Rock experimental e descompromissado é o mote do terceiro álbum do grupo
18.04.08 18:05
O Man Man é uma daquelas bandas que, saídas do nada, ganharam fama fazendo rock de maneira diferente. Vindo da Filadélfia, o grupo é formado por cinco instrumentistas tão excêntricos quanto sua própria música. Conhecidos por usarem pintura de guerra no rosto e uniformes brancos nos shows, eles acabam de lançar seu terceiro álbum de estúdio - Rabbit Habits.
Liderados por Honus Honus (apelido de Ryan Kattner), todos os membros possuem pseudônimos como Cougar e Pow Pow, o que dá a impressão de que eles realmente estão partindo para a guerra quando fazem música.
Ao contrário de conterrâneos como MGMT e Yeasayer, a estratégia desses norte-americanos não se resume a adicionar à fórmula usual alguns sintetizadores modernos ou citar referências druídicas em suas letras. Como se não bastassem os arranjos esquisitos, os membros do Man Man podem captar latidos de cachorros para utilizar em alguma faixa ou compor uma introdução com o barulho de fogos de artifício. Tudo com a naturalidade de quem está compondo no quarto de casa.
Vídeo de "Van Helsing Boombox", do álbum anterior.
O próprio Ryan afirma que esse é o "álbum mais pop" na discografia da banda. A afirmação pode levantar suspeitas em relação à lucidez do vocalista quando se ouve faixas como "El Azteca" e "The Ballad Of Butter Beans", mas há verdade por trás do palavrório.
Não que os vocais pigarrentos de Kattner tenham sido suavizados ou que os arranjos estejam mais lineares. Pelo contrário, o som do Man Man continua difícil de rotular (há quem fale em "jazz cigano" e "rock and soul"), mas a histeria e a neurose de faixas como "Young Einstein on the Beach", de Six Demon Bag, definitivamente ficou para trás.
POP EXPERIMENTAL Rabbit Habits é lar de hits com nomes bizarros que devem agradar em cheio fãs do lado mais tortuoso do rock. A maioria das faixas continua baseada em guitarras desconcertadas, dedilhados espontâneos de piano e muita percussão. As melodias que surgem dessa mistura inusitada, que inclui barulhos não-identificados e sintetizadores desajustados, insiste em grudar no ouvido da mesma maneira que uma canção produzida por algum figurão do pop faria.
Entre as mais atraentes estão as excelentes "Mister Jung Stuffed", que abre o álbum, e "Top Drawer" - uma espécie de hino embriagado que poderia ilustrar algum filme antigo de piratas. A velocidade com que os arranjos variam faz lembrar o math-rock nova-iorquino, ainda que através de uma abordagem indie bem mais despojada e despretensiosa. Até a formação do Man Man sobre o palco corrobora com essa impressão.
Rabbit Habits é o álbum de uma banda que prova não ser possível inventar rótulos para todo tipo de música. Mesmo cercada por uma infinidade de novos grupos que disputam um lugar ao sol nas praias do rock, é difícil encontrar algo que realmente corra em paralelo ao trabalho do Man Man. Donos de ótimas músicas, é melhor mesmo deixar que a sonoridade desses norte-americanos fale por si mesma e deixe a cargo de fãs e ouvintes julgarem o que se passa na cabeça do quinteto.
essa é uma das melhores bandas de indie que eu conheço muito loko, eu ainda nao escutei o novo album, mas essas musicas que o rraurl disponibilizo sao du caraio!!!
agradeco desde jah!