The Beatles - A Biografia
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ficha técnica
Nota: 4.3 / 5
Ano: 2007
Selo: Larrousse
Estilos: biografia
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The Beatles - A Biografia
Tijolo de mil páginas é essencial para entender a importância da banda na cultura pop
27.05.08 14:35
Acho que eu tinha uns 11 para 12 anos quando fiz uma descoberta especial: os discos de vinil dos Beatles da minha mãe. Não sei bem qual foi o primeiro LP dos Beatles que coloquei na "vitrola" que ficava na sala da minha casa antiga na Rua Rodésia, na Vila Madalena dos anos 80. Mas sei porque foi que os selecionei entre os tantos outros da coleção que ela repartia com meu pai. A culpa foi de um pequeno pocket book, herança da época em que meu pai morou na Inglaterra, contendo todas as letras de todos os álbuns da discografia original dos Beatles. A capa era uma ilustração com os quatro integrantes da banda pintados coloridos. É assim que eu lembro. Lembro também que o miolo era composto por fotos de diversas épocas do quarteto, que as legendas eram todas em inglês, que a lateral das páginas era pintada em azul-calcinha e que o manuseio diário do meu pequeno tesouro acabou fazendo o livro se partir em dois, para depois desaparecer da minha vida para sempre. Foi para acompanhar as letras das músicas escritas no livro que eu passei a ouvir, tarde após tarde, sempre depois da escola, os discos que encontrei nas caixas: Please Please Me, With the Beatles, A Hard's Day Night, Help!, Rubber Soul, Revolver, Sgt. Pepper's, Yellow Submarine, o álbum branco e umas edições nacionais com cara de coletânea.

Jovenzinhos, em Hamburgo
Jovenzinhos, em Hamburgo
Meus pais tinham uma coleção incrível de discos, à qual eu e minha irmã ficamos expostas muito cedo, ouvindo de Gershwin a Caetano Veloso fase Transa, do Tropicália a álbuns da Ella Fitzgerald, de Michael Jackson (minha primeira obsessão musical, assunto pra outro texto) a Jimmy Hendrix, Stones, Debussy, Gilberto Gil, Tina Turner, Bach... Tinha um pouco de tudo, sempre bom. Mas nada teve o mesmo efeito das canções do essencial quarteto britânico. Em tardes solitárias eu sentava do lado da vitrola e ouvia, música após música, sempre acompanhando as letras e sonhando ter nascido uns 25 anos antes. Eu não fiquei com nenhum dos discos deles quando mudei de casa, mas a "fase Beatles", intensa e profundamente ligada ao tal livrinho e à vitrola Phillips que ficava na sala, durou algo em torno de um ano e rendeu o gosto que me acompanhou para o resto da vida. Mesmo assim, foi só agora, em 2008, passando dos 30, que comecei a fazer minha própria coleção da discografia em vinil (com os álbuns lançados pela banda, não pelos estúdios). O primeiro? Revolver.

Tive uma motivação atual para isso, claro: ganhar de presente de aniversário aqui do povo do rraurl a mega-biografia The Beatles - A Biografia, de autoria do jornalista Bob Spitz, lançada em 2006 nos EUA e em 2007 no Brasil pela Larousse. Por mais que os Beatles tenham estado sempre presentes quando eu passei por fases de outras bandas preferidas (o New Order também ocupou esse posto) ler o livro os lançou de volta à categoria de banda-da-minha-vida, talvez para ficar. Isso me torna suspeita para recomendar o livro-alvo dessa resenha, mas como esse também é assinado por um fã, tudo bem. Mas Spitz é um biógrafo correto. Ele registra a obra dos Beatles como merecedora da daquela estratosfera pop que eles alcançaram, enquanto é perfeitamente capaz de apontar o lado mau nem sempre dito dessa saga. Afinal, como em qualquer história, essa também tem seus maus momentos, e os Beatles, que entraram para a história como tipos celestiais - principalmente John, que foi praticamente canonizado - tem seus defeitos bastante humanos.

HUMANOS, SIM. PROFUNDIDADE, TAMBÉM
Ringo se deixava abalar pela atenção maior que os outros três recebiam. George se enciumava da genial parceria Lennon-McCartney, Paul era perseguidor ardoroso da fama e John... Bem, John era John Lennon desde o começo e é personagem principal entre figuras principais dessa lenda: nada menos que genial, mas ególatra, grosseiro, teimoso, marido infiel, pai ausente.

É esse lado humano e muito pessoal que essa biografia coloca em minúcias em suas mil páginas (quase um quarto ocupadas por citações de fontes). Daí a necessidade de um livro tão extenso, começando lá atrás, pela história da cidade de Liverpool e pela dos pais dos pais de Lennon. Pode parecer exagerado, e é. Mas a idéia é ser a biografia definitiva de uma banda que já foi muitas vezes biografada, descrita, analisada, criticada, elogiada e citada, ano após ano, nesses mais de 50 anos que separam o começo da lenda dos dias atuais. A diferença da análise de Spitz, beatlemaníaco e autor de outras biografias é essa profundidade. De que outra forma poderia ser?

Nesse formato então o livro dá luz a momentos essenciais da lenda do quarteto de Liverpool, como a infância e juventude de cada um na cidade portuária do sul da Inglaterra, sendo que boa parte se passa durante a adolescência dos rapazes, tendo John como líder e modelo de comportamento errático. A riqueza de detalhes da atribulada vida pessoal de cada beatle, bem como o gosto comum pelo rock'n'roll
A riqueza de detalhes (...) bem como o gosto comum pelo rock'n'roll norte-americano jogam pá de cal sobre a possibilidade dos Beatles serem fabricados - teoria conspiratória freqüente
norte-americano e o desejo de carreira musical como forma de escapar da mesmice imposta pela cidade, jogam pá de cal sobre a possibilidade dos Beatles serem fabricados - teoria conspiratória freqüente. O período dos shows em espeluncas na cidade alemã de Hamburgo, essencial na escalada para o sucesso posterior, também faz esse papel: falta de grana, brigas entre os membros, shows vazios, empresários de estirpe duvidosa, abuso de drogas e bebida, pressões familiares, namoros problemáticos. Tudo isso fez parte do começo da história dessa banda, como de tantas outras bandas. O que então, segundo a biografia escrita por Spitz, pode explicar o estrondoso sucesso, ainda não superado?

QUATRO MÃOS GENIAIS
Em primeiro lugar, a rara sinergia entre dois talentos singulares: Paul McCartney e John Lennon. As fase mais criativas da dupla renderam um verdadeiro legado de canções realmente clássicas, ainda que boa parte delas não tenha sido escrita a quatro mãos - "Michelle" é completamente Paul, "I'm the Walrus" é completamente John, mas um acordo de cavalheiros os fez seguir até o fim assinando as canções de um ou de outro como dos dois.

Mas outros dois nomes, ambos referidos de tempos em tempos como "quintos Beatles", são gigantescamente importantes na história. Um deles é George Martin, o produtor que colocou o estúdio de Abbey Road completamente à disposição dos rapazes e permitiu que gravações eternas fossem realizadas em meio ao mais fantástico caos criativo (principalmente a fase que vai de Rubber Soul ao álbum branco, 1965-68). A participação de Martin na história dos Beatles é frequentemente citada, com todos os motivos do mundo, mas no livro não é assim tão presente, o que faz perguntar se um produtor cinqüentão acostumado com um ambiente mais calmo de trabalho pode ter participado da vida dos outros quatro para ganhar o crédito de "quinto membro". Diferente de outra peça da engrenagem, o empresário Brian Epstein.

Yoko era uma bruxa. Ma non troppo.
Yoko era uma bruxa. Ma non troppo.
Talvez hoje a tendência para remédios, álcool, depressão e drama não causem tanto espanto, mas nos anos 50/60 os ingredientes foram suficientes pra uma série de escândalos envolvendo o empresário dos Beatles. Não que tenha sido sempre assim. Bob Spitz narra a vida de Epstein desde o princípio, da juventude problemática como gay numa tradicional família britânica, dando a ele o peso real de "quinto beatle", indo fundo em diversos dos bafos da vida do empresário. O que talvez seja suficiente para cimentar a importância da participação dele no sucesso da banda - a tensão com John Lennon, os primeiros shows grandes em Liverpool, a tour nos EUA: tudo isso pode ser creditado ao esforço de Epstein. Não é exagero dizer que a falta de pulso de Epstein em relação a sua vida pessoal acabou por botar abaixo a própria carreira dos Beatles. A divergência que se seguiu à morte de Epstein em relação ao novo empresário da banda foi fator decisivo para azedar em definitivo a já desgastada relação de John, Paul, George e Ringo.

YOKO ONO FOI SÓ UM DOS FATORES...
E, claro, existe Yoko. A segunda esposa de John Lennon não é poupada por Spitz, mesmo que nas entrelinhas. Mostrada como uma personalidade manipuladora e de gênio difícil, inteligente e profundamente imersa na tarefa de tornar eterna a persona mítica de John Lennon, o papel da artista performática como vilã do fim de uma era fica mais uma vez eternizado. Mas, ainda segundo a análise crítica de Spitz, a culpa definitiva seria da própria Beatlemania e suas doses seguidas de egotrips, puxa-sacos, muito dinheiro e loucura nem sempre bem-canalizada. Diria George Harrison, em uma citação, que terminar com os Beatles era tudo que desejava, depois de toda a pressão e estresse colocados em cada tour e cada disco por mais de uma década. O fim do sonho, como disse John Lennon, era necessário, para que cada um pudesse seguir com sua vida - com Yoko ou sem Yoko, com Brian Epstein ou com Allen Klein, o derradeiro empresário da banda.

Brian Epstein e Lennon
Brian Epstein e Lennon
A pressão exercida por Paul para que suas idéias fossem aceitas, o desejo de liberdade de George e Ringo, a agressividade irônica de John, os maus contratos financeiros, a perseguição constante da imprensa e as péssimas escolhas realizadas em pontos-chave da carreira: tudo isso é responsável pelo fim do "sonho". Tanto quanto a gravação de "Yesterday", o bom-humor mordaz nas entrevistas do começo, a decisão de não continuar com as apresentações ao vivo, a bateria de Ringo, a criatividade em estúdio e influência estética da fotografa alemã Astrid Kischherr são essenciais para a consolidação da lenda.

É essa história, que vai de Liverpool a Nova Iorque,e centra em quatro personagens e envolve pelo menos outras dez vezes mais figuras, que é tão essencial na narrativa na cultura pop mundial e que tem na chegada da banda aos EUA um momento-chave da música do século 20, que Bob Spitz conta com minúcias e detalhes envolventes. Quase mil páginas essenciais não apenas para quem é fã da banda (como eu), mas para quem gosta de música e pretende conhecer e escrever sobre.

Os Beatles chegam a NY em 1964


Beatlemania pessoal
por Gaía Passareli

Meu Beatle Preferido: George Harrison. Mesmo apagado pelos egos gigantescos dos dois líderes da banda, obras-primas da discografia do quarteto compostas por George não passaram batidas nem naquelas solitárias tardes com meus discos de vinil velho. Mas eu sempre fui de outsiders. O fato de George sempre parecer o mais disposto a terminar a banda durante toda a narrativa do livro foi um pouco chocante.

Minha música preferida: Difícil. Fico entre "Helter Skelter", "Dear Prudence", "Ticker to Ride" e "When I'm Sixty-Four". "Lovely Rita", "For no One" e "In my Life" podem entrar na parada dependendo da fase emocional que eu estiver atravessando. Minha música preferida do George é "While my Guitar Gently Weeps", que me fez querer tocar guitarra quando eu tinha uns 13 anos, idéia que durou apenas até eu entender que jamais tocaria como o Eric Clapton, que é quem faz a guitarra na gravação do álbum branco. O hino "She's Leaving Home" arranca lágrimas discretas a cada solitária audição. Se precisar mostrar que conheço a banda de verdade, minha música preferida, honestamente, é "And Your Bird Can Sing", lado B do Revolver, de Lennon, que nunca é citada, mas eu acho que essa faixa sintetiza tudo que fez dos Beatles uma grande banda: a clareza vocal, a guitarra, a despretensão, a melodia inspirada no que o rock norte-americano dos anos 50 tinha de melhor.

Meu disco preferido: o disco duplo homônimo que todo mundo chama de "álbum branco" é meu preferido por questões sentimentais - foi um dos primeiros CDs que eu comprei. Apesar de tanto Rubber Soul quanto Revolver serem momentos especiais, acho Sgt. Pepper's o único álbum irretocável da discografia. Mas penso que Let it Be,, o derradeiro, é o disco mais completo e bem acabado.

Confissão: Eu gosto pra caramba da carreira do Paul McCartney pós-beatles, especialmente da fase Wings e de "Band on the Run". Meu sonho é ver o show dele ao vivo, inclusive "Hey Jude" cantada a plenos pulmões em um estádio lotado de gente, algo assim. De todos os Beatles, nenhum, nem John, tinha mais star quality do que Paul. O divórcio recente dele não me deixa mentir.

Gaía Passarelli
Gaía Passarelli
me and my bang
comentários
Qian
Qian(30.05.08)
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And Your Bird Can Sing é ótima!! Strawberry Fields Forever é uma cuja a harmonia é maravilhosa!
Disco dos Beatles, apesar de achar que de Beatles For Sale em diante os caras foram produzindo uma obra-prima após a outra, nao dá para não eleger Sargent Peppers. Um disco onde uma das músicas mais memoráveis foi o resultado da combinação de duas músicas absolutamente distintas compostas por John e Paul - no caso A Day In the Life - dá bem a tônica da revolução causada.

Os caras fizeram em 10 anos o que banda alguma fez em anos e anos. Respeito Stones, mas não dá para negar que os Beatles em 10 anos evoluiram seu som muito mais do que o Stones nesses 40 e tantos.
CaiovzKy
CaiovzKy(29.05.08)
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AH! Jota nem concordo com voce (cada um com sua opiniao) mas acho que nao se deve dizer que o Beatles seja o numero 1º pois vem varias bandas dessa epoca que fizeram historia e contribuiram bastante com o Rock & Roll...e o Hendrix, Pink Floyd, Doors isso sao exemplos hein...
Jota Wagner
Jota Wagner(29.05.08)
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ranking das 5 melhores bandas de rock de todos os temos:
1. Beatles
2. ninguem
3. ninguem
4. ninguem
5. Stones
e depois vem o resto...
:)
CaiovzKy
CaiovzKy(28.05.08)
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beatles eu conheci quando eu tina uns 5 anos (é verdade viu) meu pai era fã do beatles e tinha varios vinils (fico com a 1ª esposa) so que meu pai fico com os videos ae sempre assistia os videos com ele, e ate sozinho, ae tambem ele sempre comprava os cds e eu escutava é logico...belo texto....Beatles is forever, mas Led Zeppelin é melhor hahahah!!
Super vontade de ler.