Lolla-fuckin-palooza
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ficha técnica
Nota: 4.2 / 5
Ano: 2008
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Lollapalooza 2008 (01-03/ago)
06.08.08 12:45
Lollapalooza 2008 (01-03/ago)
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Lolla-fuckin-palooza
Festival é marcado por diversidade musical, organização impecável, calor e discursos políticos
06.08.08 15:15
Lalaipalooza
Lalaipalooza
Foram três dias grandiosos em todos os sentidos no Lollapalooza, em que 225.000 pessoas passaram pelo Grant Park de Chicago, local em que o festival tem acontecido desde 2005. Mais uma prova da falta de modéstia dos festivais dos EUA, num line-up com mais de 120 atrações em que muitas vezes escolher o que ver foi a tarefa mais árdua.

Jovens multicoloridos e famílias, incluindo muitos bebês, marcaram o festival criando um clima pouco comum nos nossos festivais brasileiros. A temperatura média foi de 35º C - o jeito era se refugiar nos jardins cobertos por árvores ou nas tendas, como a do MySpace, com seus jatos de água. A organização foi impecável: bares e banheiros espalhados por todos os cantos não deixaram ninguém na mão. Foram oito palcos, sendo um dedicado às crianças que incluía na programação até uma "escola do rock".

Resumindo: Lollapalooza é um festival que beira à perfeição, e um verdadeiro louvor à música, já que não se resume ao rock, mas com uma boa dose de música eletrônica e hip-hop. A grande vantagem é que o festival acontece no meio da cidade, sem necessidade de logísticas desanimadoras para chegar no local, e muito menos de camping in loco. Foi ainda a primeira vez na história o Lollapalooza teve seus ingressos esgotados.

Grant Park - Chicago, Illinois (EUA)
Grant Park - Chicago, Illinois (EUA)


Comida farta, bebida e cerveja por US$ 5,00. Também era possível ter água grátis em dois pontos do parque, após encarar uma boa fila. Mesmo com a temperatura lá em cima, não foi registrado nenhum acidente grave e no decorrer dos três dias menos de 15 pessoas foram presas por desordem. O clima era de festa e alegria. Sorrisos estampados em um público educadíssimo. Mas nada é perfeito: o sistema de som no palco principal AT&T tinha péssima audição para o público posicionado na lateral esquerda e no fundo do palco.

A reciclagem também foi um dos pontos fortes no recolhimento da tonelada de lixo produzida durante os três dias. Por todos os cantos se viam placas ROCK & RECYCLING e carrinhos recolhendo lixos, além dos latões separados para reciclagem de plástico.

O MAIOR HOMENAGEADO: NO-SHOW
Barack Obama, mesmo não tendo comparecido ao festival como diziam os ruídos, esteve presente em camisetas e uma tenda pró-Obama dando a ele uma aura de rock-star. Confira agora a cobertura dia a dia dos shows.


SEXTA-FEIRA - 01/AGO
ROCK, PUNK CIGANO, PRIMEIRAS MANIFESTAÇÕES PRÓ-OBAMA E A CATARSE EMOCIONAL DO RADIOHEAD AO VIVO

A primeira boa surpresa da tarde foi a banda inglesa The Enemy, formada em 2006 e que já abocanhou prêmio de melhor banda nova no NME Awards. O guitarrista e vocalista Tom Clarke embalou o público num ótimo show brit-rock marcado por guitarras pesadas e batidas rápidas.

Na seqüência conferi The Kills, que vi ao vivo no extinto Campari Rock em São Paulo, num show bem mais maduro e seguro. VV entrou reinando absoluta e linda com "URA Fever". Foi difícil abandoná-la para seguir para o palco ao lado para assistir Louis XIV trajados em seus terninhos e cabelos impecáveis, mesmo com o calor insuportável, num verdadeiro show glam-rock. A banda, que lembra Killers não só no visual mas também na musicalidade, foi prejudicada pelo calor que fez com que o vocalista Jason Hill se despisse um pouco da pompa, pedindo licença para tirar o terno fazendo a mulherada ir à loucura pedindo para ele tirar mais - e pelo som que falhou seguidamente.

A parte mais divertida estava por vir: Gogol Bordello que dominou o palco AT&T e fez todo mundo dançar. Foi um dos pontos altos do festival. Ao redor se viam garotas com bambolês embaladas pelo som gypsy punk e pela alegria contagiante que vinha dos nove integrantes da banda. Gogol, uma mistura de Borat e Frank Zappa, vestia roupas multi-coloridas e pulava incessantemente de um lado ao outro do palco. Impossível não se deixar contagiar pelo clima de festa que descia do palco e tomava conta do público. Um show para não deixar passar. Eu que quase passei, dancei até o final para então dar a vez a Cat Power na outra ponta do parque, e que fez um show mediano. Sua performance é muito mais impactante num local menor, como o que ela tocou em sua passagem por São Paulo.

Kele Okereke é fã de Obama
Kele Okereke é fã de Obama
A parte a seguir foi a mais difícil de todas, pois em todos os palcos tinha atrações imperdíveis: nossos brasileiros CSS, The Raconteurs, VHS or Beta e Bloc Party espalhados por todos os cantos do parque. Decidi que tentaria dividir esta hora da melhor forma possível e falhei.

Voei para o Bloc Party e fiquei o tempo todo acompanhando o vocalista Kele, que vestia uma camiseta do Obama escrita "Progress", num show médio prejudicado pelo som baixo que empolgou apenas quem estava muito próximo ao palco. O auge foi quando tocaram "Banquet" e "This Modern Love", hora em que o parque quase veio abaixo, e encerraram com "Helicopter." Na noite seguinte pude conferi-los novamente no House of Blues, em que dividiram o palco com Does It Offend You e CSS, num show muito mais empolgante em que tocaram "Banquet" duas vezes e Kele se jogou no meio da galera e foi carregado (e ovacionado sem parar) pelo público. Ao contrario da apresentação no Lollapalooza, eles fizeram o House of Blues tremer.

EIS A HORA: RADIOHEAD
Thom Yorke é fã de Modeselektor
Thom Yorke é fã de Modeselektor
E o grande momento esperado do festival chegou. Era um corre-corre danado para chegar o mais perto possível do palco do Radiohead. As pessoas já se acotovelavam e numa área bem grande em volta do palco era impossível respirar. Apesar de serem 20h, o dia ainda estava muito claro, o que deu menos impacto na iluminação espetacular durante a primeira hora de show, mas isso foi o de menos.

O público boquiaberto demorou a assimilar o início do show com "15 Step". A emoção corria solta e todos estavam com o olhar fixo no palco ou no telão. Quando entrou "Everything in It's Right Place", surgiram fogos de artifícios do lado de fora do parque, que duraram até "Fake Plastic Trees" e a chuva colorida que caía do céu completou o espetáculo. Ao meu lado eu enxergava algumas pessoas enxugando lágrimas (inclusive eu!) pelo fantástico espetáculo, que é o que Radiohead faz. "In Rainbows" foi tocado inteiro, "Paranoid Android" e "House of Cards" levaram o público ao céu. Thom Yorke se mostrou mestre ao conduzir os mais de 75.000 presentes numa seqüência emocional, com músicas mais introspectivas intercaladas com as mais agitadas, e fez todos saírem em transe apos fechar o show com "Idioteque".

Foi um final perfeito para o primeiro dia.


SÁBADO - 02/AGO
MGMT ENFIM CONVENCE, ELECTRO-ROCK FAROFA, FREE HUGS, E O BATE-CABEÇA DESCONTROL DO RAGE AGAINST THE MACHINE

O sábado parecia mais arejado, mas o Lollapalooza estava mais cheio neste dia. Corri para pegar o show do The Ting Tings logo cedo (12h45), mas perdi porque estacionar em Chicago nao é tão simples. Entrei e fui direto para a área do MySpace, onde o MGMT entraria em minutos. Atravessar o local e chegar próximo ao palco foi uma tarefa que consumiu quase meia-hora.

A tarde foi marcada por bons shows como o MGMT, que fez um bom show dançante superando as expectativas que eu tinha em relação a sua performance ao vivo. "Time to
Uffie
Uffie
Pretend" e "Kids", que encerrou o show com o Ben vestido numa bata hippie e pulando de um lado para o outro no palco, fez todos cantarem criando um clima perfeito para iniciar o sábado, enquanto Booka Shade no palco ao lado chacoalhava o público com suas batidas eletrônicas dando um aspecto mais raver ao festival.

O momento relaxante veio com o show vigoroso da banda de rock instrumental Explosions in the Sky, que se apresentava em um dos palcos principais. O clima era familiar com a maioria sentada ou deitada na grama, enquanto ao meu lado uma garota segurando uma placa "Free Hugs" distribuía abraços a quem passava, criando uma sintonia perfeita com um grupo de crianças de aproximadamente três anos corria de um lado para o outro com seus moicanos coloridos. Foi um dos momentos mais tranqüilos e gostosos durante os três dias do festival. Hora para comer, tomar cerveja e conversar com os amigos.

Foi um choque sair do show catártico do Explosions para se jogar na tenda em que o Does It Offend You, Yeah? fazia um DJ set irregular, que ia de Gun's Rose a Daft Punk e Digitalism. Sem qualquer técnica e deixando uma musica terminar para então entrar outra, o trio causou barulho e transformou o local em uma grande festa recheada de hits. A surpresa foi a visita do Ting Tings, que passou a metade do set se divertindo com a galera.

MUDAR O MUNDO, OU FOGO NO SENADO!
O restante da tarde foi com Uffie, toda poderosa num micro shorts de paetês, que dominou um público mais jovem e interagiu bastante com todos. Broken Social Scene fez um show divertido com direito a manifesto político sobre Obama e a frase "Change America, Change the World", enquanto curiosamente uma bandeira americana que tinha logos de grandes marcas no lugar das estrelas balançava.
Rage
Rage

A grande surpresa veio com Rage Against the Machine que dividia o fechamento do sábado com Wilco. O local estava intransitável e a banda entrou - literalmente - quebrando tudo com "Testify" e o show teve várias interrupções devido às pessoas que estavam sendo esmagadas na frente do palco. O vocalista Zach De La Rocha chegou a interromper o show por quase cinco minutos para implorar que o público desse dez passos para trás e acabou tendo intervenção do chefe de segurança para aumentar o apelo do pedido. Fez também um longo discurso político sobre a certa ida do Obama ao poder, dizendo que caso ele não retire as tropas do Afeganistão e do Iraque, muitos americanos vão botar fogo no Senado.

Coincidentemente neste mesmo dia eu presenciei um manifesto contra a invasão do Irã no centro de Chicago.


DOMINGO - 03/AGO
O SHOWMAN KANYE, MATINÊ HIP HOP, GNARLS BARKLEY ATACA NOS COVERS E NINE INCH NAILS MOSTRAM SUPERIORIDADE

Gnarls Barkley
Gnarls Barkley
Foi o dia mais vazio do Lollapalooza e com menos atrações de peso. Cheguei lá a tempo de pegar o show da dupla canadense Chromeo, um dos shows mais divertidos. O vocalista Dave 1 falou bastante, riu, dançou e várias vezes fez o público rebolar. A tarde que tinha se iniciado refrescante, esquentou bastante com as tendas lotadas e o público dançando ininterruptamente. O MC Saul Willians, que tocou logo após o Chromeo, reclamou sobre o fato de ter que escolher entre os shows do NIN e Kanye West fazendo boa parte concordar. O domingo foi o dia mais hip-hop e o parque foi invadido por típicos rappers americanos, o que não se viu nos dias anteriores.

Durante o show dos veteranos Blues Traveler o público cedeu e aproveitou o momento para tirar um cochilo ou jogar conversa fora em grandes rodas de amigos, mas logo seguiram mais animados para o show do Gnarls Barkley, que disputava a atenção com Girl Talk e Love and Rockets.

A entrada do Gnarls Barkley foi triunfal. Enquanto a bateria parecia prestes a explodir, Cee-Loo Green entrou gritando "Chi-town make some noissseeeeee", e o show também esteve entre os mais dançantes. Impossível não se render. O show contou com covers das músicas "Gone Daddy Gone" (Violent Femmes) e "Reckoner" (Radiohead). E, como era de se esperar, levou o público ao delírio com a batida "Crazy", mas, de novo, foi impossível não se render.
Kanye
Kanye

No outro palco principal, o Love and Rockets fazia um show de rock marcado por guitarras pesadas, contrastando com o ambiente familiar que se instalou ao redor dos palcos "Bud Light" e "PlayStation". O final veio com três pessoas fantasiadas de bonecos listrados de preto e branco com cabeça gigante, que surgiram no palco dançando de um lado para o outro tirando risadas do público. Na hora seguinte eu me dividi entre os shows do The National, o live set do Flosstradamus e Mark Ronson. Os três palcos estavam lotados e o cansaço pelos três dias de maratona já era inevitável. Mark Ronson fez vários covers e ainda afirmou que "Valerie", da banda do The Zutons era ele. Ahn?

Fiquei por aquele lado para pegar a entrada do Kanye West, mesmo já sabendo que o Obama não apareceria. Kanye é um verdadeiro show-man, e foi difícil não se emocionar com sua entrada apoteótica com uma iluminação espetacular e muita fumaça. As pessoas cantavam, dançavam e não conseguiam desgrudar os olhos do Kanye. Na terceira música eu decidi abrir mão de um grande show para ver outro: NIN.
Trent estava afônico
Trent estava afônico

Valeu a correria que fiz para perder o mínimo possível. O show do NIN foi visualmente o mais lindo e emocionante. Tocaram várias músicas pesadas, mas também as introspectivas que se complementavam ainda mais com as imagens projetadas numa tela de LED à frente do palco e interagia com a banda atrás. Trent Reznor pediu desculpas pela voz que estava ruim e discursou sobre ter tocado no primeiro Lollapalooza, em 1991, quando ainda era uma banda desconhecida e não imaginava que anos depois, alem de estar vivo, estaria no palco principal fechando o festival.

Foi um final perfeito para um festival perfeito. Na saída apenas uma certeza: a vontade de estar lá novamente no próximo ano.

Fotos oficiais: Dave Mead, Matt Ellis, Mathew Taplinger e Zachary Mastoon (Caural)

Lalai
Lalai
comentários
Marina
Marina (08.08.08)
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fiquei com invejinha
Lalai
Lalai(08.08.08)
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vi um show e gostei... alguns amigos tinham assistido e tinham dito que o show deixava a desejar, mas as minhas expectativas foram superadas por um show bem feito
Marco Blatter
Marco Blatter(08.08.08)
0AprovadoQueima
pera ai, mas nao entendo, como assim mgmt "enfim convence"????

qtos shows deles vc viu pra falar isso?????
Lalai
Lalai(08.08.08)
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oi Luciana, sim, eu acabei me atrasando com a entrega do texto porque tive um problema entre a vinda para nyc a partir de chicago... mas enfim, foi para o ar! e ficou como relato mesmo e nao notícia... :-)
Fabilipo
Fabilipo(07.08.08)
0AprovadoQueima
fodona a lalai!!!
 
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