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Spoken Word é uma forma de performance artística que envolve literatura (seja poesia, letras de música ou mesmo contos e estórias) quase sempre em conjunto com a música, que neste caso ocupa o segundo plano. A performance geralmente ocorre no palco, onde o artista lê em voz alta seu trabalho (ou de outros autores) para uma platéia.
É uma arte que geralmente lida com textos de protesto ou confissões pessoais, com cunho bastante alternativo, muitas vezes com temas sociais e políticos. A performance não é exclusiva de artistas ligados à música e a literatura: vários atores e atrizes, como Claire Bloom, William Shatner, Vicent Price e Dennis Hopper também já se apresentaram nos palcos de spoken word dos EUA. Num contexto mais atual, a série de coletâneas
Late Night Tales sempre encerra suas edições com convidados escolhendo faixas de spoken word.
Segue uma pequena lista de músicos e poetas do universo do Spoken Word.
LYDIA LUNCH
Mito vivo da cena underground nova-iorquina, era vocalista e guitarrista do Teenage Jesus And The Jerks, uma das principais bandas da No Wave, movimento musical e artístico do final dos anos 70 e início dos 80 do qual também faziam parte bandas como o Sonic Youth, Suicide e Swans. É também atriz de filmes experimentais e escritora.
A poesia de Lydia é marcada pela forma agressiva e franca com que fala sem pudores sobre sexo e sexualidade, dominação/submissão e opressão - ela própria se define como uma "predadora sexual". Suas apresentações são sempre marcantes e polêmicas. Um
fellatio em dois microfones enquanto recita é só algumas de suas performances.
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Lydia Lunch - Lady Scarface (mp3)
LAURIE ANDERSON
Performática artista multimída americana, Laurie é uma das principais artistas experimentais do nosso tempo. Seja criando seus próprios instrumentos (violinos eletrônicos feitos com fita magnética, bastões de luzes que simulam sons humanos, etc) seja realizando filmes experimentais, o trabalho de Laurie já avança por três décadas.
Seu primeiro single "O Superman" (1981) embora tivesse oito minutos de duração e um instrumental nada dentro dos padrões da música pop, se tornou um grande sucesso comercial e a tirou do restrito universo artsy. Seus temas preferidos sempre lidam com o surrealismo o non-sense. Já se apresentou no Brasil algumas vezes, e é casada com o Lou Reed.
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Laurie Anderson - O Superman (mp3)
PATTI SMITH
Considerada a "avó" do movimento punk graças a seu álbum
Horses de 1975, Patti Smith é uma poetiza que se enveredou pelo mundo da música ainda no começo dos anos 70, e sua história está totalmente ligada ao underground de Nova Iorque. É herdeira direta de escritores "malditos" da geração beatnik americana como Allen Ginsberg, William Burroughs e Jack Kerouac. Sua influência como força feminina dentro da música pode ser percebida em artistas que vão desde Madonna, Pj Harvey até Courtney Love. No final dos anos 80, se retirou do meio musical para se dedicar à família e as poesias e só reapareceu no final dos anos 90. O trabalho de Patti é bastante contestatório e político, e atualmente ela se envolveu com questões como a guerra do Iraque e o impeachment do presidente Bush. Se apresentou brilhantemente no TIM Festival em 2006 e entrou para o importante "Rock'n'Roll Hall Of Fame" no ano seguinte.
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Patti Smith - Horses (mp3)
FARAH
Bom ver que a neo-disco não é só hedonismo. Um exemplo é o trabalho da texana Farah, da turma do selo Italians do It Better (aquele da já histórica compilação
After Dark, que apresentou Glass Candy e afins). No disco ela canta duas faixas, "Dancing Girls" e a morfínica "Law of Life", poesia cética e existencialista a listar as condições errantes do mundo, versos recitados em inglês e persa (influência de sua mãe iraniana). "Burn the idea of consciousness/In the shuddering blindness/We hear thunder/We see clouds" (Queime sua idéia de consciência/na arrepiante cegueira/nós ouvimos trovões/nós vemos nuvens). Farah mandou um VHS dela recitando seus textos para Johnny Jewel, o grande instrumentista do selo de Portland, que ficou fascinado e criou suas étereas bases minimalistas de disco. O
MySpace de Farah já mostra bom material suficiente para um EP. A ver.
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Farah - Law of Life (mp3)
HENRY ROLLINS
Ex-vocalista da banda punk/hardcore Black Fag (1981-1986), e atualmente na Rollins Band, Henry também lançou uma série de álbuns de spoken word, onde apresenta histórias pessoais, como seu difícil relacionamente com o pai violento, seus anos sob forte treinamento disciplinar no exército, lutando pelos direitos humanos e também pelos direitos dos homossexuais - embora seja assumidamente heterossexual. É também ator, tendo participado de séries de TV e filmes de sucesso. Se apresentou com sua Rollins Band no Brasil em 1994/1995.
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Henry Rollins - Clintonese (mp3)
ANNE CLARK
Durante as últimas três décadas a inglesa Anne Clark vem fazendo uma bem sucedida mistura de música eletrônica e spoken word, chegando até a compor vários hits de pista, como "Sleeper in Metropolis", "Wallies" e "Our Darkness". Vinda do cenário punk do final do anos 70 na Inglaterra, o trabalho de ano no princípio era uima dura crítica à sociedade e a falta de caráter humano, e hoje ainda mantém a mesma ideologia, porém tratada de forma menos agressiva. Anne é presença garantida nos principais festivais e eventos ligados à cultura gótica e industrial européia. Leia a
entrevista exclusiva que ela deu para o rraurl nest link.
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Anne Clark - Sleeper in Metropolis (mp3)
Anne Clark - Sleeper in Metropolis