Kylie Minogue - X
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ficha técnica
Nota: 2.5 / 5
Ano: 2007
Selo: EMI
Estilos: pop, electro-pop,synth
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Kylie Minogue - X
Nem a mão do produtor Calvin Harris salva o álbum da australiana da irregularidade
25.04.08 11:55
Quando recebi o convite do rraurl.com para escrever a respeito do novo álbum da cantora-atriz-modelo australiana Kylie Minogue, lançado pela major EMI e intitulado X, confesso que hesitei. Primeiro, porque é quase automática a lembrança de "Come Into My World", música de 2002 que, por motivos inexplicáveis, ainda me causa calafrios (e que, à revelia dos meus sentimentos, contabilizou um Grammy).

Segundo porque, embora tenha um certo conhecimento a respeito do trabalho dela, não se trata, exatamente, do tipo de som que eu ouça com freqüência. E o terceiro é justamente porque essas referências que possuo sobre a pós-ninfeta da Oceania, tida como uma das mais bonitas do mundo pop, são um tanto quanto cáusticas. Uma delas provém do ótimo jornalista britânico Tony Parsons que, em um texto para o jornal Daily Telegraph, se refestela com o humor sádico inglês sobre a carreira ainda incipiente da garota - naquela época, já alçada ao segundo escalão do principado do pop, depois de um breve frisson oitentista (leia alguns trechos da crítica no Box).
ASSÉDIO SEXUAL
"Depois de ver Kylie Minogue no Wembley Arena, sinto que estou pronto para receber o meu diploma em assédio sexual. Exibindo-se pelo palco como uma prostituta de porto, Kylie foi apalpada por dançarinos de olhar enviesado, teve a sua roupa arrancada e o traseiro examinado minuciosamente por um dos cantores do coro. Mas preciso dizer que o show também teve momentos ruins.

Essa fase tem sido difícil para Kylie. A ingénue australiana decidiu abandonar o estrelato pop e se tornar uma artista séria. (...) No Wembley Kylie fez questão de mostrar que ficaram para trás faz tempo os dias em que ela conseguia arrulhar bobagens idiotas como "I should be so lucky, lucky, lucky". Hoje em dia suas canções revelam uma sofisticação que era desconhecida quando ela não passava de uma garota comum. "I guess I like it, I guess I like it, I guess I like it like that", diz uma de suas músicas novas. (...)

Minogue proporcionou uma inebriante amostra de seu novo álbum - bandas melosas, cálidos convites a se excitar, balançar e pôr para fora - além dos clássicos Kylie. As coisas velhas foram atualizadas para acompanhar a nova imagem de Kylie com muitas simulações de fornicação. "I should be so lucky, lucky", era cantado pela nova Kylie, enquanto apertava seus pequenos seios. Eu não estou mentindo. (...)

Ela consegue se mover tranqüilamente vestindo um tapa-sexo de couro e cantar sobre como é fazer aquilo a noite toda - mas Kylie não passa de um copo de leite semi-desnatado, e vai continuar sendo."
("O que Kylie fez depois", 31 de outubro de 1991)

NO LIMBO DO POP
Talvez Minogue tenha amadurecido como "performer" (tudo indica que não), mas seus frutos certamente caíram. Um dèja-vu contemporâneo neste trecho não acontece por acaso: vale lembrar que esta trajetória foi piamente seguida no batismo pop da norte-americana Britney Spears - guardadas as proporções, uma vez que a australiana não surtou, ao menos diante das lentes dos papparazzi. O caso é que a carreira de Kylie sempre residiu em uma zona cinzenta, mais ou menos localizada entre Madonna e a própria Britney, tendo seguido os passos menos ortodoxos da primeira e, por conseqüência, abrindo o caminho para o estrelato da segunda, enquanto ela mesma mergulhava de cabeça na espiral da decadência.

Mas é claro, todas elas se situam claramente na concepção de produção serial para a claque das massas, cada qual com o seu passo evolutivo, caso seja possível usar essa palavra, em suas respectivas trajetórias, absorvendo outras sonoridades, e poucas vezes (sobretudo no caso da veterana e mãe-de-todas Madonna) fugindo da pasteurização musical.

Kylie, por sua vez, não se libertou do estilo "I Should Be So Lucky", que nada mais é do que uma cicatriz oitentista ainda aberta. Há muitas modificações em seu décimo trabalho - o bastante para soar como um pastiche electro-pop por vezes gloriosamente frívolo, mas sempre com melodias fáceis e agridoces. X é a síntese da ambição pelo sucesso fácil, com letras tão elaboradas e profundas quanto aquelas dos anos 90, e ainda imbuídas no espírito que facilmente confunde "vulgaridade" com "sensualidade". Afinal, é tudo uma questão meramente semântica.

PLASTICIDADE
"2 Hearts", faixa de abertura do álbum, soa como uma comunhão franca de Kylie com aquilo que se convencionou como indie rock. Trata-se da faixa que os fãs mais estranharam, e destoa do restante do álbum. Música de palminhas, backing vocals e arranjos simples e esteticamente agradáveis, e volta-e-meia enveredando para efeitos eletrônicos simples, debruçados na future disco.

É quase um Belle & Sebastian meloso com temas menos existencialistas e problemáticos ("Two hearts are beating togheter / I'm in love / Woo-ho / I'm in love / Woo-Ho / Is this forever and ever / Woo-ho"), não fosse pelo sumário assassinato perpetrado pela plasticidade sonora do trabalho, pela ênfase na produção eletrônica em detrimento dos instrumentos acústicos e, principalmente, pela pontuação de gritinhos sexies de soprano soubette soubrette (vale rememorar que a "pegada sensual" é um dos estandartes do trabalho, segundo a própria cantora).

As nuances sonoras se confirmam no videoclipe da música, igualmente plastificado e feito para fashionista ver: enquanto Kylie emite seus gritinhos, sentada sobre um piano em um cenário "noir", com caveirinhas estilizadas, uma banda com caras do estereótipo rocker de boutique toca. Clichês sobre um fetiche, mas também um reflexo da sociedade de consumo volátil que, vale sempre lembrar, é o ideário do pop.

A partir da faixa seguinte, "Like a Drug", fica bastante claro que Kylie leu e decorou toda a liturgia da música eletrônica francesa de 2006 e 2007 - da fênix gloriosa do Daft Punk ao sucesso estrondoso do Justice, passando pelo cunho de outros sub-movimentos do que se classificou como maximal. E faz a reza com toda a fé, sem medo de ser feliz no universo no qual está inserida.

CALVIN HARRIS AJUDA
Um dos pilares dessa convicção está no acerto "In my Arms", produzida pelo inglês Calvin Harris e cuja letra pueril deve ser completamente esquecida (por uma questão de sanidade mental). É fácil candidata à condutora de pistas - sobretudo as GLBT, meio com o qual Kylie se dá muito bem, obrigada.

Vaporosa
Vaporosa
É em "Speakerphone", quarta faixa do álbum, que a influência do Daft Punk fica mais evidente. Sempre com toda a perfumaria de plástico pop, Kylie canta em um vocoder, que suaviza sua voz (e a deixa muito menos irritante). Em "Sensitized", contudo, o trabalho degringola. Nem o sample da música "Bonnie & Clyde", do francês ultrasexy Serge Gainsbourg, consegue nortear a música.

Trata-se uma das coisas mais horrorosas que se pode ouvir em toda a vida musical. Enquanto a letra ignóbil percorre arranjos toscos e paupérrimos, uns uivos completamente descompassados aparecem, semelhantes ao de um cachorro caído da mudança, sarnento e faminto. Fuja pelo corrimão.

A sexta faixa aparece como uma brisa que areja o trabalho - não fosse ela muito, mas muito parecida com os trabalhos da britânica Lilly Allen. Quase impossível não correlacionar "Heart Beat Rock" com os arranjos do pop da inglesinha, e também nos timbres de voz.

Um certo hiato duvidoso vem nas faixas seguintes. "No More Rain", oitava faixa, recorda diretamente a produção de "Music", fruto do trabalho inteligente de Madonna no álbum homônimo, de 2001. "All I See", música seguinte, assemelha-se a uma dose cavalar de lítio.

kylieHORA DA VERDADE
De qualquer forma, a resposta para uma quase-súplica de consistência, dentro da estética proposta, reside em "Wow". Parece que Kylie deixa de se travestir e assume aqui a sua real identidade. É um refresco ao disco, considerando novamente que se deve ignorar a letra, e se deixar levar pelo "wow wow wow" meloso e infantilizado - alguém aí se lembrou de D.A.N.C.E., do Justice? Kylie cantou "Wow" quando faturou o Brit Awards na categoria "melhor cantora feminina internacional", em fevereiro, superando ícones como a cantora canadense Feist e a islandesa Björk. A faixa ganhou, inclusive, um remix interessante das mãos do duo MSTRKRFT, em uma coletânea não-oficial de remixes, não ocasionalmente intitulada Boombox.

Ignorando propositalmente as duas últimas faixas, é perceptível que Kylie, prestes a completar 40 anos, quis fazer um álbum multifacetado e repleto de referências distintas. No entanto, toda a farsa, como disse Millôr, tem dois gumes (e, de repente, um sabor aguado de leite semi-desnatado). Simplesmente porque o caminho do pop geralmente é uma estrada reta e curta, cujo final geralmente satisfaz à indústria de bens culturais para consumo efêmero. São raros os trabalhos que fogem desse marasmo vertical e oxigenam essa premissa. Com certeza e embora tenha lá os seus méritos, X não é um deles.
MP3
Flash Content
Kylie Minogue - Heart Beats Rock (mp3)

Flash Content
Kylie Minogue - In My Arms (mp3)

Flash Content
Kylie Minogue - No More Rain (mp3)

Flash Content
Kylie Minogue - Speakerphone (mp3)

Flash Content
Kylie Minogue - Wow (mp3)


Marina Lang
Marina Lang
you can't quit me, baby.
comentários
Malu Braga
Malu Braga(23.05.08)
-1AprovadoQueima
Quase um Belle & Sebastian meloso?
Lembrou-me de um site onde você podia preencher lacunas e completar frases que formavam sua própria letra de pagode.
Aqui, parece saído diretamente de um site onde você preenche lacunas com frases de efeito, para compor uma resenha que gostaria de ser cool.
Paulo C.
Paulo C.(22.05.08)
0AprovadoQueima
Ps: nao tenho foto no meu perfil mas caso vc tenha acesso à minha conta, meu e-mail esta disponivel caso queira verificar, nao sou um "fake", como vi que vc desconfia em alguns comentarios atrás. E pare pra pensar que esses comentarios, assim como no meu caso, sao de pessoas que apos ler sua resenha, cadastram-se só para poder comentar. Por sua resenha e mais 2 que li, tenho certeza que todas as ofensas que vc diz ignorar são simplesmente verdades sobe o seu modo de pensar e mal jeito de escrever. Abraços!
Paulo C.
Paulo C.(22.05.08)
0AprovadoQueima
Fico na esperança de que no proximo convite para criticar algo que nao seja previamente do seu gosto particular você apenas não hesite, como recuse. Criticar negativamente sem motivos que realmente convençam os leitores faz com que seu trabalho seja menosprezado, ato que faço a partir deste momento até quem sabe, um dia, você evoluir.
Apoio que você continue escrevendo para aprimorar-se, e que entenda que o uso de palavras incomuns ao hábito só para incrementar um texto o deixa pesado, o suficiente para afundar.
Atenciosamente: Paulo.
Paulo C.
Paulo C.(22.05.08)
-1AprovadoQueima
Marina, acredito que erraram ao escolherem um pessoa que guarda pré-conceitos de uma epoca que já passou, aparentemente por motivos pessoais com a música I should be so lucky como está explicito nesta resenha. Ao apresentar esse preconceito voce demonstra que não tem capacidade para analisar o trabalho de qualquer artista com competência. O que você chama de pop plastificado é o que estes artistas que vc tanto critica chamam de dinheiro. Acredito que no caso de Kylie Minogue não se busca 100% prestigio ou sucesso, ela ja tem uma carreira solidificada e pode muito bem cantar por dinheiro, ou quem sabe cantar por cantar? Quem somos nós pra julgar? Ela mudou o estilo, buscou novas influências, se você nao gostou, sinto muito mas muita gente gostou. Se você nao gostou devia ao menos tratar do assunto com imparcialidade, coisa que acredito nao ser de sua competência, ainda, mas quem sabe um dia? (continua)
Clarice Harrison
0AprovadoQueima
Gente, 'lamordedeus!!! Sera q temos somente dois anos de idade????? A Marina nao gosta da Kylie Minogue - big fucking deal!! A resenha nao esta ruim nem esta errada. Eu gosto da Kylie somente pelo fato de ser mto, mto agua com acucar; nao requer nenhum esforco mental e ponto final!! Gastaria o meu tempo e dinheiro indo assistir a um show? NAO!! Esse eh o ponto q achei q a Marina quis fazer. Eh uma mulher com mto pouco talento q mtos vereram pq qq razao q seja. A resenha esta ate engracada. E, pra quem ja morou na Franca, eh possivel dizer q os franceses nao sao tao refinados assim como a nos nos parece e nem sempre estao por cima da carne seca. Renato, meu bem, get over it!!! Kylie Minogue eh legalzinha, mas nao esta com td isso nao. Sera q esta na hora de vc arrumar algo pra fazer??? Somente plantando sementes, nada mais.
 
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