Alemão da Kompakt é atração do Kulturfest alemão e toca até em Recife e Campina Grande
Justus Köhncke vem de Dusseldorf, a mesma cidade que deu luz ao Kraftwerk, talvez venha daí seu talento para a música eletrônica. No final dos anos 80 criou seu primeiro projeto (o duo Blood And Honey) e passou a fazer versões eletrônicas da cantora disco Amanda Lear. Pouco tempo depois montou o trio Whirlpool Productions, juntamente com Eric D. Clark e Hans Nieswandt, responsável pelo hit "
From Disco To Disco" (1996), devidamente regravada pelo histórico Les Rythmes Digitales em 1999, ouça
aqui.
Apesar de lançar seus principais trabalhos solo pelo selo Kompakt, um dos mais cultuados do gênero techno/minimal, a principal característica do seu som é o forte influência da música pop e principalmente da neo-disco, criando faixas bastante emocionais e profundas, entre elas as tocantes "Was Ist Musik" e "So Weit Wie Noch Nie" (essa é prima da canção de mesmo nome do produtor Jürgeen Paape, também da Kompakt, que fez a
versão com vocal). Em 2008 ele lançou seu terceiro disco de produções,
Safe and Sound, literalmente mais "seguro": faixas dançantes e instrumentais, Justus deixou de lado um pouco os vocais.
Ele é atração de clubes e do festival itinerante Kulturfest, que pretende promover a cultura alemã, em que a música eletrônica é essencial. Sexta ele tocou no Vegas em São paulo, sábado (16/ago) em Recife (PE), domingo na cidade paraibana de Campina Grande (17/ago)
e terça no Rio de Janeiro. Abaixo, nossas cinco perguntas com o alemão.
Como você começou a criar música?Essa é uma história longa, mas em resumo foi quando eu tinha uns 16 anos tocando música new wave, sintetizadores... Aí no começo dos anos 90 eu caí na eletrônica, house e techno sempre, e produzo desde 1992 em vários projetos ou sozinho mesmo.
Você ajudou a definir a cara da Kompakt, como foi sua ligação com o selo?Sim, a Kompakt é mais um selo de qualidade do que um selo de gênero, por mais que as pessoas pensem que é minimal music - algo que está muito grande por aqui (na Alemanha), muitos produtores ruim, um horror. Conheço o pessoal desde os anos 90, e acho que não sou tanto a cara deles, já que é mais uma coisa de amizade do que identificação musical. Eles acham meu som ambient demais para o selo, mas em 2001 eles perguntaram se eu queria lançar por lá e topei, não parei mais.
Seu último álbum é Safe and Sound. O que você quis dizer com esse título?
Eu gosto do duplo sentido do título. Nesse álbum eu cansei dos vocais, ele é todo instrumental, acho que a combinação vocal + dance music não estava dando tão certo. Por isso talvez achei melhor apostar no que era seguro.
Ia te perguntar sobre os vocais e sobre o fato de suas músicas sempre terem uma pegada melancólica, deep mesmo. O sentimento é peça essencial na sua música?Eu gosto da mistura de dance music com uma atitude triste. Muita gente que faz música dançante trabalha com isso e ninguém sabe. Eu acho que pode resultar numa sensação chique até, gosto assim.
Você falou que o minimal está grande na Alemanha, ia te perguntar disso. Como você vê a cena e o país no geral hoje?Eu moro em Colônia (Köln), a Kompakt é de lá, e o gozado é que as pessoas tendem a pensar que todo mundo é de Berlim. Nós somos mais centrais, Berlim é lá quase na Polônia!
Colônia é confortável, um pouco elegante, as pessoas são receptivas, tem cultura. Como eu viajo muito, é um ótimo lugar para ter que retornar.
PS: Para quem espera vocais, Justus contou informalmente que suas apresentações serão instrumentais, música dançante, safe and sound!