Melt! Festival 2008
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ficha técnica
Nota: 4 / 5
Ano: 2008
Estilos: 4
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Melt! Festival 2008
Confira como foram os três chuvosos dias do festival alemão
23.07.08 16:45
Ferropolis, em Gräfenhainichen, cidade a duas horas de Berlim, recebeu no último final de semana mais de vinte mil pessoas para o Melt Festival. O evento, que chega à sua 11ª edição, aconteceu num genuíno esqueleto da era industrial. De 1958 até 1991 o lugar funcionava como uma mineira de carbono na antiga Alemanha oriental. Depois da queda do muro e do fechamento das atividades da mineradora, Ferropolis sofreu um replanejamento arquitetônico para se tornar um local para grandes concertos.

Neste ano, mais de cem atos, distribuídos em cinco palcos, trouxeram nomes consagrados (e outros nem tanto) de diversas vertentes do rock e da eletrônica. O rraurl esteve lá e conta como foi, dia a dia.

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1º dia - Sexta, 19/julho
FAROFAS, NO-SHOW, ELECTROCLASH, CHUVA E SOL

As portas do acampamento já estavam abertas há mais de um dia, quando as primeiras pick-ups começaram a mandar o som no Big Wheel Stage, espaço reservado para as vertentes minimais da house e do techno. As nuvens carregadas anunciavam uma prática que se tornaria comum até o domingo pela manhã: esconder-se da chuva.
O primeiro concerto (a seco) no palco principal começou com atraso de quase uma hora. Kate Nash, que aos 20 anos de idade explodiu já no seu primeiro cd, Made of Bricks, dividia-se entre piano e violão elétrico. Letras irônicas que registram as desventuras amorosas no dia-a-dia de uma típica garota londrina, aliadas a uma voz potente e uma banda bem entrosada, animaram o público, que em alguns momentos até cantava junto. Destaque para a música "Foundations".

No Gemini Stage, a multidão que esperava a apresentação de Hercules and Love Affair teve que se contentar com Alter Ego (que estavam programados para o final da noite). Por motivos não clarificados pela organização do festival, o grupo de Nova York não tocou. Em seguida vieram Miss Kittin & The Hacker, trazendo o set já bem conhecido do público, as canções de First Álbum (2002), como "Frank Sinatra" e "Stock Exchange". Apesar da ironia das letras, Miss Kittin parecia incorporar aquela boneca kitsch que prefere deixar de lado
Gus Gus
Gus Gus
quando toca sozinha. Como é comum em muitos grupos eletroclash, empunhalou uma guitarra, mas não foi capaz de tocar mais de um acorde ao mesmo tempo. Para terminar, ironizou mais uma vez dizendo que ela e Hacker já estavam velhos e que queriam voltar ao rock. O live de Miss Kittin & The Hacker se apresentará no Brasil ainda em 2008 Terminaram, então, com uma versão de "Suspicious Minds", de Elvis Presley. A farofada techno ficou por parte do duo berlinense Booka Shade, que mostrou muito bem a formula para levantar multidões. Com drum machines, laptops e melodias facilmente assimiláveis, fizeram um live com hits próprios, como "Body Language" e "Get Physical".

Enquanto isso, no Big Wheel Stage, que nesta noite era controlado pelos selos alemães BPitch e Kompakt, o brasileiro Gui Boratto fez um set de quase uma hora e meia, seguido por Modeselektor e Ellen Allien, que terminou com um remix de "Wanderlust", de Björk.

Com a chuva que já dava uma trégua e o sol despontando no horizonte, o palco principal recebeu o grupo mutante islandês Gus Gus, que fez um concerto tendendo ao house progressivo. Os produtores Biggi Vieira e President Bongo trouxeram ao palco um casal de vocalistas e duas backing vocals para dar o tom humano às bases sintéticas de canções como "Need me in Trick" e "Moss".

Para aqueles que não conseguiam voltar para as barracas dormir, o Melt! ainda continuava com o Sleepless Floor até as 17 horas do sábado, quando recomeçava a programação principal.

2º dia - Sábado, 20/julho
EXPERIMENTAÇÕES, CHUVA E LAMA: "What's wrong with you, God?"

No Red Bull Music Academy Floor, era a vez da Man Records, de Berlim, trazer para a Alemanha o funk carioca, que já não é tão carioca assim. MC Gringo ia do português ao alemão com facilidade, mas parecia um pouco estranho quando pedia para os alemães repetirem "ah, a Zona Sul não é deles, a Zona Sul é nossa". Cantava apenas alguns brasileiros que estavam ali, tentando mostrar que sabiam dançar bem no meio do lamaçal. Um cena engraçada: uma menina pulava descontroladamente, espirrando lama para todos os lados. Uma patricinha grita: pára, você esta me sujando! E a doidinha: mas você não está em uma festa de aniversário de criança! Isso é um festival! Com a chuva controlada, Deize Tigrona e Daniel Haaksman (dono da Man Records) entraram no palco, seguidos por Edu K, que não deixou de tocar seu hit "Popozuda Rock and Roll", e Bonde do Rolê, com aquela baixaria ensurdecedora made in Curitiba.

O palco principal começou com o poeta alemão Peter Licht, que fez um concerto tranqüilo, trazendo canções melancólicas carregadas de significado, como "Lied vom Ende des Kapitalismus" ("Canção Sobre o Fim do Capitalismo"). O principal grupo de post-rock da Alemanha, The Notwist, entrou com atraso de 45 minutos por causa da chuva, e fez um dos concertos mais esperados de todo o festival. Apesar de terem apenas lançado novo álbum, The Devil, You and Me, eles basearam o concerto principalmente em músicas do anterior Neon Golden. A canção homônima, que originalmente tem arranjos de música indiana, foi alongada com cinco minutos adicionais de orquestração psicodélica eletrônica. De certa forma, o Notwist seguiu a mesma estrada de grupos de indie rock formados no início da década de 90, migrando das estritas improvisações guitarrísticas para um diálogo mais profundo com a eletrônica.

Depois de Stereo MC's, Franz Ferdinand e Róisín Murphy, o palco principal terminou com a
Goldie @ backstage
Goldie @ backstage
apresentação de Goldie e Metalheadz. Relembrou um dos momentos seminais do d'n'b espacial com "Inner City Life", do seu primeiro álbum, de 1995, Timeless. E para quem achava que ele só traria drum'n'bass, Goldie ainda surpreendeu soltando a original de "Smells Like Teen Spirit", do Nirvana.

O Gemini Stage recebeu às 21h30 o grupo inglês Friendly Fires. O grupo indie-pop, cujo primeiro disco deve ser lançado em setembro de 2008 sob o selo XL Records, teve que parar o concerto no meio por causa da chuva. "What's wrong with you, God?", grita o vocalista Ed Macfarlane. Ao vivo, exalam uma energia muito parecida com The Rapture, mas parece não ter nada de muito novo no front. Uma mistura um pouco mais explosiva e variada veio do caldeirão folk-techno-punk de Jape. Mesmo com a bateria quase imperceptível, as bases eletrônicas pré-programadas acompanhadas de guitarra, teclado e distorções na voz deram conta do recado. Destaque para a canção "Floating".

O Melt Klub teve um dos atos mais absurdos de todo o festival. Trata-se de Rummelsnuff, um alemaozão de mais de cem quilos distribuídos entre músculos de um verdadeiro Popeye gay que solta seu vozeirão rouco entre músicas que vão do punk, ao new wave e industrial. Do outro lado da linha que vai da brutalidade à suavidade, estavam os meninos do The Whitest Boy Alive, que lançaram seu primeiro álbum, o ótimo Dreams em 2006, com uma pegada muito parecida a Kings of Convenience. Canções cheias de sentimento. Voz suave, baixo, guitarra e bateria. Fizeram um concerto disputado, onde nem todos conseguiram entrar.
The Notwist
The Notwist
Para relembrar os dias em que começaram como um grupo de musica eletrônica, terminaram com um cover de "Show Me Love", de Robin S, um hino das pistas no inicio da década.

O Big Wheel Stage, que provou ser o palco mais agradável de todos por não trazer DJs e produtores que consideram a eletrônica como uma seita musical para explodir multidões, mas um ambiente de pesquisa sonora com espaço para melodias harmoniosas e improvisações, começou com o brasileiro Renato Ratier (D-Edge), que foi seguido por Moenster. Os canadenses do Cobblestone Jazz (feat. Mathew Jonson), fizeram um set de house refrescante permeado de samples de piano e saxofone, como St. Germain. Efdemin, que deve tocar no Brasil em outubro, provou mais uma vez porque é um dos expoentes da cena minimal alemã e Steve Bug fechou a noite com a belíssima "House Nation", do House Master Boyz.

3º dia - Domingo, 21/julho
HOMENAGEANDO O PASSADO RECENTE. LÁGRIMAS PARA BJÖRK.

O domingo começou tranqüilo. Finalmente a chuva tinha dado uma trégua. Big Wheel Stage e Melt Klub já eram desmontados e as atenções se concentravam no palco principal, que receberia como Última atração, Björk, a headliner do festival.
O primeiro concerto foi de Los Campesinos. O grupo de Cardiff, no País de Gales, que lançou seu primeiro álbum, Hold On Now Youngster, em fevereiro de 2008, demonstrou uma vitalidade juvenil com muita qualidade nos arranjos musicais. Variavam de ambientações instrumentais a gritarias punk com muita facilidade. As vezes parecem funcionar melhor ao vivo que em estúdio. No final, todos subiram nas caixas de retorno para cantar o single "We Throw Parties You Throw Knives".

Também de Cardiff vierem Neon Neon, com Gruff Rhys, do Super Furry Animals, e Boom Bip, produtor estadunidense de crunk. Começaram dizendo que aquele era um concerto biográfico dedicado a John Delorean, engenheiro responsável pelo carro usado na série De Volta Para o Futuro. As sonoridades pop retro-futuristas parecem um pouco baratas, mas podem agradar aos fãs do gênero. Encaixariam perfeito àquelas propagandas do cigarro Hollywood que eram veiculadas na TV brasileira na década de 80.

Na seqüência, Get Well Soon, o grupo alemão liderado por Konstantin Gropper. Canções orquestrais, com arranjos épicos, atmosferas melancólicas e um vozeirão gótico do melhor estilo fizeram Konstantin ser escolhido por Wim Wenders para compor duas canções para seu novo filme Palermo Shooting. O concerto ao vivo não fica para trás da qualidade do trabalho em estúdio. Quando tocou sua versão de "Born Slippy (Noxx)", clássico do Underworld, parecia celebrar o funeral da criatividade na música eletrônica, fezendo uma homenagem a um dos momentos altos do techno inteligente da década de 90. Os Battles também fizeram um ótimo concerto, cheio de experimentações acústicas e eletrônicas. Foi uma das maiores surpresas do festival. Terminaram com "Atlas", uma quase marcha militar permeada por distorções na voz.

Björk entrou no palco como a atração mais esperada do festival. Há cinco anos não tocava
'Acabooooou!'
'Acabooooou!'
na Alemanha. Foi a única com direito a trazer todo o cenário utilizada na turnê oficial. Depois de ter cancelado o concerto em Helsinque, na Finlândia, por problemas na voz, ela chegou a Ferropolis com "Earth Intruders". O concerto foi exatamente igual àquele que fez no Brasil no ano passado, sem tirar nem por. Relembrou momentos altos da sua carreira, com canções como "Hunter" e "Hyperballad", além de trazer algumas novas do último álbum Volta, e do anterior Medulla (que não teve uma turnê oficial). Tinha gente que chorava, outros pulavam, e a maioria permanecia estática durante quase todo o show, perplexos com o poder de atração da fada pop islandesa. A multidão pegou fogo quando ela terminou o concerto com "Declare Independence", dessa vez, sem mencionar Tibet nem Kosovo ao final do refrão.

Fotos: Reinaldo Coddou, Thomas Victor, Marc Seebode, Cristoph, Azhar Syed e Geert Schäfer

Tracklist - Melt! 2008 Compilation
01. Get Well Soon - You/Aurora/You/Seaside
02. The Notwist - Good Lies
03. dEUS - The Architect
04. Franz Ferdinand - The Fallen (ruined by Justice)
05. The Mitchell Brothers - Michael Jackson (Calvin Harris Remix)
06. Hercules and Love Affair - Blind
07. Does It Offend You, Yeah? - We Are Rockstars
08. Blood Red Shoes - You bring me down
09. Editors - Banging Heads
10. Blackmail - (Feel it) Day by Day
11. The Teenagers - Homecoming
12. Kate Nash - Foundations
13. Why? - The Hollows
14. Zoot Woman - We won't break (Boris Dlugosch Les Visiteurs Remix)
15. Feist - My Moon My Man (Boys Noize Remix)
16. Hot Chip - Ready for the Floor (Smoothed Out On an R'n'B Tip Version)
17. Robyn - Handle Me
18. Lützenkirchen - 3 Tage wach (Radio Edit)

Felipe Frozza
Felipe Frozza
comentários
Greg
Greg(25.07.08)
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a chuva atrapalhou mesmo. nao consegui entrar no melt!klub pro show do rummelsnuff, porque era uma das únicas areas secas do festival (logo, a galera invadiu com forca)

eu também tenho boas lembrancas da sexta-feira dubstep no red bull music academy motherfucker holy shit fucking floor. caspa foi do caralho, e a multidao tava bem loca (sabe como é primeiro dia de festival, né)
Felicio Marmitex
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"...o palco mais agradável de todos por não trazer DJs e produtores que consideram a eletrônica como uma seita musical para explodir multidões, mas um ambiente de pesquisa sonora com espaço para melodias harmoniosas e improvisações..."
Que relato bacana, abordando bastante música e novidades!!!
Thiago Augusto
Thiago Augusto(25.07.08)
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Clipe de "Floating" do Jape é mto bom.
ivi brasil
ivi brasil(24.07.08)
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olhaaaaaaaaaaa! eu li nesse texto "A minimal". parece com A D-Edge, A Vegas, A buati!kkkkkkkkkkkkkkkkkk
Michelle Fresteiro
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Remix assinado por Ellen Allien de Wanderlust, da Björk??? Deus, eu preciso!
 
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