Go! Team, na passagem de som
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Go! Team, na passagem de som
Trombamos com Ninja, líder da banda, no camarote da banda nos fundos do Ibirapuera, onde rola o Motomix amanhã
27.06.08 22:10
Não me peça detalhes, mas o fato é que eu estava às 17 horas no portão 10 do parque Ibirapuera a caminho da única entrevista solo que o Go! Team iria conceder à imprensa brasileira. Conforme me aproximava do palco, pela lateral do Museu Afro-Brasil lá do Parque do Ibirapuera, conseguia, aos poucos, distinguir as inúmeras trombetas, trombones e trompetes dos samples recortados por Ian Parton; as guitarras estarrecidas de Kaori Tsuchida; o baixo grooveado de Jamie Bell e a bateria dupla comandada por Sam Dook e Chi Fukami Taylor. Tudo isso criando uma melodiosa cama instrumental para o agressivo e fresco rap de Ninja. Quando finalmente cheguei ao palco, cinco minutos após ouvir os primeiros acordes da trupe, acompanhei junto a um bando de ciclistas curiosos a passagem de som de uma das mais aguardadas performances do festival Motomix.

"Keys To the City" ecoava pelo pequeno espaço montado no estacionamento do parque, dividindo ambiente com carros ainda em suas vagas, barracas de salgadinho, um ambulatório, banheiros químicos e o gigante Cubo Multimídia (que projetará intervenções de vídeo durante o festival). Ian parecia nervoso: reclamava alto no microfone, dando coordenadas para os técnicos de som e para seus colegas de banda. Ninja sorria. Eu também.

Após a passagem de mais duas ou três faixas, que incluia "The Power Is On", do primeiro álbum Thunder, Lightning, Strike, a banda aos poucos se retira do palco e assessora de imprensa do evento me aconselha a aguardar ao lado do camarim; eles vieram direto do aeroporto para os palcos e estavam virados de seu último show. Depois da banda decidir que vocalista Ninja daria a entrevista, fui chamado para o camarim do sexteto. Como um bom brasileiro, minha primeira reação ao vê-la foi cumprimentar com um beijo na bochecha. De prontidão, ela teve uma crise de riso e exclama "por que todas as pessoas aqui me escolhem para dar beijo?". "Se você for para o Rio de Janeiro, vão te dar DOIS beijos!", expliquei. Ela sorri e diz "então eu não vou mesmo pra lá!".

Como foi na Argentina?
Foi bem legal. Nós nos divertimos bastante.

Já deram uma volta por São Paulo?
Não, nós acabamos de chegar, direto do aeroporto. Nem conseguimos passar no hotel, nem nada. Mas no caminho passamos por várias casas contruídas por...

Madeiras?
Sim, restos de madeira, bem triste.

E onde vocês tocaram na Argentina?
No mesmo festival daqui, Motorockr, em uma batalha de bandas.

Com as mesmas atrações?
Sim.

Vocês batalharam contra quem?
Não, não participamos da batalha. Eram apenas as bandas locais e um punhado de famosos argentinos no juri.

Li que você, no começo do The Go!Team, odiava as bandas com quem dividia os palcos. Tem uma frase famosa sua que diz "o indie é chato". Você ainda acha isso?
Eu cresci em um background diferente, ouvindo hip-hop e vários tipos diferentes de música, mas nunca fui uma fã de rock ou de indie. Especialmente na Inglaterra, eles se vestem igual, tocam igual...

As famosas bandas da NME...
Falando na NME, a NME não gosta da gente. Eles não gostam de garotas, não gostam do The Go!Team.

Eu tenho uma edição da NME com uma matéria de página dupla com você.
Pois é, mas eles não costumam colocar garotas na capa da revista deles. Eu gosto de artistas que sejam um pouco diferentes.

Que tipo de sons, produtores e bandas você gosta?
Eu não tenho nada que eu goste em particular sobre algum artista. Pode ser sobre o jeito que ele age, a imagem. Eu gosto de M.I.A., Santogold. Eu gosto de como elas são únicas, não copiam ninguém. E não estão tentando vender sexo. Elas estão lá mais pela música do que pelo tanto de pele que elas podem mostrar. Por exemplo eu não gosto de rock, mas assisti uma apresentação do Hives e eles eram muito muito bons ao vivo. Para mim, eu procuro algo peculiar sobre cada artistas que eu venha a gostar.

Você gosta do Bonde do Rolê? Eles tocaram no último álbum da banda. Quer dizer, Marina, a ex-vocalista, cantou em algumas faixas.
Eles cantaram umas frases soltas que foram recortadas e usadas ao longo do álbum. Eu não conhecia muito deles antes disso, mas é bom estar se relacionando a artistas que não são tão populares e, por isso, as pessoas não os respeitam mais. É bom trabalhar com pessoas diferentes que fazem algo novo. É inesperado. É a cara do Go! Team, sabe?

Sim, até porque vocês são uma mistura de soul, com rap, rock e os samples. Você que cria todas as linhas vocais da banda?
Sempre que eu estou no palco. No show eu sempre canto as letras diferentes do álbum. Eu escrevo minhas próprias letras. Já no álbum, varia. Algumas pessoas escrevem suas próprias letras. Como por exemplo, o Chuck D do Public Enemy escreveu suas rimas.

Vocês sampleam a parte dele nos shows?
Não, nós tocámos uma versão diferente ao vivo. Se eu tentar ser ele, as pessoas irão me vaiar!

Como foi trabalhar com Simian Mobile Disco?
Fui bem interessante. Eu não sabia que eu ia gravar com eles, eu nem sabia quem eles eram. Me chamaram para um encontro e fui lá conhecê-los. E foi bem legal. Eles gravaram um monte de frases soltas minhas.

Então você não sabia que faixa estava gravando?
Não. Eu rimei sobre um monte de batidas, eles não sabiam qual delas eles iriam usar. E eu fiz um monte de rimas bem cafonas e bestas. Mas eu gostei, quer dizer, não é o tipo de música que eu ouço, mas é interessante trabalhar com diferentes produtores.

Qual é seu remix favorito do Go! Team?
Eu não ouvi muitos deles!

Mas o Simian Mobile Disco remixou vocês, não?
Sim, eu provavelmente deveria escolher o deles, mas a verdade é que eu não ouvi. Ligue para minha gravadora, eles escolherão um bom.



Você conhecia o Go Team dos anos 90?
Não, só ouvimos falar deles após ficarmos conhecidos.

Por isso vocês acrescentaram o ponto de exclamação?
Não, o ponto de exclamação significa excitação. Tipo GO! Team.

É verdade aquela história de que Ian colocou um anúncio dizendo "Procura-se rapper mulher" e você respondeu "Encontrada"?
Eu estava na universidade quando achei o anúncio na internet. E sim, foi assim que eu respondi para ele. Nunca aconteceu um "você quer se juntar a banda?" - eu não sabia o que ia acontecer. Nós fizemos alguns shows e fomos muito bem, daí ele me chamou para fazer mais shows. Eu não queria entrar numa banda, mas como nos demos tão bem eu acabei ficando.

Já que Ian criou as bases do Go! Team sozinho, Você pediu para mudar alguma coisa no som da banda? Tipo queria que ela soasse mais hip hop, pediu para tirar o excesso de guitarras e etc?
Eu não estaria na banda se eu não tivesse certeza que eu me encaixaria nela. Se fosse uma banda de rock, eu não me juntaria a ela. Então eu ouvi algumas coisas e percebi que tinha muito espaço para eu trabalhar. Você não consegue ser um rapper numa música de rock.

Eu li que você pretende lançar um álbum solo. Em que pé está o projeto?
Eu estou sempre escrevendo, escrevo há anos. Então eu tenho várias letras, várias batidas, muitas idéias, mas ainda não tive a chance de entrar no estúdio. Sou muito criativa, sempre ouço coisas novas, inclusive um monte de música brasileira. Me deram várias CDs brasileiros e africanos. Percebi que as batidas africanas são muito muito parecidas com as brasileiras. Eu tenho umas cinco ou seis coletâneas de música brasileira. Eu amo, mas não consigo lembrar o nome de nenhuma.

Ah, que pena. Ei, e aquela história do GMAIL russo roubando uma música de vocês?
Alguém nos contou sobre isso. Nós tentamos falar com alguém, porque não estávamos felizes com isso, mas não tinha muito o que fazer. O problema é que a versão é bem cafona. A gente pode processar o Google e ficar milionário, daí todo mundo largava a banda e ia viver de renda.

(O Go! Team todo ri)

Até porque o Go! Team já recebeu umas ofertas de propagandas que foram recusadas, como uma do McDonald's...
Nenhuma banda quer associar sua imagem ao McDonald's, porque irá perder credibilidade. Já tiveram outras que negamos, mas algumas já aceitamos. Somos uma banda cara para viajar, então temos que ser práticos. São muitas pessoas e muitos intrumentos.

Qual versão do primeiro álbum você gosta mais? (O álbum foi lançado primeiramente na Inglaterra com vários samples, que foram proibídos nos EUA)
Para ser honesta, não consigo notar a diferença. Eu gosto dos dois e talvez o Ian, por ter criado os dois, consiga dizer a diferença, mas eu não consigo.

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Depois disso, entramos em uma longa conversa sobre música pop, American Idol e como ela odiava a Duffy. Então ela perguntou "Você parece jovem, quantos anos você tem?". Após responder (21), ela disse rindo que não ia mais falar comigo, pois estava escurecendo e meus pais poderiam estar preocupados. Na verdade, a banda interia estava nos olhando, bravos, porque queriam voltar para o hotel após ficarem 48 horas acordados. Queriam dormir. "Te vejo amanhã? Amanhã vai ser ótimo". Não sei porquê, mas eu realmente acredito nela.

Raphael Caffarena
Raphael Caffarena
bad rabbits and good habits.