Banda inglesa segue a cartilha de 2008 ao se aproximar da disco music em novo álbum
2008 está acabando, a cara musical do ano já está definida e uma prova disso é a continuidade de referências e apostas lá do começo do ano. Um exemplo é a neo-disco funkeada de Nova York. DFA, Hercules & Love Affair e afins são apostas fáceis para destaques do ano. E a prova de que talvez nada muito revolucionário acontecerá até o final do ano são novos releases agora do segundo semestre que bebem em fontes esperadas.
Por exemplo, pegue a banda inglesa Crazy P (Crazy Penis, para os mais liberais). Treze anos de estrada no pop eletrônico e funkeado, uma espécie de Basement Jaxx do house mais chill-out, quando tal expressão se define como um gênero. Eles lançaram
Stop Space Return recentemente com um viés nu-disco bem escancarado - e assumido, veja o release falando de Hercules e Escort (http://www.2020recordings.com/product/VIS170CD). De modo que apontar tal fato de maneira alguma é uma crítica ou ironia, a própria banda ao explicar suas raízes houseiras e inorgâncias se dá ao direito da alcunha disco music.

O que importa mesmo é que o disco é bom, sim senhor. Começa com uma faixa-título produzérrima, em que a vocalista Danielle Moore dá todo um clima acid jazz para loops gordos e bem atuais, mixáveis até com electrohouse num set mais ousado. Danielle, aliás, sempre foi colaboradora da banda, e agora em
Stop Space Return canta no CD inteiro, uma amostra da pegada inorgânica que a banda caracteriza a sua disco music. Tal fator encontra ápice nas baladinhas, como a roqueira "Fascination" e na jazzeira "Over to You", que tem uma lasquinha de bossa até.
E a alma 20:20, um selo de forte identidade sonora, é bem percebida no single "Love On The Line". O refrão diva esticado é decorado com violinos picotados, que crescem melódicos quando a base de Spirit Catcher dá uma desacelerada. E gruda no tálamo que é uma beleza, perfeita para animar aquela festinha descompromissada na sua casa.
CRAZY P - LOVE IS ON THE LINE
QUEM É A RAINHA?Com esse disco, o Crazy P se insere no disputado jogo de xadrez do pop-dance-house britânico. Uma peça discreta, que não tem a grandiosidade
stadium de um Basement Jaxx, mas agrada a um público mais "soft" - eles são bem relevantes num festival como o Big Chill, por exemplo. Elegantes sim, mas sem a atmosfera clubbing épica de um Faithless. Numa comparação brasileira, lembre da Eldorado FM.
Mas a intenção disco pop ou whatever de Crazy P tem um momento descarado - mais nas bases do que no vocal - de inspiração em Róisín Murphy e seu
Overpowered. São detalhes das bases, como um synth molenga da deliciosa "Wishing For", ou a quebradinha cabaret de "Never Gonna Reach Me", que poderia ser um lado B perfeito de "Checkin' On Me" ou "Tell Everybody" da ex-Moloko. Também não é uma crítica tal comparação, apenas uma colocação lado a lado. A decisão de quem é a rainha, fica a cargo do freguês.
Mas se para ser rainha é preciso gritar, Danielle e o pênis doido contam ainda em "Never Gonna Reach Me" com uma gritaria funkeada sensacional, as paradinhas são de fazer inveja a qualquer produtor da DFA. Tais semelhanças podem ser costuradas ainda por um revival acentuado da piano house este ano, que em
Stop Space Return encontra colo na enxuta "In & Out" - para uma pista, só se for remixada.
stop, space........return!