Banda fazia house fino no começo da década, em CD que sofreu por seus samples ilegais
A Austrália é a nova Suécia. Já faz um tempo (quem lê bastante o rraurl já percebeu) que a terra dos cangurus é um infindável celeiro de pop eletrônico. O som de grupos como Midnight Juggernauts e
Cut Copy foi responsável por uma verdadeira (e saudável) enxurrada de novidades e belos discos, combustível para infinitos festivais gringos. Mas se engana quem acha que a invasão australiana começou agora em 2008.
No final dos anos noventa uma dupla vinda de Sidney lançou um dos principais álbuns dançantes da época.
Sambanova, do PNAU, chegou às lojas através de uma major - a Warner - e faturou depois o ARIA de dance music (espécie
Sambanova

de Grammy
aussie). Mas a exposição trouxe efeitos colaterais ao disco. Por conter samples ilegais,
Sambanova foi retirado das prateleiras e queimou o currículo do duo, apesar do bom trabalho feito no disco.
Naquela época, o PNAU - formado por Nick Littlemore e Peter Mayes - produzia house fina, com samples de saxofone e arranjos instrumentais complexos. Algumas faixas beiravam o ambient, e lembram o que Groove Armada fazia no mesmo período, ainda que de uma maneira mais houseira e distante do reggae praticado pelo GA. Hoje, quase dez anos após o episódio
Sambanova, o Pnau voltou repaginado. Seu quarto álbum de estúdio, homônimo, saiu no fim do ano passado pela etcetc e está bem mais alinhado com o que seus vizinhos de sucesso do synth-rockers andam fazendo atualmente.
METRALHADORA ELECTRO-POPA dupla voltou numa saravaida pop pra clubber nenhum reclamar, abusando de vocais e melodias contagiantes. As raízes mais classudas ficaram para trás, e deram lugar a arranjos que fazem até as vísceras dançarem. Os sintetizadores agora ocupam a posição que antes pertencia a samples de metais, e o conjunto está bem menos pretensioso, apesar do potencial latente. É como se, para evoluir, os australianos abrissem mão de qualquer seriedade e decidissem apostar na diversão em sua forma mais pura. E fazem isso atirando para todos os lados que o pop permite - de leituras punk-rock até baba dance.
O principal hit do novo álbum da dupla é "Baby". O arranjo simples e dançante, embalado por um coro de vocais infantis, garantiu muitas comparações com

D.A.N.C.E., do Justice. Com razão. Mas a rigor, as semelhanças param na criançada cantando junto. O francês
Breakbot, personagem do nosso último radar, meteu a mão na faixa, para o êxtase da esfera blogueira.
E aparentemente, o Pnau voltou mais politizado também. Em "No More Violence", o duo faz um sonoro (e dançante) protesto contra a violência e a repressão. "No more violence! / No more silence!", grita o vocalista sobre synths punk-rockers que fazem lembrar o maximal cunhado no meio dessa década. Logo na seqüência vem "Embrance", um pop de pegada trance, melódico e que soa irônica de tão superficial. Juntos com os vocais bizonhos de "Die With Us", lembra um pouco o lado mais pop dos The Knife (a referência aqui é
Deep Cuts, disco de 2003 da dupla sueca).
Sejam embalados pelos resíduos da new rave ou não, o fato é que o PNAU se manteve competente em construir melodias cativantes, fazendo dançar com facilidade. Se você estiver entusiasmado com a atual cena australiana, não deixe de conferir essa nova fase da dupla, que deve garantir mais momentos de empolgação para qualquer
hipster que se preze. E que não tem medo de ser pop, nem de se divertir.
Agradecimento pelo quote: Tadeu Magalhães