single depois de "Machine Gun", terminou o concerto em grande estilo. As batidas marcadas pelos tambores de Smith fizeram o público alemão dançar.

Eles ainda não têm aparições ao vivo marcadas para o Brasil, mas não seria uma aposta errada alguma companhia de celular colocar Portishead no line-up de um festival para o segundo semestre deste ano.

Fotos: Dietmar Riechert

Felipe Frozza
Felipe Frozza
comentários
Fosk
Fosk(24.04.08)
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mas q coisa em, fiquei muito curioso pra saber o pq da regra tres
Lalai
Lalai(15.04.08)
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putz, quero muito ver o show! deve ser daqueles que marcam pra sempre.. ainda mais no columbia halle que é um lugar foda demais... ai ai ai
Juro que viro o consumidor mais fiel da companhia de celular que trazer para a Terra da Garoa o Portishead. Mas... Se o show for em um Anhembi da vida, aí é osso! ¬¬'
João Cássio
João Cássio(11.04.08)
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empresas de celulares servem para muitos fins, afinal.
será burrice não trazê-los.
Merli
Merli(10.04.08)
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"Essa è a regra dos três, o que você faz, retornará para você. Essa lição você tem que aprender". Caraca, achei que tinha sido algum maluco que colocou o disco na Internet que tinha editado a música e posto essa frase. Tipo, voce tá pegando música pirata, mas tem q distribuir também rsss.

Mas falando sério na primeira audição fiquei meio assim, mas na segunda já mudei minha opinião. Bom album :)
 
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