Aqueles que todo mundo acreditava ser o The Knife, na verdade é uma banda independente, que lançou seu primeiro CD
Faz alguns anos a indústria da música vem se acostumando a uma nova etapa no processo de lançamento dos álbuns: o vazamento na Internet da versão distribuída exclusivamente para a imprensa ou para amigos, produtores e outras pessoas ligadas aos artistas e selos, fato que ocorre algumas vezes poucas semanas antes do release oficial - outras com vários meses de antecedência. Algumas versões de CDs promocionais chegam a incluir uma marca d'água, uma voz que se repete em todas as faixas, alertando sobre a cópia indevida. Foi o caso do último álbum do Minilogue,
Animals, e também do
Made in the Dark, do Hot Chip. Enquanto a maioria das grandes gravadoras se descabela para evitar o inevitável, outros parecem conseguir tirar proveito dessa situação de alguma forma, seja intencional ou não.
Pouco antes do lançamento oficial do terceiro álbum do The Knife, o aclamado
Silent Shout (2006), era possível encontrar para download na web uma versão do disco com uma tal faixa bônus chamada "F as in Knife". Ninguém tinha dúvidas de que era trabalho dos irmão suecos: o vocal de Karin Dreijer estava lá (foi o que pareceu), assim como os synths e a característica sonoridade electro, mas com uma exceção: era "feliz" demais para estar entre as faixas deste denso CD. De alguma forma ela destoava do resto do álbum. E com razão.

A "faixa bônus" era, na verdade, uma música dos também suecos
Zeigeist, e seu nome real era "Tar Heart". Ninguém sabe quem a incluiu como faixa extra do
leak de
Silent Shout. Ambas as bandas dizem não ter contato uma com a outra. Há quem diga até que o Zeigeist é obra do obscurantismo e manipulação do próprio The Knife, com direito a animatron no lugar de Karin.
Conspirações a parte, ao que parece o Zeigeist existe. E lançou seu primeiro álbum esse ano, chamado
The Jade Motel, depois do EP homônimo de 2006 que incluia "Tar Heart" e também algumas outras músicas que aparecem no CD.
SVENSKA ELECTROCLASHO Zeigeist, como eles mesmos dizem, não é bem uma banda, mas um coletivo de músicos e artistas visuais. Fazem parte do projeto, além dos vocalistas e produtores, os designers que desenvolvem o figurino dos shows e os cenários, por exemplo. E cada um palpita sobre o trabalho do outro. O resultado disso são as performances ao vivo, que de alguma forma se aproveitam do vácuo deixado pelo Fischerspooner: teatralidade, alta-costura, exageros e bastante maquiagem. Dá até pra pensar em um revival do electroclash de seis anos atrás.
Zeigeist @ Arvikafestivalen 2007
A semelhança entre o Zeigeist e o The Knife não se restringiu apenas a "Tar Heart", mas aparece em todo este CD em duas formas básicas: no vocal de Maria N e nas melodias que apoiadas em synths do electroclash.
The Jade Motel é um álbum permeado por momentos alegres, animados e outros mais calmos, pop no geral e sem muitas surpresas. Alterna nos vocais com Maria N, Mattias Brun, que, ironicamente, também soa às vezes como Olof Dreijer, irmão de Karin.
LIVE NATION.SE
Numa manobra para conquistar o show business mundial, a empresa americana Live Nation, responsável já pela carreira de Madonna, U2, e Shakira, tem suas filiais pelo mundo. A Suécia do pop fértil não ficou de fora, e a Live Nation sueca é responsável por organizar shows de artistas estrangeiros por lá e cuida de artistas locais como Kleerup, Familjen e o próprio Zeigeist, para listar só os mais familiares ao público rraurl. Na vizinha Noruega, a empresa já cuida da carreira de Lindstrøm. Em junho, a Live Nation sueca adquiriu 51% da agência Lugerinc AB e 75% da Moondog Entertainment AB, duas importantes empresas de promoção, aumentando sua participação na indústria cultural do país. Ainda não há previsão de entrada da empresa no Brasil.
(Jade Augusto Gola)
É um trabalho, digamos, homogêneo, mas de melodias interessantes, bem construídas no oitentismo e com alguns momentos melosos, como no refrão de "Bunny" e "Tar Heart", os grandes destaques do CD.
É difícil ouvir o álbum e não ser nostálgico: é evidente a presença da sonoridade de bandas como Pet Shop Boys, Duran Duran, Information Society e várias outras. "Pressurized Chamber" talvez seja a faixa onde essa característica é mais forte, pelos órgãos etéreos e o forte eco no vocal de Mattias.
"Humanitarism" abre o disco, primeiro single que ganhou remix dos brasileiros do The Twelves. Sem fugir da linha estética geral do álbum, é um electropop de BPMs calmos, mais para ouvir que para dançar. Junto a ela, seguindo a linha low-fi, está "Cuffs", com refrão fofo.
Flash Content
Zeitgeist - Humanitarianism (The Twelves Remix) (mp3)
Quem conhece bem "
Heartbeats", do The Knife, se assusta ao ouvir "The Lake". A semelhança não só da melodia, mas também dos instrumentos (principalmente no início da música) incomoda bastante, mas sacia a sede dos fãs de The Knife, principalmente aqueles da época de
Deep Cuts (2003). Um fato: 2009 completa três anos do lançamento de
Silent Shout, timming ideal para um novo lançamento dos suecos.
Outro bom momento do CD é o segundo single, "Wrecked Metal", que não surpreende, mas diverte. Já "Dawn Night" fecha o disco, e ora lembra "
You Take My Breath Away", ora lembra novamente "Hearbeats", ora lembra "Is it Medicine" (com seus "ohs" e "uhs" em estéreo no final). Além disso, uma curiosidade quase freak: o refrão parece Bee Gees.
Tanta semelhança com o The Knife faz a gente começar a acreditar na teoria de que o Zeigeist é, realmente, um projeto maluco dos irmãos Dreijer. Não é uma idéia tão absurda, sabendo-se do gosto que eles têm por se esconder dos olhos do público e da imprensa. Talvez a teatralidade das apresentações do Zeigeist não seja puramente estética, mas também uma boa desculpa para enganar a todos nós. Vai saber.
kkkkkkkkkkkkkk
Acho que nada supera (Pelo menos pra min)
E pra quem escutou e prestou atenção
Eles passam longe de The knife...Amo as dois projetos e cada um é bom por si só ...sem comparações!