Começou a semana mais movimentada do rraurl! Seis dias de noitadas essenciais do ano!
09.10.08 17:50
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- MARATONA RRAURL: Foi dada a largada para a semana mais insone do rraurl. Tivemos a idéia em 2007, quando fomos de Chemical Brothers a LCD Soundsystem, passando por Booka Shade, Rapture e Alexandre Robotnick, quando nosso novo editor havia acabado de estrear no site. Agora repetimos a semana de agito descontrol - talvez com menos nomões por dia, mas num esquema diferente: ponte aérea Rio-SP, festinhas e clubes, Skol Beats e outros eventos pelas cidade. Vamos lá!
SEXTO E ÚLTIMO DIA: VEGAS V3 Jogação master na festa de três anos do clube da Rua Augusta, que levou Glass Candy, James & Pat, Ewan Pearson, Pantha e Efdemin + DJs brasileiros ao Flex, na Barra Funda.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- BÔNUS! Cansou de tanta festa? A nossa maratona parece que não acaba nunca - calma, não iremos resenhar mais evento/festa por uma semana. Mas estamos presenteando nossos leitores de lambuja (apoiado pelo Vegas crew, claro) com o streaming/MP3 dos sets de James Murphy & Pat Mahoney, Ewan Pearson e Mau Mau na festa Vegas V3, festa essa que encerrou a maratona (resenha abaixo). Enjoy!
Mau Mau - live @ Vegas V3 (03-out-2008) (mp3) -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
VEGAS V3 Sexta, 03 de outubro - Flex (SP)
Quanto que a espera pode proporcionar um evento inesquecível ou pode frustar grandes expectativas? Cheguei com essa questão na cabeça à festa de três anos do clube Vegas, sexta-feira no Flex. A movimentação já era bem intensa lá pela meia-noite, já que a dupla americana de synth e neo-disco Glass Candy se apresentaria em breve.
Glass Candy
Depois de um set mais house do que electro de André Juliani, o Glass Candy subiu à pista principal da casa de dois ambientes (e área externa no meio), com a pista cheia e ainda tentando criar ou se acostumar com o ambiente. Ida No e Johnny Jewel ao vivo soam mais pesados e sujos do que em CD. "Beatific" abriu com seus vocais sussurrados acompanhando a tal beatbox glamourosa da dupla. Ida é introspectiva e comunica-se com o público mais por dancinhas do que por falatório. É uma dupla jovem, que se esforça e precisa de um feedback imediato da audiência (talvez por isso mudaram do rock para a dance music). Mas os sintetizadores soam um pouco geométricos demais, não muito envolventes - é mais contemplação do que dança, algo bem perceptível na versão para "Computer Love" (Kraftwerk). O hit "Miss Broadway" não foi o ponto alto, por mais que Ida se esforçasse para tentar emanar sua voz além do palco (o retorno e a caixa, todos estavam ali no palco, na altura da banda). Mais do que provocar catarses pelo apelo da dupla de sintetizador e cantora charmosa, a banda atraiu mais o público na hora de distribuir de graça dúzias de seu último CD.
Na seqüência, James Murphy e Pat Mahoney enfim proporcionaram o clima de festa que o evento (e o público) merecia. Do pouquíssimo que vi da dupla, a pista ia da disco à acid house empuleirada nas laterais, bancadas e mezzaninos da pista. Perdi 95% do set deles porque fui pego pela apresentação de Pantha du Prince e Efdemin, lá na outra pista, menor e menos muvucada. Enquanto Pantha ministrava suas doses de um techno minimalista (não "minimal"), um neo-Isolée de construções melódicas contidasa, Efdemin mostrou-se daqueles DJs completos de techno: não deve nada a gênero nenhum, toca de tudo empolgando sempre. Não lembro de setlist algum nesse momento, que era só pista empolgada (eis as dificuldades de se resenhar festas - faz parte).
Pantha du Prince
RESPIRO AO AR LIVRE Um grande viva à área central do Flex, com deck de madeira, espaços para sentar e um bar, proporcionou um conforto off-pista bem vindo. Como as entradas das pistas eram bem abertas, dava
James e Pat: fanfarrões
para ter uma idéia de quem já estava tocando, dependendo de onde você estivesse. Foi assim que vi, ovacionados, James e Pat encerrarem seu set e darem lugar a Ewan Pearson.
O inglês, como foi bem dito aqui no Bate-Estaca, faz o que se pode chamar "advanced house": minimal, prog e pop a serviço dos baixos BPMs (alguém notou se ele passou dos 122BPM?), tudo numa pegada chill dos noruegueses da neo-disco e sem medo de arriscar um minimal quase líquido de tão controlado (lembrei de James Holden em vários momentos). Ewan arrisca até mesmo Thom Yorke ("Harrowdown Hill"). Quando Ewan tocou um remix do vocalista do Radiohead, rolou um espasmo geral, já era manhã, e o que parecia ser um novo ato do melhor set da festa (minha opinião), foi o encerramento para dar lugar a Mau Mau, devidamente cortejado por todos. Encerrou o line-up oficial da pista principal antes de um rodízio free stile (sic) de DJs; na pistinha, Camilo Rocha manteve a pista bem animada com uma mistura de techno oldschool, house e um pouco de minimal.
Gostando ou não, tendo você se divertido ou não, foi o tipo de evento que, mais do que ser celebrado, deveria ser incentivado. Tanto pela justaposição de atrações bombásticas e criativas, quanto pelo climão Circuito que a festa tomou lá pelas sete, oito da manhã (mesmo sem ter sido o show de nossas vidas, foi ótimo ter a quase amadora dupla Glass Candy por aqui). Que venha então a mega-festa da reforma da D-Edge, que parece que vai sair.
Ewan, Facundo e Efdemin
Que venham as inaugurações dos novos empreendimentos da turma do Vegas. Que venham mais shows, mini-festivais e concertos no Clash. Que venha o novo clube de Flávia Ceccato. Que venham outros festivais médios no Ibirapuera... Era o que eu queria dizer na crítica ao Skol Beats sobre não sermos obrigados a louvar um elefante-branco para achar que a cena paulistana vale a pena. Nossos clubes e outros empreendedores, que conseguem dosar bem o capitalismo em suas festas (exemplo: a mesa do DJ na pista da V3 estava bonita até com o discreto símbolo da Red Bull, sem o nome da marca), ajudam a mostrar que esse é um bom caminho a se apostar. Só depende deles, e só depende de nós também.
ALVA NOTO & BYETONE Quinta, 02 de outubro - Kulturfest @ SESC Pompéia (SP)
O galpão do SESC Pompéia, que geralmente recebe atrações descoladas do samba ao hip hop, foi um palco ideal para a apresentação audiovisual dos alemães Carsten Nicolai e Olaf Bender, mais conhecidos por suas alcunhas tecnológicas Alva Noto e Byetone. Bares, pessoas bebendo, conversando e comendo deram uma ambientação inversa à proposta tão experimental dos artistas, que criam música em harmonia com projeções e outros elementos crus das possibilidades sensoriais (não é uma sinestesia integral, já pensou se houvesse intervenções aromáticas?).
As pessoas sentadas observavam com certa apreensão quando Byetone alimentou um triângulo de pontos de luz com um electro crescente, até que tudo vira luz. São as boas vindas para sua apresentação, que insere em tempo real bases em harmonia com arquivos de vídeos. Sua estética é a de construção, que por mais que soe não muito atraente num meio artístico sedento pela expressão da desconstrução e do disforme,
Byetone
mostrou uma evolução interessante de elementos visuais (luminosos) representando todas as camadas, elementos e blips avulsos da música eletrônica.
É uma performance relativamente rápida, cerca de uma hora de em que o electro bem marcado evolui para uma pancada cavernosa, algo como Model 500 em back2back com Shackleton. Byetone abusa do aspecto plano do xadrez, do quadrado e de outras formas geométricas fechadas para emanar raios e gráficos - as batidas, basicamente. No momento mais interessante, conta por uns bons 20 minutos o andamento loop. Passou do 1500 (a tipografia dos números era linda), tudo num rigor alemão bem sincronizado que mediu as micro-variações do compasso: cheguei a contar um drop a cada 1.3 segundos, depois a cada 0.85 (chutaço), o que faz você pensar em quantos loops já pingaram na sua cabeça em um ano de vida clubber. O número deve ser algo como uma conta 456487987934589 x 999999: 1,28478375834573498e+39, o cérebro eletrônico é uma calculadora constantemente em cálculos que levam ao erro, possibilidades incontáveis.
1,87239487983759347509347e+56
Musicalmente foi uma apresentação mais explosiva, já que Carsten Nicolai aka Alva Noto, a atração principal, que fez um trabalho mais minimalista de musicar interferências de aparelhos eletrônicos, color bars e chiados gráficos e ultra-coloridos. O som não era nada less is more: um breakbeat que pendia para o electro na velocidade. Definitivamente mais cru do que Byetone, já que este evoluiu fácil para uma bombação big beat, num momento que levantou a pista sentada para dançar.
Um feixe luminoso branco dava a profundidade no meio da tela, numa experiência cromo-visual que explicita bem conceitos como prisma, sobreposição de cores e afins, manifestações da natureza tão cruas quanto a performance do alemão. É uma apresentação mais constante, variada na inserção de gráficos que pareciam erros de informáticas dispostos como pianos 8-bit. E a variação cromática ia do ciano ao magenta em feixes e camadas de chiados que, ao som do break, criava um Poltergeist clubber.
Foi legal notar o misto de concentração e animação dos artistas, além da forma como minimalismo, sinestesias e emanações eletrônicas podem criar uma expressão artística primitiva, de certa forma. Algo que mais prende a atenção e impressiona do que perturba (seria isso um fator pop?). Gozado perceber como a aura "científica" da coisa toda dá ao espectador uma espectativa de experimentar algo mais profundo, "nunca dantes visto". Pessoalmente, uma curiosidade de imaginar tal apresentação anos atrás, quando laptops não criavam tantas possibilidades. Pensamento esse reforçado pelas idéias viajandonas de outro alemão, o Pantha du Prince, ao analisar a criação de sua sonoridade electro-humano-acústica. Leia aqui.
FUERZABRUTA Quarta, 01 de outubro - Parque Villa-Lobos (SP)
Tudo começa com um misto de suspense e curiosidade. Um homem andando numa esteira, apressado, afobado. Até que Pablo (vou chamá-lo assim) leva um tiro, seco e alto, que dói no ouvido esquerdo do público, sempre de pé embaixo da esteira mecânica ou circundando os acontecimentos. Ele cai num colchão estrategicamente posicionado, mas depois de um tempo levanta, tira o terno manchado de sangue e segue, com a mesma apreensão, só que ainda mais rápido e assustado.
Como numa Casa Tomada de Cortázar, o espetáculo Fuerzabruta começa com a subversão do comum por acontecimentos determinantes. Mas não definitivos, já que eles são superados pela progressão da narrativa (e dos próprios fatos surreais). Pablo toma outro tiro, um ventilador cinematográfico piora o meio-ambiente e ele corre, atravessando e destruindo, como que num Tetris humano, qualquer objeto a sua frente: caixas de papelão, portas de madeira, cadeiras... Pessoas vêm e vão, sempre as mesmas, ele cai num restaurante e relaxa num papo amistoso. Até que a luz se apaga, Pablo senta na esteira agora desligada e começa a assistir uma seqüência de sonhos ilustrados em mulheres, lonas de plástico furta-cor e água, muita água.
Assim se dá a narrativa inicial desse espetáculo argentino que mistura em pouco mais de uma hora teatro, dança, interação com o público e, hm, rave. São 12 pessoas e uma equipe de apoio de 50 pessoas na tour brasileira, em cartaz até o próximo dia 12/out num espaço asfaltado e central do Parque Villa-Lobos (Pinheiros - SP). É uma tenda com cerca de nove metros de altura por 200 de comprimento, abrigaria fácil um pocket festival como Nokia Trends ou a fim. Bem escuro para o Fuerzabruta, seria um espaço perfeito para uma apresentação do The Knife (vai sonhando...).
A SUBVERSÃO DA NARRATIVA A narrativa se perde neste momento de sonhos aquáticos e mulheres histéricas pendurados como anjos on acid. Daí você começa a entender o conceito do espetáculo: não é uma história de realismo fantástico mambembe, muito menos um Cirque Du Soleil raver, mas sim um teatro interativo e performático, juvenil e musical. A trilha é bem amarrada, vai do minimal para o suspense até o break/trance nos momentos épicos, sempre com pitadas étnicas e tribais, world music no geral.
Acaba-se por esquecer onde Pablo foi parar, surgem celofanes gigantes para o público tocar e de repente todo mundo fica embaixo de uma gigantesca piscina de acrílico, transparente. É possível tocar o plástico, sentir a água quente, olhar as expressões e o batom sempre impecável de três nadadoras e acrobatas que sincronizam mergulhos, barrigadas no filete d'água quente e danças. A luz é parte fundamental, criando cenografias de feto gigante, de uma pessoa desesperada na barriga de uma baleia-jubarte.
EXPRESSÃO PRIMITIVA + INTERAÇÃO A expressão é primitiva no Fuerzabruta, esse o maior elemento de associação à cultura rave - o público é convidado a dançar aos gritos constantemente. O fator sensorial é mais tátil do que subjetivo (não é dança moderna, não é Pina Bausch); mais explosivo do que observador, já que a tensão está sempre por um fio. Vale pela música, vale pela água, pela piscina, pela curiosidade inicial e, claro, pela música, que nesse circo maluco argentino atua como um narrador magnânimo. Não é a toa que o DJ veste-se (e atua) como um Mozart.
A evolução do espetáculo depende muito da intensidade da entrega do espectador, que pode se molhar, dançar, ou levar um bloco de isopor na cabeça, no melhor estilo Chaves. Afinal, a experiência exige alguma participação, ainda mais no caso desse evento caro instalado no coração da elite paulistana, cheio de lounges, temakerias e casais de classe média-alta. A entrega serve também para quebrar preconceitos e expectativa pré-estabelecidas. Mas, de novo, depende muito mais de você do que de um argentino acrobata.
FUERZABRUTA Até 12/10. Terça domingo (terças, quartas, quintas e sextas às 21h; sábados às 18h e 21h; domingos às 17h e 20h) Local: Parque Villa-Lobos (Av. Queiroz Filho, s/nº, Alto de Pinheiros - SP) Capacidade: 1100 pessoas Preços e horários: de R$ 120 (terças, quartas e domingos às 20h) e R$ 150 (quintas, sextas, sábados e domingos às 20h). Infos:Ticketmaster e (11) 6846-6000. Crianças entre 8 e 12 anos comresponsáveis. www.fuerzabrutabrasil.com.br (lista de trailers)
YELLE Terça, 30 de setembro - Glória (SP)
O samba do francês doido invadiu o Bixiga ontem à noite. A francesinha Yelle e sua banda de dois homens não fizeram apenas um show convicente no Glória, mas sim uma ótima apresentação de electro e pop dançante, fazendo jus à escalação da cantora expoente do tektonik em festivais como Coachella e Sónar.
A festa celebrava a inauguração do site IM//A\\PARTY (que não está no ar ainda), e foi um pocket show similar à apresentação do Dragonette no clube em abril. Mas há de se justificar as diferenças. Enquanto o grupo canadense vive às custas de um hit ("I Get Around") bombado pelo remix (do Midnight Juggernauts), Yelle tem luz própria bem mais incandescente, ou seja, segura o vocal pueril e agudo por belos quatro ou cinco minutos e por todo o show em geral; e a banda não se esforça em mostrar que sabe tocar ao vivo, apenas faz uma apresentação bem eletrônica e dançante, focada numa bela batucada inorgânica e robótica que brasileiro não tem como não gostar.
Sente o drama do vidro embaçado
Ao vivo ela conta com a ajuda de seu boy Grand Manier (bateria) e o ótimo DJ TEPR (tipérrr), que com Yelle toca teclado e solta as bases. De sobra tinha ainda um bumbo no meio do palco, que a própria francesa se acabou de judiar na hora de "Je Veux te Voir", o hit tektonik da cantora, sem dúvida o ponto alto da apresentação. Electro bombante, acelerado pela bateria e o vocal fácil, na indefectível levada sexual "Short Dick Man" (lembra?), tanto na ginga quanto na letra. E como sempre por aqui, o público com o estrangeiro afiado, "Tu es tout nu / Sous ton tablier / Pret a degainer / Mais je t'avoue rien n'y fait" virou "su-cê-cá / saton Sá tomi!" numa boa, sem medo de ser feliz.
"A Cause des Garçons", ponto alto do Kitsuné 5 e hino da estética (dança + música + moda) do tektonik foi outro bom momento, dividido metade na versão original, e a outra no famoso remix de TEPR. Os momentos baladinhas, logo após a empolgação de "Je Veux te Voir", deram uma apaziguada. "Ce Jeu" é bem oitentista; "Mal Poli" vai de hardcore techno 90s mutado num chiclete francês e acelerado, divertido; "Amour Du Sol" é Fischerspooner apaixonado e adolescente, chacoalhado com paradinhas de groove metálico.
Yelle - "A Cause des Garçons" Remix Tepr Video Tecktonik
O show de Yelle e sua pocket banda foi uma evolução do formato que o Glória estreou com o Dragonette, mas foi visível como a francesa tem uma leva de fã bem mais consistente - à 00h20 a lotação de 600 pessoas da casa já estava obviamente esgotada. A debandada lá pela 01h30, quando acabou a apresentação, é talvez o ponto negativo (mas nada que não se releve) de shows em clubes, um aspecto da vida noturna paulistana que merece destaque em 2008. Que venham os próximos!
Fotos: Thiago Zeug
SKOL BEATS 2008 - THE FAIL EDITION Sábado, 27 de setembro - Sambódromo Anhembi (SP)
O Skol Beats deste ano foi o pior de toda sua história. Se não foi ruim, pelo menos foi irrelevante. Foi o que eu e várias das 15 mil pessoas presentes no Sambódromo acharam. Até mesmo o taxista que nos levou embora, até mesmo algumas das grandiosas atrações, que passaram batidas fagocitadas pelo marasmo de mais um Skol no Anhembi.
Primeiro, a salada desconexa que foi o line-up do palco principal, desde 2003 a principal vitrine do evento. Não há explicação e nem justificativa (nem mesmo a tal "escolha do público") para colocar na seqüência Montage, Justice, Marky, Pendulum, Digitalism e, na mais bizarra transição, Armin Van Buuren para depois cair em Gui Boratto.
Tal mistura criou um bicho de sete cabeças de expectativas, reações e várias frustrações, grande parte delas por um palco mal-posicionado e muito grande, cheio de decorações inúteis e luminosas da marca e outros elementos que as empresas brasileiras ainda insistem associar à música eletrônica (jovens com fones de ouvido, vinis sendo tocados, CDs voando, guindastes?). Como que o Justice, com sua cruz soturna e amplificadores ocos e luminosos
Tenda Terra
poderiam competir com os letreiros gigantes do Morumbi Shopping e da Pepsi? Foi o mesmo erro fatal que o TIM Festival 2006 cometeu na Marina da Glória, colocando PET Duo, um cara da Bulgária sem noção e o Booka Shade para tocar num corredor, com ações de marketing da Motorola com som mais alto que o próprio soundsystem.
O Skol todo ano muda de formato ou de idéia, mas já são quase dez anos desse festival cheio de amarelo/preto da marca, e tudo isso já começa a caducar. Talvez seja hora de desejar que em 2009 seja feita uma derradeira e grandiosa décima edição, para que depois ele acabe de vez. São Paulo (e o Brasil, de certa forma) já tem um roteiro, uma vida eletrônica e noturna grandes o suficiente para que não precisamos mais depender da AmBev para ter um grandioso fim de semana dançante.
A economia está aquecida, o Brasil enfim é um país de classe média e talvez até mesmo outras empresas se animem a criar um novo festival eletrônico se o Skol Beats acabasse, deixando boas lembranças e não esbarrando mais em equivocadas iniciativas democráticas que não dão certo, que servem apenas para colocar em cheque a escolha de formatos e line-up esquisito - quem lê o rraurl lembra das reclamações, teve leitor ameaçando entrar no PROCON!
A MARATONA
Montage: até quando?
Sábado eu comecei logo cedo com o Killer on the Dancefloor, uma jovem dupla que fez jus, tanto no som quanto na recepção do público, à sua apresentação. Depois Mixhell repetiu uma boa apresentação como em 2007, e o Montage ao vivo mostrou ser uma banda e uma estética que precisa definitivamente se renovar, qual festival brasileiro falta ainda passar recibo para a dupla cearense?
O Justice cumpriu seu papel, mas não houve comunicação entre o show e o público num palco com seis metros de altura e oito de fosso. Uma dupla que se apresenta com um apelo religioso e subversivo de profanar a eletrônica pelo lado mais sujo do rock precisa de um espaço intimista, não a beira de um rio fedido e um palco aceso de ações de marketing para mostrar todo seu potencial. Pode parecer justificativa de jornalista que viu o show um dia antes, mas a apresentação no Rio foi infinitamente melhor. E, fato, o Daft Punk marcou mais nossa memória por aqui, a comparação é inegável. E o Digitalism, um dos melhores shows, sofreu com problema de som.
CACHORROS MORTOS O Skol Beats é tão preso a seus conceitos e estruturas que ainda em 2008 Marky é headliner do palco principal, ele que, dizem, não gostou da idéia de ser posto em votação porque é um artista "consolidado". Consolidado mesmo, já viram ele vendendo celular ao lado do Falcão (O Rappa) e da Paula Toller? Viva a cena eletrônica!
Será que custava muito ser um pouco mais ousado e trazer um Skream (que foi bem pedido no Fórum do SB)? Até quando São Paulo vai sugar o hype de dez anos atrás do drum'n'bass, um gênero quase morto também pelo seu formato, e não vai abrir os olhos para o dubstep/grime e afins, as coisas que de verdade estão acontecendo em Londres e no resto do mundo, menos aqui?
A culpa não foi de vocês...
Justiça seja feita, a house music e o techno mostraram como sempre serem maiores do que seus próprios gêneros e nomes, proporcionando ótimos momentos com Miguel Migs, Propulse, Cohen e similares. Não a toa, a Tenda Terra foi a melhor coisa do evento, justamente o espaço que não foi colocado a votação, que não passou pelo crivo do público no site do Skol Beats. Este era o conceito estabelecido que deveria ter sido louvado pelo evento, não o Mau Mau encerrando, ao invés de Gui Boratto e Van Buuren? Vi o holandês com o coração aberto, eu gosto de trance e em alguns momentos a sensação crescente, sentimental e épica do gênero até que desceu bem, mas não dava para levar a sério a exagerada ênfase no pop cafona meio Sarah Brightman, aqueles vocais e loops de baba FM.
E os letreiros? ARMIN VAN BUUREN rodando nos telões como se fossem proteção de tela do Windows 3.11, flores de lótus de metal exalando seu perfume (!), o nome do DJ dentro de lâmpadas (uma boa idéia, não?) e mãos robóticas tocando Deus. O Skol Beats foi a Capela Sistina da eletrônica por uma manhã!
PÉROLAS AOS PORCOS Não há shot de cinco balas e nem Bike 2000 que compensem tanta cafonice P.L.U.R., que justifiquem tanta insistência em clichês da música eletrônica e da cultura clubber, ainda mais em 2008, ano em que já se vão mais de 20 anos dessa cultura. O Skol Beats, ao insistir no estabelecido e por abraçar cada vez mais o mainstream eletrônico, por não inovar e engolir como nunca a marca pra dentro da nossa goela, é igualzinho ao Armin Van Buuren, o DJ número 1 do mundo que toca de camisa. Ou alguém acredita que a AmBev faz o Skol Beats por amor à música e à cultura jovem? Eu não acredito nisso, e se alguém insistir que o Skol Beats "fomenta a cultura clubber" com um festival como esse, vou discordar, porque isso é jogar pérolas aos porcos. Adeus Skol Beats, descanse em paz nas nossas tenras memórias.
MIXHELL, JUSTICE E TWELVES Sexta, 26 de setembro - Circo Voador (RJ)
O Rio de Janeiro estava frio e chuvoso nesta sexta começo de primavera. Sem turistas e sem o agito ensolarado da capital mais carnavalesca do país, a apresentação do Justice, em evento especial BURN, para os cariocas prometia ser um evento discreto, mas não menos esperado. Um fator pitoresco era o preço, 160 reais (ouch!), mas com um quilo de alimento você pagava a meia-entrada para a festa no tradicional Circo Voador, uma mini-arena de shows no meio da Lapa comandada pela prefeitura e bombada com apoios permanentes da iniciativa privada. É um caos animado e inigualável em pleno centro do Rio. O Circo comporta pouco menos de quatro mil pessoas, tem vista para a Catedral do Rio e para os Arcos da Lapa, irresistível para forasteiros. Ali fora dá para mandar bala na dose de Ypioca a R$ 2, salsichão, dogão e até Yakissoba para uma larica rápida, pré-festa (a Lapa passa por um processo de revitalização consolidado, já tem até Temakeria abrindo ao lado dos bares mais fétidos do centrão carioca).
Diversidade é isso
Chegamos então na hora do Mixhell, a entrada do Circo é caótica, várias grades embaixo dos arcos da Lapa delimitando as filas. Mas não se sabe qual é para quem vai comprar, qual é para lista, imprensa, bilheteria. Não tem sinalização, tem que perguntas e se enfiar no bolo. Ser ligeiro na noite carioca (ainda mais na Lapa) é fundamental, já que você na bondade pode ficar 20 minutos numa fila que, indo lá na frente, vira uma muvuca de 30 segundos. Apesar da aglomeração, o Circo tem uma boa vazão do público: a pista de madeira em formato semi-arena, com degraus (stadium) e mezanino. Tudo aberto para um pátio de palmeiras imperiais, bares e cadeiras. O lugar não tem chapelaria, e tive que ver o show do Justice com uma mochila nas costas
O palco do Mixhell estava bonito com uma bandeirona na frente, Laima centrada no mini-live que é a apresentação da dupla e Iggor se revezando entre botões e a bateria. Os turrões oriundos da eletrônica ainda questionam a bem-sucedida iniciativa de Iggor e sua esposa, parte um revanchismo meio Fla-Flu de dance versus rock, parte sobrancelha levantada pela carreira meteórica e bem influente dos dois. Mas não dá para dizer que o Mixhell é ruim. Eles já estão aí há um par de anos, Laima mixa bem (melhor que Iggor) e os dois consolidaram uma boa mistura de electro distorcido, maximal, pancadão e um pézinho mais no fidget, que eu senti bastante no Circo.
MIX TO THE HELL
As viradas podem ser secas, passadas no efeito, mas este não é um som 4x4, deixar Switch e Altern-8 na mesma linha não é fácil. E nem essencial, quando se está numa festa cheia de possibilidades além-mixagem. O palco é sempre o melhor cenário para o Mixhell (vide a boa apresentação deles no Skol 2007 - pelo menos pra mim), e o Iggor na bateria é sempre uma vitrine, espera-se ver o pulso mole e rápido do metaleiro mineiro destruir ouvidos ou hipnotizar a atenção. Mas tem horas que implacável da música eletrônica é mais rápida que qualquer baqueta comandada por humanos.
AMÉM Mas a noite era do Justice, fato. O Mixhell saiu rápido e o palco de amplificadores ocos e a turntable fúnebre dos franceses em menos de 15 minutos já estava pronta. Entraram com o suspense eficaz de "Genesis" (a primeira faixa de Cross) para a empolgação de todas as pistas e as várias cruzes de braços (e de verdade que levantavam). O live é um picote de todas as bases pré-programadas da dupla em mixers, seqüenciadores e um MacBook imenso devidamente colocado atrás da cruz, que ali da fila do gargarejo faz o símbolo cristão ter um ar de escultura asteca.
Então assim como o Daft Punk, picota-se, tempera e requenta tudo numa histeria electro e, aqui, metal dance. Numa hora em que a pista já ensadecia no empurra-empurra de show de estádio, eles baixam tudo e soltam "Phantom" (não sei qual das duas) com uma base subterrânea de house, fazendo a pista ir do bate-cabeça ao ombrinho numa naturalidade nunca vista antes. Eu insisto sempre no aspecto house do Justice porque ele existe, veja o set deles na tal festinha secreta (que todo mundo sabia) na última quarta-feira, no tal clube secreto (que todo mundo também sabe) dos fashionistas em Pinheiros. É french touch encrustado no dedão do pé, por mais que Cross seja metal-dance motocross, não dá para fugir disso.
"D.A.N.C.E." é a mais cantada, e passa rápido pela cruz da dupla. "We are your Friends" é apoteótica e veio lá no final, "D.V.N.O." é a cantada com mais empolgação - o inglês da cariocada estava AFIADO, bem além do "four capital letters / printed in gold / blablabla". Deve ser assim em São Paulo. "Waters of Nazareth" surgiu lá de trás, com um break insandecido, talvez a essência do que é a electrohouse mais bombástica. "The Party" apareceu, a Uffie cantou, mas foi um ponto não muito animado, talvez uma prova de que o Justice podia ser ainda mais surpreendente ao vivo trabalhando mais nas possibilidades dos picotes, distorções e fusões do que na entrega esperada de TODOS os seus hits. Enfim, tudo é muito perceptível, dançável, comentável, analisável, até que de repente acontece a epilepsia da cruz satânica do electro, e você não sabe onde o chão foi parar. Tipo isso.
É o ponto alto, uns 20 minutos e pauleira entre o zumbido motoqueiro, a epilepsia selvagem de um estrobo maluco e muita, mas muito barulho... Não importa se você ama, gosta, odeia, prefere música eletrônica de verdade ou indie-rock dançante. Se entregar para esses momentos do Justice ao vivo é uma experiência inesquecível. Lembro bem de ser a única hora que o ruivo e o japonês tocando lá em cima balançam a cabeça e se contorcem, dois coveiros do electro. São Paulo, prepare-se.
12s MILIGRAMAS, PARA RELAXAR Aí que tudo passou como um raio e veio a dupla carioca Twelves, mansinha. Eles são o maior expoente do que pode ser a tal bloghouse aqui no Brasil: muitos hits que estão cozinhando no purgatório entre o underground e o mainstream, muito electro desacelerado que acaba se tornando house music deliciosa. Então tem Lykke Li, Lemon Jelly ("aka Stay With You", maravilhosa), Simian Mobile Disco, Of Montreal e por aí vai. Até o Radiohead em seu momento mais lamúria existencialista vira música para dançar.
Foi o encerramento perfeito para uma noite perfeita, ainda mais para aquele clima de boa-vida carioca, gente simpática e bonita dançando.
Skol Express Do Circo corri para conhecer a festa Combo, do clube 69, claro que houve o bafafá "O Justice vai tocar!". Um clubinho pequeno em Ipanema, mistura do D-Edge com a pista de baixo do Vegas. Às sextas é bem gay, não teve Justice o som foi de Madonna a electro Afrika Bambaattaa num palito. Não tem a pegação de um Freak Chic, o lugar reúne a inconfundível e retratável modernidade carioca e outros perdidos. As luzes são bem escuras, algo que carioca parece adorar (o extremo é a pista sem iluminação do Dama de Ferro, uma coisa).
Corri às 05h40 do Circo para o táxi rumo ao Santos Dumond (passagens da Gol são baratas para vôos po volta das seis, sete da matina), ansioso com a idéia de que eu veria ainda hoje (sábado) a mesma histeria coletiva do Justice, só que num palco para 10, 15 mil pessoas e com soundsystem devastador. Aí sim o bicho vai pegar, não só pelo Justice, tem toda a história 2008-você-escolhe trance-techno-db roqueiro do palcão do Skol. Até já!
Bem, acredito que se nao for possivel deletar esta visao deturbada desse micareteiro recalcado, deveriam no minimo obriga-lo a se desculpar pelas diversas bobagens que sairam em seu aglomerado de caracteres que o proprio teve a audacia de chamar de materia. Em que momento esse ser pensou em ajudar a musica eletronica dessa forma? O Skol beats nunca foi modelo de line up pra ninguem que entenda o minimo de musica eletronica, todos sabemos como funciona sua elaboracao, o skol eh um caso a parte e sempre foi.Quer saber da cena visitando o skol?Quem eh vc pra falar de Marky?Se eu fosse os meninos da Clash barraria sua entrada permanentemente na casa que eh a residencia do Marky e friends e lota em todas as edicoes com pessoas bonitas, e mais, o drumnbass nao eh soh o Marky, o dnb nunca foi soh o skol, existem pessoas que investem e vivem de drumnbass e que merecem respeito e desculpas se nao suas, do rraurl, Respeite.
continuo: Festival indie no Brasil - com atraçào internacional decente, é bem dificil de rolar, infelizmente dependemos de patrocínios. o primeiro semestre foi de seca total, ainda bem q tem um Beats da vida para nos salvar do marasmo. o ingresso estava com preço bem honesto. se o público pagasse mais quem sabe teríamos mais e melhores festivais, q vergonha sugerir q ir pra gringa é o mesmo preço de comprar um microcomputador. isso é coisa de deslumbrado. baixa a bola, editor, vc passou da idade. Ajudou zero.
Créudo, nunca vi texto tão equivocado, maldoso e ressentido aqui nesse rraurl. Será que faltou a verbinha de mídia 'Cala boca' para o site??? Se bem me lembro no ano passado o rraurl começou metendo a boca no Skol Beats, foi só entrar os banners que o site virou a casaca rapidinho. A impressão que dá é q se a classe média está se estabilizando, o rraurl está se esnobificando. Claro, não dá pra gostar do que a massa gosta, afinal isso aqui é um portal de entendidos, e entendidos nunca estão satisfeitos. Pois quem nào foi, perdeu o SB mais astral ever. Tudo funcionando às maravilhas, sem perrengue, nem contratempo. Muita gente se divertiu, e não foram frustradas 15mil pessoas, aposto q o editro não se deu o luxo de perguntar para ninguém além de sua panelinha o que achou do festival. Club X Festival é bem diferente a vibe. um e outro são o máximo, e podemos conviver com ambos. a comparaçào assertiva foi tosca.
Em que momento esse ser pensou em ajudar a musica eletronica dessa forma?
O Skol beats nunca foi modelo de line up pra ninguem que entenda o minimo de musica eletronica, todos sabemos como funciona sua elaboracao, o skol eh um caso a parte e sempre foi.Quer saber da cena visitando o skol?Quem eh vc pra falar de Marky?Se eu fosse os meninos da Clash barraria sua entrada permanentemente na casa que eh a residencia do Marky e friends e lota em todas as edicoes com pessoas bonitas, e mais, o drumnbass nao eh soh o Marky, o dnb nunca foi soh o skol, existem pessoas que investem e vivem de drumnbass e que merecem respeito e desculpas se nao suas, do rraurl, Respeite.
Ally N Sier DJ
www.myspace.com/allynsierdj
Pois quem nào foi, perdeu o SB mais astral ever. Tudo funcionando às maravilhas, sem perrengue, nem contratempo. Muita gente se divertiu, e não foram frustradas 15mil pessoas, aposto q o editro não se deu o luxo de perguntar para ninguém além de sua panelinha o que achou do festival. Club X Festival é bem diferente a vibe. um e outro são o máximo, e podemos conviver com ambos. a comparaçào assertiva foi tosca.