Banda volta com novo disco direto ao topo do chart da Austrália, sua terra natal.
10.06.08 16:45
No Brasil, Van She. No Coacha, Cut Copy e Midnight Juggernauts. Das minhas experiências pessoais com a nova-boa-incrível-safra de grupos australianos ao vivo, nada muito sensacional: bons jovens músicos, tímidos com a imensidão do sucesso defronte milhares de pessoas - ou público morno mesmo. Mas tem uma banda de Sydney que, reza a lenda, é das mais incendiárias a frente de multidões: o The Presets, da prolífica Modular Records.
Misture afetação explosiva de Depeche Mode, vozeirão barítono e nada insossas linhas de electro/acid bem (ed)bangers. Pronto, pode fazer o seu mosh, eis os Presets! Julian Hamilton e Kim Moyes são a dupla a frente da banda, neo-trintões estudantes de música que dividiam seu tempo entre cordas clássicas e shows do Chemical Brothers, formando uma banda de pop esquisito (Prop), e interagindo com a turma do Silverchair, lembra? Aqueles que já foram os mais famosos (e esquisitos) do rock australiano por um bom tempo.
O Presets está de volta agora em 2008 com Apocalypso, segundo álbum de colossal grandiosidade electro, uma bolha sonora e tensa prestes a explodir, assim como o ego dos dois e a voz de Julian, esta uma versão jovem e suada do gogó de Justin Warfield (She Wants Revenge). Sim, o clima é goth, e se alguma banda da nossa década lembra o Depeche Mode, esta é o The Presets. Aquele sofrimento cantarolado em melódica agonia (quase metal romântico; ouça "If I Know You"), ou malandragem cuspida em safadezas funkeadas, desarranjadas com o sintetizador onipresente do álbum. É o caso de "Yippiyo-ay", das melhores do disco, de acid em baixo BPM e molejo techouse.
BERLIM - LA - SIDNEY Apocalypso é um louvável avanço de produção da dupla, que estreou em 2005 com o já aclamado Beams, celeiro de experimentações electro-pop mais inofensivas; tanto é que o hit desse debut é "Are You The One", música que exemplifica a linha que o segundo CD toma, quase que integralmente.
O disco saiu após dois meses de retiro numa fazenda australiana, mas combinou os ouvidos berlinenses da dupla (baseados na capital alemã para a tour européia de Beams) e foi masterizado em LA, terra de deslumbre e alpinismo social que reflete bem a aura fashion e a pretensão latente de Julian e Kim. Por essas e outras fica o mistério sobre a sexualidade dos dois, veja o vídeo homoerótico de "This Boy's in Love", segundo single e melhor música de Apocalypso, uma das dez faixas do ano, pode apostar.
The Presets - This Boy's in Love
A rasgação electro é bem fundida com o piano épico tranceiro, uma das influências eletrônicas que Berlim trouxe a esse novo trabalho, fato confirmado em entrevistas. Mas é até difícil notar algumas bases bem construídas - como sugere a etiqueta eletrônica berlinense. E tudo está bem longe do minimal de Friedrichshain. "Eucalyptus" poderia ser Nine Inch Nails remixado pelo Prodigy, e "Talk Like That" tem a base quase imperceptível pelo primor vocal de Julian, que canta no refrão sem o ouvinte entender tratar-se de uma inserção humana ou robótica.
O clima profético-religioso dos vocais cai como luva no pesado zumbido eletrônico do disco, no melhor jeitão francês. O single de estréia "My People" é dos hits do momento na Austrália, terra onde eles são grandiosíssimos (eles e o Cut Copy, ambos #1 nos charts com seus últimos discos). Apesar de o Apocalypso reservar momentos etéreos no final ("Aeons" e "Anywhere"), dá para encontrar pitadas de acid, neo-trance e techno, a costurar a narrativa do disco com tais momentos letárgicos.
Não seria exagero dizer que o Presets é o Justice francês, mas esses australianos são humanos demais e ilustrativos de menos, eles querem ser vistos como as estrelas e o som que emerge dos palcos insandecidos. Nada melhor do que tirar a prova vendo o apocalipse deles ao vivo em sua terra natal.
De fato, Spleen United é bem honesto. Enfrentei todos os meus preconceitos (nórdicos, branquelos e o hediondo binômio electro-rock) para dar uma chance a eles em "Godspeed Into The Mainstream" e não decepcionou nem um pouco, a produção do Carsten Heller do Shanks amarrou bem o álbum, q é repleto de boas idéias. Nem sabia q tinha álbum novo deles, vou ouvir...
Gaía, para mim, até agora o melhor disco do ano é o Spleen United. No segundo lugar vem o Presets empatado com o Cut Copy. Mas ainda tem discos dos autoKratz e The Faint por aí ... na verdade eu gostaria de descobrir o melhor disco do ano toda semana. E na sua preferencia até agora, como está a lista?