Grace Jones - Island Life
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ficha técnica
Nota: 3.9 / 5
Ano: 1985
Selo: Island Records
Estilos: disco, reggae, funk, dub, new wave
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Grace Jones - Island Life
Coletânea traz o melhor da diva negra na poderosa gravadora Island
11.07.08 14:20
Grace"Grace Jones é uma big star. É o rosto que inspirou milhões de cortes de cabelo iguais ao dela, e mais sósias do que Michael Jackson e Prince juntos. Foi ela quem fez Arnold Schwarzenegger reclamar que estava batendo com muita força nele nos sets de Conan, O Bárbaro. Quando ela anda na rua, todo mundo pára."

Assim começa o texto escrito por Glen O'brien na contra-capa do disco Island Life, o registro definitivo da carreira da ex-modelo jamaicana que um dia virou cantora, atriz, barraqueira de primeira classe e, por fim, um grande ícone de estilo.

Island Life é uma coletânea dos principais singles lançados por Grace durante o tempo em que esteve na gravadora Island Records. Fundada na Jamaica em 1959 por Chris Blackwell e Graeme Goodall, a Island Records se transferiu para a Inglaterra em 1962 e, até ser comprada pela Polygram em 1989, era o selo indie de maior sucesso na história. Em 1998 a Polygram e todos os seus selos foram adquiridos pela Universal Music.

Foi sob os cuidados da Island que Grace lançou seus principais discos: Portfolio (1977), Fame (1978), Muse (1979), Warm Leatherette (1980), Nightclubbing (1981), Living My Life (1982) e Slave To The Rhythm (1985). Com exceção do álbum Muse, todos os outros estão presentes com pelo menos uma faixa em Island Life.

Colocados de forma cronológica, mostram a evolução do som da cantora, que começa como uma disco queen na segunda metade dos anos 70 e se transforma num dos mais reconhecíveis rostos dos anos 80, flertando com a new wave, o reggae e o funk.


AS FAIXAS DE ISLAND LIFE
PortfolioLA VIE EN ROSE
Clássico da chanson francesa em versão pré-disco com toques de bossa nova. Foi o primeiro single de sua carreira como contratada da Island (Grace já havia lançado outros dois singles por selos bem pequenos ainda na França - leia texto abaixo). A versão original tem pouco mais de sete minutos, onde a voz de Grace soa mais impressionante que nunca.

I need a man
Pura disco, evidenciava o principal apelo de Grace na época: a sexualidade forte e dominante. Foi o primeiro single gravado por ela, lançado pelo minúsculo selo Orfeus, quando ainda trabalhava como modelo em Paris. Depois a faixa foi re-escrita e lançada oficialmente pela Island em Portfolio. Todos os álbums de Grace desta época foram produzidos por Tom Moulton, guru das discotecas responsável pela invenção do "remix", produzindo pela primeira vez versões diferentes de faixas conhecidas lançadas em singles de 12 polegadas - músicas que traziam a etiqueta "A TomMoulton Mix" no seu rótulo eram sucesso garantido.

DO OR DIE
Principal single de seu segundo disco, foi um enorme sucesso, chegando no Top 10 das paradas dance. É a última faixa desta fase presente nesta compilação, e por coincidência a melhor. "Do Or Die" fazia parte da performance de Grace em que ela aparecia numa jaula acorrentada como seu fosse uma onça selvagem e louca por sexo. A faixa tem mesmo um clima de "auditório" e o seu break bem no meio (infelizmente cortado pela metade na versão edit presente nesta coletânea) é genial.

do or die


Estes três singles também foram muito tocados no Brasil, e foram inclusive incluídos em trilhas sonoras de famosas novelas da época: "I Need a Man" em Sem Lenço, Sem Documento (1977); "La Vie En Rose" em O Pulo do Gato (1977/78), e "Do Or Die" em Pecado Rasgado (1979), todas da Rede Globo.

PRIVATE LIFE
Cover da banda The Pretenders, escrita pela lendária Chrissy Hinds e lançada em 1978 no album homônimo da banda. Foi o primeiro single de Warm Leatherette, que marcou o início da nova Grace Jones, que saia da era disco e entrando com tudo na new wave. Foi a partir deste álbum que ela passou a ser levada a sério como artista. O ótimo video da música trazia a cantora em close enquanto retirava várias máscaras que duplicavam a forma de seu rosto, tudo gravado em um único take.

LOVE IS THE DRUG
Cover do Roxy Music, gravada originalmente em 1975, e aqui transformada numa faixa new wave com pegada bem rock. Foi o segundo single de Warm Leatherette. Remixada em 1986, conseguiu um pequeno sucesso no Reino Unido. Em seu show/documentário A One Man Show, um exército de clones perseguem Grace ao som desta música.

NightclubbingI'VE SEEN THAT FACE BEFORE (LIBERTANGO)
Misturando o tango clássico de 1974 do argentino Astor Piazolla com uma poderosa base reggae, a faixa estava presente no álbum Nightclubbing, considerado por muitos como seu melhor trabalho. Uma parte dos vocais é declamada em francês. Uma rara versão em espanhol foi lançada em compacto de sete polegadas, chamada "Esta Cara Me Es Conocida".

PULL UP TO THE BUMPER
A mais funk do disco, e uma de suas melhores gravações até hoje, co-escrita pelos gurus do reggae/funk Sly Dunbar e Robbie Shakespeare. A letra da música era uma clara descrição de um ato sexual, com Grace comparando o membro de seu companheiro à uma "limousine preta".... "Pull up to my bumper baby / In your long black limousine / Pull up to my bumper baby / Drive it in between"

WALKING IN THE RAIN
Terceira faixa retirada de Nightclubbing, cover da banda new wave australiana Flash And The Pan. É sinistra e misteriosa, sugerindo, como o próprio nome diz, uma perfeita "caminhada embaixo da chuva". Nightclubbing, o disco, trazia também uma versão da música de mesmo nome composta por David Bowie e Iggy Pop (gravada originalmente por Iggy em seu álbum The Idiot de 1977), e "Demolition Man", escrita pelo Sting para o The Police.

My Jamaican GuyMY JAMAICAN GUY
Beats africanos, base reggae e a voz de Grace cantando sobre seu garoto jamaicano, mais uma vez com as poderosas mão de Sly & Dunbar. A faixa está presente no álbum Living My Life, e a capa do single mostra Grace mais africana do que nunca, em uma icônica produção de Jean-Paul Goude. Já a capa do álbum mostra o seu irmão gêmeo na vida real (que agora é bispo) também produzido por Goude.

SLAVE TO THE RHYTM
Maior sucesso de Grace e verdadeira marca registrada sua, Slave To The Rhythm era um álbum que trazia outras oito versões da mesma música, uma completamente diferente da outra. A mais radical de todas, a versão "Operattack", trazia apenas vozes, que se sobrepunham e formavam um coro harmonioso que acabava em uma enorme bagunça. "Slave To The Rhythm", a música original, parecia uma história, com várias mudanças de andamento e clima.


A PRODUÇÃO DA CAPA
Quem olha a capa de Island Life deve pensar que Grace devia ser uma versão supersexy da Daiane dos Santos, né? A posição em que ela se equilibra (chamada de arabesque no ballet) é ao mesmo tempo incrível, mas também anatomicamente impossível!

O design da foto foi criado em 1978 pelo artista francês Jean-Paul Goude, ex-marido de Grace, e que cuidou de toda a parte visual da carreira dela durante um bom tempo. O famoso vídeo de "Slave To The Rhythm", por exemplo, nada mais é que uma compilação de alguns dos melhores trabalhos da dupla.

"A não ser que você seja extraordinariamente elástico, não é possível executar essa posição desta forma. O fato principal é que Grace não conseguia fazê-la, e essa foi a motivação maior do nosso trabalho: criar uma ilusão que fosse acreditável", declarou Jean-Paul Goude.

Island Life cover


Goude fotografou Grace em diversas posições, enquanto ela se equilibrava em caixotes e escadas. Depois fez uma montagem com as melhores poses, resultando na incrível imagem final. Tudo isso só com estilete, tesoura e régua, muitos e muitos anos antes do Photoshop sequer existir.
MP3
Flash Content
Grace Jones - Do Or Die (mp3)

Flash Content
Grace Jones - Pull Up To The Bumper (mp3)

Flash Content
Grace Jones - My Jamaican Guy (mp3)

Flash Content
Grace Jones - Slave To The Rhythm (mp3)


Alisson Göthz
Alisson Göthz
live from vlad dracul's castle, romania
comentários
Alisson Göthz
Alisson Göthz(14.07.08)
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sim, a capa dos dois foi produzida pelo Jean Paul Goude, ele tem toda uma série de trabalhos usando essa técnica de "esticar" partes do corpo usando recortes! Não citei pois a resenha já estava ficando longa demais... hehe
Raul Cornejo
Raul Cornejo(14.07.08)
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E só complementando: "Pull Up To The Bumper" é uma das músicas mais funky q eu já ouvi, só a letra já embolsa o Prince e o Rick James em termos de safadeza metafórica (sem falar em "Nipple To The Bottle"). Mas a capa de "Slave To The Rhythm" de 1985 q aparece ali em cima com o busto dela "estendido" possui uma notória semelhança com a capa de "Sleep It Off" da Cristina, ex-Kid Creole & The Coconuts, de 1984. Confiram (e sim, eu sei q sou chato com essas merdinhas): http://www.discogs.com/viewimages?release=112269
Rodrigo
Rodrigo (14.07.08)
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ela tem um corpo LINDO!
Raul Cornejo
Raul Cornejo(12.07.08)
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Linda resenha e q me faz pensar q faz falta um álbum assim hj em dia. Acho q dos q já ouvi e atiram para todo lado mas nunca erram o alvo, só o da Santogold chega a esse nível de consitência apesar (e por causa) do ecletismo. Eu só acho q o texto ficou devendo uma menção maior ao Compass Point, q foi o estúdio q ajudou a moldar o som dela. Uma instituição local q praticamente era a casa dela em Nassau, e q tem uma história muito profícua.
Augustuzs Neto
Augustuzs Neto(11.07.08)
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Um clássico que soa bafônico até hj.
 
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