Hadouken! - Music For An Accelerated Culture
Banda inglesa corre para fazer parte de uma cultura acelerada
14.05.08 18:05
Adoro a juventude irônica. Ela cria regras de comportamento para fugir daquelas estabelecidas pela geração anterior e acaba se vendo presa entre quatro paredes que ficam mais apertadas a cada semana que passa, enquanto o movimento que ela ajudou a definir definha. Mas onde está a ironia disso tudo? No título do álbum de estréia do Hadouken!, Music For An Accelerated Culture, e nos novos sons explorados.
O Hadouken! surgiu de uma escola tipicamente inglesa, o grime. O quinteto de Leeds pegou as letras extremamente descritivas desse estilo, que quando cantadas com urgência podem ser confundidas com uma ligação desesperada para o 192. Mas no lugar de ‘minha mãe está caída no chão da cozinha, preciso de ajuda', estão as letras venenosas sobre ‘meninas com cabelos estilo Lego e vestidos de bolinhas' e como as pessoas ‘vão a shows e não dançam porque são cool demais pra isso'. E o cinismo apontado para a própria cena funcionou perfeitamente, a banda armada de seus skinny jeans fazendo música para a geração skinny cantando sobre pessoas em skinny jeans coloridos. Produto feito e pronto para se auto-consumir.
O problema é que a mesma urgência que os tornou importante, os datou antes mesmo de chegarem a sua estréia. O grindie (grime + indie) flúor da banda já soava velho demais para rechear o CD de alguém com a etiqueta "sensação do momento". E ao invés do Hadouken! procurar diferentes meios de trabalhar o seu som, eles covardemente se tornaram algo novo. Algo não mainstream, porém com público o suficiente para que eles tenham uma sobrevida longa o bastante para descolar um dinheiro.
Apelaram para uma mistura de rock/emo (eles sempre foram from uk mesmo) usando os dois mesmos kits de sintetizadores em todas as faixas. E no mesmo tempo que isso gera uma identidade única e bem forte, mata todas as chances deles conseguirem surpreender entre uma faixa e outra. A grande maioria das faixas se baseiam em uma bateria de bpm bem alto que flerta com drum'n'bass, sintetizadores que não se decidem entre trance e 8-bit, o vocal cheio de serotonina meio sub-Mike Skinner (The Streets) meets Keith Flint (Prodigy).
PÓS-PRODIGY
E para evitar o ar de janta requentada das onze faixas presentes no álbum, nove delas são músicas inéditas. Porém não há como negar que as duas antigas, em versões melhor gravadas, destroem toda e qualquer coisa que o H! venha fazer ou se tornar. "That Boy That Girl" e "Liquid Lives" são similares em forma e sonoridades, mas pelo menos te atiçam a rodopiar por pistas de dança ou a encarnar o seu lado rapper e tentar acompanhar o mais rápido possível a sua letra rasteira.
A verdade é que eles não estavam preparados para serem jogados como um dos principais nomes de movimento algum. Ainda estavam se descobrindo quando foram descobertos. Porém por mais que eu goste de todo o conceito "descomprometimento" e "diversão" que eles revelaram a princípio, quando colocados contra a luz eles falharam em entregar hits suficientes para enfrentar o next big thing. Que, como sempre, vem. Na velocidade da luz.
Parabéns ao Raphael e INSERT COIN ao Hadouken. You lose!!!