De como DJs não precisam se preocupar em ter que criar todo tipo de música eletrônica
"Vai surpreender muita gente o fato de que o Tocadisco é um músico e não apenas um DJ". Palavras do alemão Roman Böer, o Tocadisco em pessoa, num
cinco perguntas à Camilo Rocha
em julho do ano passado. Um ano depois, a prova está aí, documentada em
Solo, CD de 15 faixas lançada esse ano pelo alemão Superstar Recordings.
O problema não é nem surpreender, mas tentar entender a quem o DJ (e agora, músico), quer atingir. Porque se você der uma sapecada rápida no
Last.fm
dele, as faixas de
Solo, álbum que tenta experimentos versáteis do minimal ao electro, estão bem abaixo em audiência comparado com hits mais de pista do DJ como "You're No Good for Me", "Music Loud" e "
Morumbi". Essa última, aliás é uma das várias referências ao Brasil, país onde Tocadisco é convidado constante e até arranjou uma namorada, devidamente homenageada na faixa "
Nathizinha".
É mais provável que os fãs de Tocadisco apreciem melhor um set inesquecível de electro house numa festa open air do que faixas pop como "Just Say No" (violões, BPM baixo, e clima Gorillaz para criticar as proibições), "Better Begin" (electro-rock swingando, vocais pop) e "Streetgirls", baladinha em bom vocal feminino. No máximo é a trilha para um retorno pós-raver para casa, com a serotonina baixando. "Shrine" é single e tem a participação de Cherlonis R. Jones (aquele da
ótima música com o DJ Hell) e repete, mais sensual e introspectivo, o clima de balada - aqui no sentido romântico, não de festa. Esta crítica é sintomática quando se percebe que o remix do Extrawelt é mais comentado do que a faixa em si.
Flash Content
Tocadisco - Shrine feat. Chelonis R. Jones (Extrawelt Remix) (mp3)
As faixas ao final tentam atingir as pistas, mas pecam pela falta de linha narrativa - algo fundamental para um DJ na hora de tocar. "Waterproof" é simplesmente um minimal no seu sentido mais simples, e vem seguida da urbanóide "Chaos In the Streets" - no melhor estilo Moby. "Juicy Woman" é descaradamente uma cópia de Fischerspooner (!); e finalizando o disco vem o interlúdio "Fasten Your Seatbelts" que prepara a expectativa para, veja só, uma baladinha final, bem baleárica, erroneamente chamada de "Let's Get Down". Apertar os cintos para quê, Tocadisco?
INCOERÊNCIA ANSIOSAA tentativa de Roman ir além do estilo em que suas produções e sets fizeram sucesso é louvável, mas o disco, apesar das baladinhas boas e outras tentativas nobres (a sintética "Spooky808" e a étnica "Earthchild"), peca por uma incoerência que talvez venha da ansiedade de Roman em querer mostrar que sabe criar vários tipos de
Tocadisco @ Kaballah & Psyde (Junho '08)

música. Algumas referências são básicas demais: é bobeira ter que ouvir em 2008 uma faixa chamada "Musique Electronique" e listando cidades do mundo; e "Rocksteady DJ", cheia de scratchs ‘doidões', soltos do nada num electro obscuro.
E a própria construção ‘pop' é imatura. O disco numa audição de cabo a rabo soa repetitivo nos detalhes. Cinco ou seis faixas repetem à exaustão aqueles sininhos tubulares, que criam harmonias cintilantes às músicas. E a fórmula intro-progressão-ápice-refrão/break-fade out faz tão mal em excesso quanto tocar apenas um gênero.
Se Roman tivesse lançado poucos EPs juntando as melhores músicas, parecidas, lançado junto com remixes e divulgado bem, teria sido melhor do que lançar um álbum que - a capa e o nome ajudam a provar - soa egocêntrico. Vale o velho chavão: como músico, Tocadisco é um bom DJ/produtor.
abs !
Nao eh pq o "crítico" nao gostou do album q o resto tenha q concordar com ele. Infeliz (e sem personalidade) eh kem se deixa levar por tais opinioes. A opiniao final eh de cada um (boa ou ruim). O album tem faixas boas sim!
ps: dizer q o cara eh egocentrico so pq resolveu botar a "cara" dele no album...tsc..tsc..tsc....entao 95% dos artista deste mundao de meu deus sao! Coisa chata isso!